Arquivo do mês: janeiro 2008

SPFW: GISELLE NASSER TRANSCENDE SEU “ROMANTISMO”

Coragem de mudar para permanecer a mesma na essência.

Não é de hoje que o rótulo “romantismo” que muitos imprimem para o DNA da marca da estilista a incomoda. Não que ela o negue, muito pelo contrário, mas já me confidenciou que a limita, a deixa prisioneira. Uma mulher doce e frágil é tudo que os editores de moda esperam dela. E nada mais.

Mostrar que pode ir para outros caminhos foi o grande passo de Giselle nessa temporada. E ela o fez de maneira sensível e nada programática.

A estilista vasculhou no xamanismo, rituais que freqüenta, uma outra posição para ela e por conseqüência para as suas criações.

No xamanismo, a busca da essência, através dos psicotrópicos, é feita através de uma orientação guiada, pois se pode entrar num terreno nebuloso (de loucura e desespero), uma espécie de precipício mental se não acontecer tal orientação, tamanho o poder das alucinações e do transe.

Nessa viagem, seus debruns e seus rolotês são seus guias, sua orientação. São eles que avisam o limite da roupa, até onde ela pode ir, onde não deve passar. Eles dão o limite certo da sensualidade e da força dessa mulher que também existe em Giselle. Com a liberdade dos hippies, no seu caso, super chiques, e suas estampas de cashemire, ela constrói uma imagem além da psicodélica.

Sua roupa então desprende-se do corpo cem estado de transe. E assim revela-se a mesma alma de Giselle, agora nova para quem não a conhecia.

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SANTOS LANÇA GRIFE

Flávia Durante é minha amiga virtual. Fora isso, ela é santista como eu, tudo bem, eu não nasci em Santos e sim em São Paulo, mas morei alguns anos por lá o que me deu uma espécie de ISO de qualidade no ser.

Pois bem, Durante organiza uma festa por lá no belo e restaurado centro histórico chamada Popscene. E no dia 16 de fevereiro, pós reinado de momo, terá edição da festa com lançamento de um nova grife de Santos: a Moon. E serão só as meninas nas pick ups: Mariela e Graziela Gonçalves, Isabelle Mani e Mariana Velho, vencedora do “Brazil’s Next Top Model” e santista por natureza.  moon-01.jpg

A Moon é a marca das irmãs Graziela e Mariela com pegada rock and roll sem esquecer a feminilidade jamais.

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Serviço:

POPSCENE!
indie / rock / pop / glam / garage / sixties / soul / hip-hop /
electro / newrave / mashup
Data: 16 de fevereiro de 2008, sábado.
Local: Retrô Bar & Lounge – Rua XV de Novembro, 47, Centro Histórico
de Santos/SP.
Fone Retrô: (13) 3219-1219.
Horário: 23hs às 05h30.
Ingresso: até 00h = R$ 12 ou R$ 10 (c/ flyer); após 00h = R$ 14 ou R$
12 (c/ flyer).
Site:
http://www.popscenesantos.com
Apoio: MOON
http://www.nomundodamoon.com.br
LONDON CALLING
R. 24 de Maio, 116 lj. 15
F: (11) 3223-5300 – SP/SP
http://www.londoncalling.com.br

SPFW: DUPLA DINÂMICA – FILIPE JARDIM E RENATO DE CARA

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Quem acredita que só tem bofe no pit de fotógrafos está com a crença errada. Apesar de poucos e extremamente fofos, eles podem sim estar no meio de nós. É o caso do ilustrador Filipe Jardim e do fotógrafo Renato de Cara.

Enquanto Filipe, sempre iconoclasta, diz que está dando um tempo das ilustrações (será?), Renato de Cara amplia a Galeria Mezanino que se muda para a parte superior da loja da VRom na al. Lorena.

SPFW: I’M PORTUGUESA

Ninguém falou da tendência portuguesa que apareceu nos desfiles do grupo I’M… Porque?

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Ai ai Maria, sai da lata e vem pra mesa!

(fotos Charles Naseh – site Chic)

SPFW: UMA FOTO, UMA IMAGEM (LEITURA DO MANIFESTO DE WESTWOOD)

Escolinha do Professor Raimundo!

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PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

Nesse bang-bang fashion só tem bala perdida!

SPFW: A MEMÓRIA DO MUNDO

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Quando Adão e Eva comeram o fruto proibido, eles se cobriram com uma folha de parreira: a primeira roupa e o primeiro ”tecido”. Arquetipicamente temos aí a passagem do homem irracional para o homem que se utiliza da razão.

E os tecidos são a razão dessa nova coleção de Ronaldo Fraga. Uma razão que se utiliza dos sentidos (toque, cheiros, cores) para iluminar um passado que está se perdendo ou que poderia se perder pois quando um criador como Fraga olha para esse tema, ele o reavive ou melhor, o reanima, pensando em anima como os gregos empregavam essa palavra.

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O tecido é a alma e o corpo de uma roupa, por isso as transparências dos inúmeros vestidos pendurados na passarela de Fraga retratam que as roupas apenas nos representam, mostram (ou escondem!) quem somos no íntimo.

Fraga que sempre gostou de formas bem mais soltas ao corpo dessa vez as ajustas para ficarem mais próximas da pele, pois são os tecidos nossa segunda pele e neles ficam marcados as nossas vivências, nossas dobras e nossa relação com as roupas.

Em uma atitude sempre proustiana, o estilista mineiro lança o perfume da memória para projetar sua visão de futuro e dessa vez suas madeleines foram a força de uma pequena loja de tecidos que trabalhou quando jovem.

Ele, como o filósofo Bergson, acredita na materialidade da memória e ao completar 25 coleções, sabe que todas as suas roupas e toda a sua memória estavam  espalhados pela passarela e também pela platéia como pequenos pedaços de tecidos jogados no ateliê de costura.

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