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PARA NÃO DIZER QUE NÃO ESTOU FALANDO DE MODA

Pra quem tem alguma dúvida se os 3 posts anteriores falavam de moda, eu digo que sim. E a conexão e exemplo é o último desfile da Balmain que aconteceu em Paris. Novamente, em sua coleção de outono-inverno 2010, a marca apresenta de maneira ainda mais explícita a vulgaridade. E novamente para meu espanto, encanta os fashionistas. Não que o estilista Christophe Decarnin não tenha energia, talento e produza uma imagem poderosa, ele é interessantíssimo hoje no mundo da moda. Mas suas criações parecem muito distante do que uma mulher clássica (e eu digo isso incluindo também as mulheres libertárias de minissaia dos anos 60) acreditaria como algo realmente elegante. Há algo de vulgar, que nos remete às prostitutas de rua (não querendo fazer julgamento moral, apenas imagético, por favor).

Fico pensando sobre o fascínio que ele exerce sobre meu amigos da Moda e fica claro o quanto ele é contemporâneo, ao colocar essa vulgaridade em evidência gritante, mas também mudando a chave do que é vulgar, pois a admiração que os fashionistas em geral tem pela marca passa longe desse conceito, acredita-se realmente que estamos diante de algo elegante hoje.

O pop em seu discurso – discutível – que a liberdade era não ter hierarquias entre alta e baixa cultura, nivelou tudo pelo mais acessível, pela baixeza se assim podemos dizer. E desde então, o que era sofisticado antigamente virou algo chato, cansativo [as óperas, os grandes romances, o cinema sem a linguagem narrativa clássica]. E finalmente chegamos aos nossos tempos. Vivemos um período de vulgaridades explícitas, sem pudores, seja ela no pensamento (o qual nada se aprofunda), seja ela na música popular e no cinema (por repetição incessante de velhas novidades) ou na tv (o BBB grita por vulgaridade). E nesse caso, ao olhar para o que é vulgar e incorporá-lo em sua vestimenta tentando tirar o ranço de vulgaridade, tenho certeza que a moda – frente a todas essas manifestações culturais – foi a que se saiu melhor e menos preconceituosa. Os textos anteriores comprovam.

PS – Para ficar mais explícito: Ao transformar em ícone as roupas das prostitutas, existe ali uma operação positiva em relação ao preconceito, muito diferente dos axés da música, dos filmes colegiais americanos ou do BBB que são pura degradação do ser humano e sua afirmação mais baixa.


Balmain inverno 2010 – parece minhas vizinhas aqui da rua Augusta

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BALMAIN É ROPAHRARA MODA EXÓTICA!

A última paixão de muitos fashionistas é a marca francesa Balmain. Ficou chique citar o estilista Christophe Decarnin e dizer que ele é tuuuuuu-duuuuuuu!
00110m
Pra cima de mim não jacaré. tudo o que vi, pelo menos para o inverno 2009/2010, parece diluição de Gareth Pugh com Gianni Versace. Isso é, nada de novo no front, então pra que tanta comoção?
Pode ser porque Decarnin coloca a Ropahrara e as piriguetes em alta, looks que, em geral, os mesmos fashionistas que estão in love com a Balmain desprezam em qualquer outra situação, achando-os extremamente vulgares.
053m
Quanto você Daria pelo programa?
Eu acho a Balmain vulgar, com a vantagem que eu não tenho nada contra a vulgaridade. Aliás Balmain é muito Ropahrara Moda Exótica com a vantagem que a Ropahrara é mais autêntica e barata!
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