Arquivo do mês: setembro 2008

DUS*****INFERNUS EM PARIS


Tentei, juro que tentei não parecer uma bicha deslumbrada, afinal nem é minha primeira vez em Paris. Então quando cheguei no hotel e tinha um convite pro Issey Myiake me mantive fria, mas quando Carine Roitfeld passou por mim, olhou pra mim e falou pardon somente pra mim, saiu toda uma deslumbrete de dentro de mim mesmo em si.

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UMA OUTRA VISÃO DA MODA

Andando pelas ruas de Berlim, mais precisamente em Kollwitzstrasse, no leste da cidade, vejo uma cena que representa muito o senso de moda da capital da Alemanha.
Um longo tapete verde em plena calçada, DJ e modelos desfilando para um público que estava sentado nas cadeiras espalhadas pela rua, quer dizer, não tinha fila A certa.
O desfile era despretensioso, feliz, e a modelos tinham corpos da vida real, pareciam amigas da estilista e faziam divertidas coreografias que tenho certeza que encantariam Dudu Bertholini, um estilista que adora uma mise-en-scene plena de teatralidade.
Melina Strasf faz um belo trabalho em tricô feito por ela mesma. Conversando com ela depois do desfile me disse que achou que esse era um modo divertido de divulgar seu trabalho, parodiando uma passarela mas ao ar livre e para todos que ali passassem.
Isso diz muito a respeito da cidade, que não tem o desejo pelo consumo exagerado, tudo é bem mais barato que as outras cidades na Europa e as pessoas não parecem querer provar que são alguma coisa comprando Prada ou pilotando uma Ferrari.
Por fim, esse evento na rua diz muito também sobre as pessoas que amam a moda na essência e as roupas e entendem que glamour e luxo são adjacências da moda, mas não ela em si.

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

Berlim ist allez, bearlinda!
Tradução de algo que existe mas não se usa: Berlim é tudo, ursa gorda!

O CADARÇO

 
Voltando de Veneza, meu amigo de quem sou padrinho de casamento Eduardo Rosa disse que como gosta de roupas práticas – aquilo que os fashionistas chamam de utilitarista que muitas vezes combina o chamado streetwear com o sportwear – e por isso mesmo ele realmente não tolerava o cadarço, achava algo antigo, sem sentido.
Antes de mais nada, quero ressaltar que Edu é um homem cheio de informações de moda, não no sentido label, mas no sentido imagético, isto é, não importa pra ela a marca e sim o efeito. Enquanto ele falava essa frase intrigante eu olhava para o seu incrível tênis prata com velcro e para o meu em estilo vans e pensei: ele está certo!
Se pensarmos um pouco mais perceberemos que o cadarço não tem nada de prático pros dias de hoje, tanto no momento de colocá-lo no spato ou tênis e ao usar sempre temos que ficar atento pra ver se o nó não desamarrou. E se formos um pouco mais a fundo nessa questão desataremos certas amarras do caso cadarço.
Se pensarmos no sapato social, um oxford é mais formal que um mocassim porque envolve o cadarço. Todo sapato – não sapatênis – com cadarço é mais conveniente ao terno em uma situação formal.
O que Edu também observou é que tinha algo de um fetichismo antiquado no cadarço e a partir de sua observação comecei a olhar o terno como uma elaborada forma de bondage, o ato sexual de amarrar o parceiro ou parceira. Se pensarmos na gravata, no cinto, no cadarço e por fim no colete, eles formam uma espécie de arqueologia da bondage, sua pré-história – e muito poderemos elaborar se pensarmos que o ápice do terno no século 19 coincide com a era vitoriana, a era do puritanismo.
Enfim , eles – gravata, cinto, cadarço, colete – não nos trazem conforto e sim prazer, o prazer do poder simbolizado no uso de um smoking ou terno!

VERGONHA E ORGULHO

Brasiiiiiiiiiiiiiiiiilllllllllllllllll!!!!
Em Veneza, cheia de propostas de diversos países sobre o entendimento de arquitetura, o que mais me decepcionou foi o Pavilhão do Brasil. Com curadoria do arquiteto Roberto Lobo, e curadoria adjunta do jornalista Silas Martin – que faz excelentes críticas de artes plásticas na Folha de São Paulo, o Brasil faz a seguinte proposta de arquitetura ”No Architects. From urbanity to intimicy”. Essa idéia de uma arquitetura sem arquitetos, segundo disse um amigo que entende do carteado, já é gasta, mas mesclada com um ranço de arte conceitual, torna a idéia razoável em uma montagem muita aquém das boas possibilidades de discutir um assunto morno em arquitetura.
O espaço consistia de displays com personalidades, entre elas Alexandre Herchcovitch, Eliana Tranchesi e Zé Celso, falando de sua íntima relação com a cidade. Uma espécie de Caras da Casa do Saber!


pensamento de Eliana Tranchesi

No meio tinha mesas grandes com os livros em versão mais completa dos depoimentos o que permitia até ter um parecer de um motoboy.
Bom, no meio disso tudo, eu tive muito orgulho de ver um dos displays com uma entrevista de Marcelo Rezende, grande amigo e jornalista, e que está cuidando das publicações da Bienal, que de cara eu já amei pois vai ser distribuido nos semáforos da cidade como aqueles jornais Destak e Metronews.

Como Marcelo mesmo diz “Eu não tenho casa, eu tenho uma pequena mala”

SÃO PAULO – MILÃO


colar feito por Jussara Romão em 2004 e fotografada pelo João Ávila.


Dolce & Gabanna verão 2009

VENEZA E AS CÓPIAS


ocidente-oriente

Do mesmo jeito que todo muçulmano deve ir um dia na vida para Meca, acho que os ocidentais deveriam ir pelo menos uma vez a Veneza. Essa foi minha segunda vez e acho que adoraria voltar mais.

Veneza, a Meca do Ocidente
Além de toda a beleza cenográfica, além de todos os tons de terrosos que tanto nos encantam quando vemos um quadro de Tiziano, além de todas as ruas e vielas e canais, existe uma cidade. Uma incrível cidade que não à toa é sede de uma importante Bienal de Arquitetura.
A cidade de certo modo está construída, a eterna Sereníssima República ninguém mexe – pelo menos nas fachadas -, até por isso, como observou Eduardo Rosa, meu grande amigo e arquiteto, as construções mais contemporâneas sejam túmulos e capelas no famoso cemitério da cidade. Mas o diálogo com o espaço faz de Veneza uma grande esfinge arquitetônica, pronta pra te devorar ou devorar-se em meio a tantos turistas.
Uma das instalações – se assim posso chamar – mais interessantes da Bienal de Arquitetura é um espaço que foram colocados uns bancos entre duas telas que representavam uma gôndola. Elas projetavam ora imagens de Veneza ora imagens de lugares como Las Vegas, Tóquio, etc que construiram uma cenografia-cópia da cidade de Venetto.
De alguma forma Veneza foi uma matriz desejada e copiada e entendi melhor a questão da cópia além da visão extremamente negativa que tinha sobre o ato de copiar.
Primeiro pra mim copiar era se apropriar de uma idéia original, tentar roubá-la, massificá-la, mas penso hoje que além disso ela é também difundir essa primeira idéia.
Depois, cópia pra mim representava e ainda representa um senso de inferioridade tremendo. A cópia escancara o complexo de inferioridade latente de quem copia. Vendo as réplicas de Veneza, penso que sim, existe inferioridade, mas também existe a sinceridade de quem copia, algo como a sussurrar pra nós: “Eu gostaria de ser assim e pelo menos eu tentei mesmo tendo fracassado”. Até porque Veneza não é apensa essa cenografia que imprime tão forte nos cartões-postais, existe a cidade dentro dela.
De muitas formas, existe muitas verdades originais em uma cópia!

apesar dos clichês, Veneza é uma cidade…

… com as contradições – espaciais e simbólicas- típicas de uma cidade

ORIENTE-SE RAPAZ!