Arquivo do mês: abril 2010

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

Botafogo Peixe no futebol mundial, ninguém Messi o talento de vocês, só os Santos!!!

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ALEK WEK E O MULTICULTURALISMO


Alek Wek é o símbolo da beleza negra, também é a chave para entendermos o que realmente significa multiculturalismo.

Escrevi para o Virgula, no dia do suposto aniversário da top model. Dá uma olhada!

O ARMÁRIO (O CASO MCQUEEN)

No armário estão as nossas escolhas e nossos esquecimentos. Lá, onde faremos nosso primeiro contato do que queremos ser, estar ou demonstrar para mundo, é também um espaço aberto do possível. Ou do impossível, pois muitas vezes o abrimos e percebemos que nada que lá tem, nos interessa, nesse momento não há escolha, só esquecimento.

Para os homossexuais, sair do armário é revelar-se, mostrar-se verdadeiro com os seus desejos, ter feito a escolha certa, entrar em sintonia com a realidade. Na literatura e no cinema, o armário também tem seus símbolos, sempre como um lugar que pode te levar a um outro espaço-tempo, a partir do momento que você se tranca no armário, é possível vislumbrar um outro mundo (irreal ou paralelo) – seja em “Poltergeist” ou “As Crônicas de Nárnia”. O armário é o espaço de transe entre a realidade e o irreal, o imaginado.

Alexander McQueen sempre levou dramaticidade e teatralidade para as passarelas, isto é, a fantasia. Como os grandes da moda, deixava a realidade mais intensa porque movia-se – para falar dela – no terreno da ficção, do sonho. Em uma época – essa que vivemos agora – que a moda insiste em ser mais pé no chão e ter apelo (mercadológico) à realidade, ele foi até então um antídoto contra esse novo dogma. Nunca deixou de sonhar. Costanza Pascolato declarou no dia de sua morte: “[A morte dele] encerra um período, a era do prêt-à-porter espetacular”.

McQueen sabia que seu armário era o espaço do transe. Uma porta que abria para outras portas, outros mundos. Mas isso estava começando a ser vetado. “Mais realidade, mais realidade” continuam gritando os empresários das casas de moda.

O estilista inglês nunca esqueceu que o armário é o espaço das escolhas. E por isso ele escolheu o suicídio (sem elegias ou elogios) dentro de um armário. Podemos vislumbrar essa imagem como a volta ao ventre da mãe, que acabara de falecer e era uma pessoa de extrema importância na vida de McQueen. Simbolicamente também, parece ele pedir para religar-se à figura materna, mas também à moda [espetacular] que esta falecendo. É uma imagem poderosíssima (talvez a mais) como todas as que ele soube criar para seus desfiles.

Ao encerrar sua vida dentro de um armário, apesar da negatividade arquetípica, McQueen faz uma ação afirmativa ao indicar que as escolhas são nossas e que por isso mesmo podemos sonhar no momento que quisermos, mesmo que todos nos queiram acordados. Enfim, ele era uma libertário!


Alexander McQueen escolheu esse chapéu para o enterro de sua amiga Isabella Blow

LAST DANCE – COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 11/04/2010

Aqui se encerra uma experiência inovadora na imprensa e na vida dos homossexuais brasileiros. A Coluna GLS foi a primeira que mostrou que existia diferenças – saudáveis – entre lésbicas e bees e que cada um deveria ter seu ponto de vista. Foi aqui, que diferente de outras mídias – como a TV Globo onde o beijo gay é vetado -, que os homossexuais puderam abraçar suas causas. Pudemos aqui esboçar uma espécie de crítica à homofobia e uma auto-crítica a certos comportamentos viciados dos gays que só reforçam ainda mais o preconceito contra os homossexuais. Refletimos que é necessário romper barreiras, a feminilidade de um homem nem sempre corresponde à sua orientação sexual, como os chamados crossdressers (vestir-se do sexo oposto) que, em sua maioria, sentem desejo sexual por mulheres. A sexualidade humana é muito mais vasta do que a rotulamos.

Mas o mais notável – pelo fato da coluna estar inserida em um grande jornal – foi finalmente estarmos fora do gueto. Não escrever somente para gays, mas abrir o diálogo com os héteros foi a grande pulo do gato dessa coluna. Sem o apoio dos chamados “simpatizantes”, não conseguiremos avançar.

Depois de todos esses paetês (purpurina é coisa de desavisada!), não podemos nos esquecer que ainda somos sub-cidadãos, sem direitos civis. Por isso, queridinha, pegue seu sapatinho de rubi, porque ainda vamos caminhar muito pra chegar além do arco-íris. Mas chegaremos!