[por @eneasneto] Eu não consigo conter a risada ao ler “Coco antes de Chanel”.
PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO
Novembro 8, 2009 · Deixe um comentário
→ Deixe um ComentárioCategorias: pensamento fraco
Etiquetado: pensamento fraco
A PARÓDIA E OS TROCADILHOS
Novembro 7, 2009 · Deixe um comentário
Las Bibas From Vizcaya: mestres da paródia
A paródia e os trocadilhos chamaram a atenção de nós, brasileiros, quando os modernistas da Semana de 22 se mostraram muito interessados por essas manifestações da linguagem como representativas e constitutivas de um “espírito” do Brasil.
Mesmo o projeto modernista não tendo total êxito na tentativa de termos uma consciência maior do humor nas nossas vidas e uma recolocação da posição da comédia entre os gêneros literários e artísticos, ele é muito forte culturalmente no ambiente nacional. A paródia é um dos nossos instrumentos para realizarmos pontos altos da comédia como aconteceu na Atlântida com Oscarito e Grande Otelo.

Oscarito e Grande Otelo: os reis da paródia
Penso que essa falsa seriedade da moda brasileira ganharia novo fôlego e força se fosse mais bem humorada. Mas é exatamente por essa chave que hoje consigo entender melhor um desfile antigo de Samuel Cirnansck que nevou na passarela e a minha sensação que aquilo era muito brasileiro. Estaria ele fazendo uma paródia de uma vontade de Brasil possível? Lembrando que em seu último desfile com todo o imaginário cubano da década de 40 e sua entrada final como turista de máquina fotográfica, penso que sim.

Samuel Cirnansck: delibarado ou não, humor na moda
→ Deixe um ComentárioCategorias: estilo · grande otelo · humor · las bibas from vizcaya · lbfv · moda · modernismo · oscarito · paródia · samuel cirnansck · trocadilho · verão 2010
Etiquetado: humor, las bibas from vizcaya, paródia
ROUPAS, MODA E O SISTEMA MODA
Novembro 6, 2009 · Deixe um comentário
Gloria Kalil na sua sabatina do Pense Moda [aos 16:14] fez uma separação clara entre a roupa chamada étnica e a moda. A roupa étnica é aquela que nunca muda, a chamada roupa folclórica, já a moda muda sempre.
A partir desse pensamento podemos esclarecer que a moda surge no fim da Idade Média e o começo do Idade Moderna, no Renascimento como fenômeno burguês. Já a roupa existe desde o tempo do pecado capital, sendo a folha de parreira talvez a primeira vestimenta no imaginário do mundo ocidental. Desde os tempos míticos a questão nudez e roupa é crucial para todas as culturas e nem sempre pela relação de oposição como aconteceu com o Ocidente.
Singularmente a roupa até o advento da moda sempre marcou a condição social, ofício, gênero e idade da pessoa- grupo – que a vestia. E como as culturas antigas era estamentais, isso é, não havia mobilidade de classe, suas roupas também não tinham o porquê mudar. A partir do momento que o advento da moda começa, percebemos de maneira sutil que a representação de uma condição de um determinado grupo perde espaço para a roupa ganhar conotação individual e de individualização – mesmo com todas as implicações que essa lógica impõe.
Já o sistema moda é comum estar associado ao surgimento da moda, e posso resumir em um única palavra: modismos. O modismos em todas as áreas da vida humana – do esporte, pesquisas acadêmicas, movimentos artísticos ao nome de bebês – pertence ao sistema moda. apoesar da minha falta de dados e pesquisa, tenho comigo que o sistema moda é mais antigo que o aparecimento da moda, e esteja na mesma região mítica que as roupas. Se as roupas não mudavam, ou mudavam com lentidão, podemos na área dos gostos e das mentalidades, perceber esse sistema começando entrar em ação. Se pensarmos no Helenismo, a difusão da cultura grega e sua “miscigenação” no Oriente e nos países dominados e sua predominância mesmo depois da morte de Alexandre, o Grande, podemos notar que sim, o poderio militar e econômico foi fundamental para o surgimento da estética do helenismo, mas também a substituição de uma ideia por outra, um proto sistema moda pode ter dado o alcance para que a cultura grega, mesmo sem poder, tenha influenciado tanto o Oriente como o poderosíssimo Império Romano.
Sendo assim, acredito que do encontro do sistema moda com as roupas que nasce a moda. Enfim, escrevo isso porque cada vez mais penso na importância capital das roupas, pois mesmo se um dia a moda acabar, as roupas ficarão, e assim entender das roupas é entender mais profunda e extensamente a moda, a compreensão da moda começa pelas roupas e não o contrário. E a cada dia fica muito mais claro um comentário sobre Miuccia Prada – acredito que numa Vogue América de 2005 – dizendo que mais do que a moda, ela é sim apaixonada e fascinada pelas roupas, é o que ela acha realmente interessante.

as roupas: o turbante étnico e o turbante moda

→ Deixe um ComentárioCategorias: gloria kalil · moda · pense moda · roupa · sistema moda
Etiquetado: gloria kalil, moda, pense moda, roupa, sistema moda
DITANDO MODA NUS INFERNUS
Novembro 5, 2009 · 6 Comentários
Recebi essa tira da querida Alessandra do blog Karapanã

→ 6 ComentáriosCategorias: adão iturrusgarai · alessandra carvalho · ditadura da moda
Etiquetado: adão iturrusgarai, ditadura da moda
LÉVI-STRAUSS, ALCINO LEITE E PENSE MODA
Novembro 4, 2009 · 1 Comentário

o luxo dos Bororo
É engraçado que quando soube da morte do antropólogo Claude Lévi-Strauss, nesse último final de semana, mesmo nunca o conhecendo, parecia que tinha perdido um amigo ou um colega {para não fazer a íntima]. “Tristes Trópicos” teve grande impacto para mim como já escrevi aqui. É inegável que, mesmo sem sabermos, hoje a contemporaneidade dialoga com a maneira como ele orquestrou o pensamento no chamado estruturalismo e todo seu trabalho na identificação do “espírito” do homem, [Nota: estruturalismo vem da noção de estrutura e é entendida como um todo que só pode compreender-se a partir da análise de seus componentes e da função que cumprem dentro do todo. A partir que uma dessas funções muda, muda também a sua totalidade]. Por mais críticas que o estruturalismo veio sofrer depois, e todo o debate e enfrentamento com os existencialistas e os marxistas, o antropólogo francês é um dos meus heróis pela liberdade de encaminhar seu pensamento para longe, no início, das grandes correntes de ideias vigentes em sua época.
Alcino Leite escreveu dois textos interessantíssimos chamados “Lévi-Strauss e o Luxo dos Bororos” e Lévi-Strauss: A Nudez dos Nambiquara” no seu blog Última Moda [Nota: os links dos blogs da Folha só fornecem páginas de certo período e não dos textos específicos, por isso procurem eles na página, estão quase no final]. Os textos descrevem passagens do “Tristes Trópicos” e o encontro de Lévi-Strauss com os ínidos bororos e nambiquaras, no Brasil da década de 30. A discussão – nos textos de Lévi-Strauss – sobre nudez e sexualidade, papéis sociais e gênero na vestimenta podem nos trazer grandes pensatas sobre o Brasil de hoje. O mesmo que discute a legitimidade de usar ou não mini-saia numa universidade (estaremos negando a nudez ancestral ao condenar a universitária?), ou o papel das roupas como definidora da orientação sexual (serão os índios bororos menos machos porque se maquiam e costuram?), ou ainda a necessidade do luxo (que ideia temos de luxo, algo caro? algo exclusivo? algo especial?). Bom, isso são só algumas idéias que o recorte de Alcino sobre o texto de Lévi-Strauss nos propõem. Isso é pensar moda!
Acredito que esse é o papel de pensar moda, pensar ela de forma global, cultural, acima das marcas, dos desfiles e das semanas de moda. Pensar a moda como uma função que faz parte de um todo e se ela muda é por que algo na totalidade também mudou. Se identificarmos uma mudança muito brusca na moda é que algo no mundo mudou e é isso que tem que ser pensado.
→ 1 ComentárioCategorias: "tristes trópicos" · alcino leite · bororo · claude lévi-strauss · estilo · estruturalismo · nambiquara · pense moda
Etiquetado: alcino leite, bororo, claude lévi-strauss, estruturalismo, nambiquara
A MINI-SAIA E OS UNIVERSITÁRIOS
Novembro 3, 2009 · 17 Comentários

Twiggy e sua revolução chamada mini-saia
Não é mera coincidência a liberação das mulheres acontecer na mesma época que aparecem as mini-saias na hoje mítica década de 60. Depende de quem conta a história, Mary Quant ou André Courrèges a inventaram, mas a revolução veio das ruas, com meninas que assim como Twiggy levantaram as saias não por submissão aos homens mas por vontade própria, pra mostrar que tinham o poder e a liberdade ou ainda a liberdade de poder. O mesmo podemos pensar sobre o terninho ou smoking feminino de Yves Saint-Laurent, são dos mesmo gesto, o gesto de autoafirmação positiva do status de liberdade para vestir o que bem entender.
Já comentei aqui no blog sobre o papel político importantíssimo das roupas em contraposição à imagem de alienação que foi grifada para todos que lidam com moda. Percebo também que esse papel muitas vezes se silencia no meio de moda como aconteceu sobre o fato que conto logo abaixo e só comprova os tempos extremamente conservadores que vivemos.
Se os universitários dos anos 60 estavam a favor da liberdade [claro que essa é a visão vencedora, pois tinham os chamados reacionários também, basta lembrar dos confrontos na Maria Antonia entre os uspianos e os mackenzistas), a imagem dos estudantes do ensino superior que se impõe no anos 2000 é a dos que frequentam o campus da Uniban em São Bernardo do Campo.
Foi lá que a estudante de Turismo, Geysi Vila Nova Arruda, 20, foi hostilizada pelos alunos da faculdade por estar usando uma mini-saia. Teve que sair escoltada pela PM aos gritos de "puta".
“Se eu não voltar para a faculdade, vou assumir uma culpa que eu não tenho”, disse a estudante numa clara atitude de resistência.
Muitos telejornais, programas da tarde da televisão exploraram o assunto nesses dias, mas tudo tratado como caso isolado de uma mentalidade reacionária localizada. Não sei bem se é tão localizada assim e não um resultado, um sintoma dos tempos que vivemos hoje.
Os vestidos estão sim mais curtos, no mundo todo, e sim, eles se parecem muito com os trajes das garotas de programa, mas isso não é motivo de escândalo e hostilização como o que aconteceu com a estudante.
Por isso, mulheres de todo o mundo levantem suas saias e saiam na rua se isso continuar a acontecer!
→ 17 ComentáriosCategorias: andré courrèges · estilo · liberdade · mary quant · mini-saia · moda · twiggy · uniban · universitários
Etiquetado: mini-saia, moda, política
COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 01/11/2009
Novembro 2, 2009 · 11 Comentários
O assunto que entre os gays, militantes ou não, está deixando todos de peito inflado de cólera essa semana é o depoimento do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). No programa “Escola de Governo”, transmitido pela TV Educativa, ele tentou brincar dizendo: “A ação do governo não é só em defesa do interesse público, é [em prol] da saúde da mulher também. Embora hoje câncer de mama seja uma doença masculina também, né? Deve ser consequência dessas passeatas gay”.
A grande parada desse comentário é reanimar a imagem dos gays como portadores e transmissores de doenças terríveis. Muita gente ainda hoje estufa o peito e diz que a culpa da Aids é dos viados. Durante anos a doença ficou conhecida como peste gay. Só o fato de ser homossexual e declarar isso em um posto de saúde te impede de doar sangue. Entendo o lado sanitarista da proibição, mas exatamente como não existe um homem igual ao outro, os gays também não nasceram em uma única forma, muitos tem relações estáveis e monogâmicas. Mesmo que na nota técnica de 2008 o Ministério da Saúde diga que “O objetivo não é a exclusão do grupo de gays [...] nem tampouco apoiar atitudes de constrangimentos e de discriminação desta natureza nos serviços de hemoterapia”, acabamos sendo apunhalados no peito com o estigma de aedes aegypti dos males do mundo.
Será que o câncer de mama nos homens vem mesmo das paradas gays? Ou será que é dos políticos que não param nunca de mamar nas tetas do Estado?

As mamas de Requião!
→ 11 ComentáriosCategorias: coluna da revista da folha de são paulo · coluna gls · câncer de mama · roberto requião
Etiquetado: coluna da revista da folha de são paulo, coluna gls
PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO
Novembro 1, 2009 · 1 Comentário
Depois de Donatella Versace, o Brasil recebe Amanda Lepore no mês do preenchimento labial. Patrocínio: Gloss, Goodyear e Gulosa!
→ 1 ComentárioCategorias: pensamento fraco
Etiquetado: pensamento fraco
FORÇA NA PERUCA
Outubro 31, 2009 · 1 Comentário
Lição pra vida ou como diz o velho ditado: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”
→ 1 ComentárioCategorias: drag · drag queen · estilo · reality show · rupaul · rupaul's drag race
Etiquetado: drag queen, estilo, reality show, rupaul
SERÃO MESMO OS OMBROS DOS ANOS 80 EM 2000?
Outubro 30, 2009 · 3 Comentários

Lady Gaga, ícone dos anos 2000
2009, quando pensávamos que os anos 80 estavam finalmente acabando como releitura no terceiro milênio, vemos de repente, como uma fênix – a ave mitológica que ressurge de suas próprias cinzas –, a volta triunfal, pelo menos na moda, da chamada década dos yuppies e rappers. Concluindo, quando a gente achava que com a morte de Michael Jackson, ícone maior daquela década também seria a morte simbólica da releitura dos 80 e os anos 2000 iriam dar de ombros pra chamada década perdida, ledo engano…
Quem deu o pontapé inicial foi Marc Jacobs. O desfile do estilista para o inverno 2009 foi um dos mais aguardados da temporada e com certeza um dos highlights da semana de moda de Nova York. E o que ele nos mostrou em tom otimista? Cintura alta, brilhos, blazers e vestidos estruturados e, é claro, foco nos ombros.

Marc Jacobs inverno 2009
Depois dele muitas passarelas também levaram seus holofotes para os anos 80 a ponto do próprio Giorgio Armani declarar que sua coleção de inverno 2009 era assumidamente feita da “estética e dos shapes do anos 80”.
Donatella Versace também olhou para uma década que ela conheceu bem e suavizou o power dressing ao contrário da Maison Martin Margiela que prefiriu radicalizar o poder das ombreiras recebendo muitas críticas negativas das editoras internacionais.
Já no verão 2010 não teve pra ninguém, Balmain que voltou a ser foco na moda dos 2000 aposta nos ombreiras assim como na jaqueta militar tão amada pelo Michael Jackson e que virou uma espécie de uniforme do cantor. É importante colocar que no contexto pop, essa jaqueta tem origem icônica com os Beatles e o álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, mas Michael conseguiu tomar pra si essa peça e carcterizar os 80’s.

a jaqueta de Michael na Balmain, verão 2010

ombreiras no verão piriguete 2010 da Balmain
Mas de todo esse revival, o que é importante notar é que a década de 80, nessas duas temporadas esse ano, trouxe a reafirmação dos ombros, com foco nas ombreiras como vimos em outra importante coleção de verão 2010, Givenchy.

Givenchy verão 2010
Apesar das ombreiras estarem coladas ao imaginário dos anos 80, elas começaram a ter evidência muito antes, na década de 30 quando Adrian colocou almofadinhas trilaterais costuradas na parte interna dos ombros de vestidos de dois mitos hollywoodianos, as atrizes Greta Garbo e Joan Crawford. Logo virou moda e estilistas como Rochas e Schiaparelli adotaram as ombreiras que entraram no guarda roupa tanto masculino como feminino da década de 30 e principalmente 40.
Se, nos 80, as ombreiras eram signo do poder das mulheres no mercado de trabalho, acredito que a simbologia das ombreiras hoje estão mais conectadas com a década de 40 – os anos da 2ª Guerra – elas são como que um prenúncio de resistência e força das pessoas para tempos difíceis anunciados, uma resposta de sobrevivência e não uma afirmação de poder.

Joan Crawford e as ombreiras feitas por Adrian para o filme “Humoresque”, 1946
→ 3 ComentáriosCategorias: adrian · anos 30 · anos 40 · anos 80 · balmain · beatles · estilo · gilbert adrian · giorgio armani · givenchy · inverno 2009 · jaqueta militar · joan crawford · lady gaga · maison martin margiela · marc jacobs · michael jackson · moda · versace · verão 2010
Etiquetado: anos 80, moda, ombreiras
