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CARAS E BOCAS

Não, eu não vou falar sobre a novela das 7 maravilhosa que o grande artista plástico é um macaco… Que delícia!!! Como dizia um antigo bordão de um programa humorístico: “O macaco tá certo!
E sim pela recuperação sutil de uma modelo nessa temporada e de seu jeito de interpretar uma roupa, ou carregar como preferirem: Marina Dias. Já escrevi sobre toda minha admiração do modo de como ela ressaltava as roupas de Lino Villaventura. Dessa vez, novamente Lino errou ao não convocá-la, seria com certeza a mais interessante das ninfas. Mas marcas como Neon e Samuel Cirnansck acertaram ao perceber que a dramaticidade cinematográfica de Marina carrega o espírito de nosso tempo agora. A neutralidade das modelos e sua invisibilidade parece a cada dia fazer menos sentido em um mundo que pede por individualidades. Tudo bem que, nós, fashionistas já treinados, sabemos muito bem saber perceber pelo andar de uma top uma certa carga dramática, mas a era minimalistas das modelos parece que começa a chegar ao seu esgotamento, senão isso, parece então abrir para novas formas de interpretar a roupa.

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Marina Dias para Samuel Cirnansck

A Neon ao firmar a cada temporada, antes de maneira quase isolada e ultimamente cada vez com mais parceiros, [até Lino – que nunca seguiu tendências nenhuma de parte alguma e tinha em seus primeiros desfiles caras e bocas, chegou a uma fase mais contida e nessa temporada voltou a ser um pouco mais dramático] que o catwalk tem uma história que deve ser revisitada, faz um trabalho de historicizar o comportamento das modelos. E a partir do momento que as modelos ganham uma história através da sua personlaidade mais do seu catwalk ou da combinação de ambos, elas sistematicamente deixam de ser vistas apenas como cabides para se tornarem agentes históricos, personagens e não objetos. E Marina Dias foi nessa temproada a melhor data histórica.
Veja o que Dudu falou sobre desfile da Neon, as caras e bocas da coleção e a participação fundamental de Marina Dias no desfile.

Abaixo o final drama da Neon.

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GALLIANO E CIRNANSCK: O MESMO TEMA, REALIDADES TOTALMENTE DIFERENTES

Confesso que quando vi as imagens de John Galliano para o inverno 2009/2010, não pude deixar de pensar em Samuel Cirnansck. Os dois congelaram o imaginário que temos da Rússia, algo um pouco folclórico é verdade, para dar asas aos próprios devaneios.
Longe de falar em cópia, mesmo que se esse fosse o tom do post, eu estaria falando que Galliano copiou Cirnansck, o que acredito que não procede nem de um lado nem de outro.
Também longe de acusar o tal espírito do tempo que leva um nome bizarro para nós da língua portuguesa de Zeitgeist. O espírito do tempo está preocupado com contas a pagar ultimamente.
John Galliano é um estilista viajante, como o grande Paul Poiret, ele precisa do choque das culturas para que seu barroco resplandeça. Seja a Arábia para a Dior ou a Rússia pra grife que leva o seu nome, ele sempre viaja para fora.
Já Cirnansck sempre, e isso é mais claro em seus primeiros desfiles para o falecido Amni Hot Spot, viaja para dentro, para as suas raízes. Existe uma busca de identidade que passa pela nacional e pela pessoal que é uma de suas forças e ao mesmo tempo uma de suas fraquezas.
Como eu disse na época do desfile, nada mais brasileiro do que fazer nevar na passarela, me lembra muito o clássico do cinema nacional: “Bye-bye Brasil” que o Lorde Cigano (eeeeee Jana e Jorge!!!) interpretado por José Wilker faz nevar no sertão.
Enfim, Galliano e Samuel vivem realidades totalmente diferentes e só tendo em vista essa perspectiva é que podemos comparar – levianamente – os dois desfiles.


A Rússia de Galli e…


…de Samuca!