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ALEXANDRE DJ E A SUA NOVA COLEÇÃO MASCULINA

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Na saída da In Brands, ops Ellus, encontrei o Alexandre Herchcovitch e como uma boa herchcovítima que sou fui conversar com ele. Alexandre contou pra mim um pouco sobre sua outra profissão: DJ. E aproveitou para falar sobre a nova coleção masculina que ele desfilará na segunda, dia 23, no último dia do SPFW. Confira a nossa conversa no Vírgula.

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O BRINDE DE ALEXANDRE

Um dos brindes mais disputados de todos é o do Alexandre Herchcovitch, alguns são disputados a tapa [uma verdadeira bárbarie no suposto mundo onde todo mundo é elegante], ou simplesmente as elzeiras mais rápidas liquidam rapidinho os mimos colocados na primeira fila, uma coisa se ficar o bicho come se corre o bicho pega.
Dessa vez ele nos presenteou com uma almofada com uma caveira. Nnao eprdi tempo e fiz para o Vírgula uma enquete dus infernus. Veja o vídeo aqui

ORIENTE-SE NO OCIDENTE DE ALEXANDRE HERCHCOVITCH

Era futebol americano o que dizia o release, esportes coletivos que sempre nos trazem ideia de violência, de competividade e dos arquétipos ligados à testosterona. Então se esperava uma mulher forte, competitiva como manda as regras do capitalismo ocidental. Mas o que se via era pura delicadeza, pois como o próprio Alexandre sempre diz, “minha mulher é sempre a mesma”, pois mesmo perversa, com chifres, com roupas tecnológicas que acendem, com perucas que lembram o orixá Omulu, ela continua feminina e doce.
Ao longo do desfile não conseguia ver o tal futebol americano, apesar de algumas referências explícitas como a bolsa em forma de bola. O que via de fundo era o Oriente [Herchcovitch tem uma loja no Japão]. Passavam na minha frente as Hello Kittys, os mangás, a princesa Safira vestida de menina, os Tomodachis, as bonecas orientais que vejo nas feiras da Liberdade e era nessa chave que entendi a suavidade, a feminilidade da coleção. Onde era pra ser cheeleaders, eu vi lolitas e lolipops.
E os crepes georgetes de seda só indicavam leveza, assim como o cetim de seda me indicava o Oriente.
O futebol americano era a couraça para tal doçura, os ombros eram o suporte para delicadas armações, mas no look final está a clara visão que Ocidente e Oriente não são tão distantes assim da mesma forma que doçura e força bruta.

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não vejo torcidas, vejo o Oriente[tenho certeza que Tsumori Chisato iria amar esse look]

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o látex mais leve do mundo

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ombros que flutuam

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lolitas e colleges de Tóquio

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princesa Safira vestida de menina

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o look final que une forças aparentemente opostas

O “LIFESTYLE CARIOCA”

Bem, eu nem escrevi o texto e ele já virou discussão pelo simples fato de eu mencionar no post anterior que o “chamado ‘lifestyle carioca’ era […] um grande equívoco conceitual e ideológico”. O bairrismo gritou alto, mas ele só comprova a força do que digo. Essa tal de lifestyle carioca é uma idéia tosca e pequena.
Sim, sou paulistano e isso pode ser a desculpa para que tudo acabe em mais uma disputa cidade contra cidade. Mas esse texto é exatamente à favor do Rio de Janeiro em certo sentido. Não podemos nos esquecer que até os anos 70, a cidade era o centro da moda e do estilo no país. Lembro de muitos verões viajar com meus pais para passar férias na cidade, na casa de minha tia, e aproveitarmos para fazermos compras. Não porque as roupas eram mais baratas, mas porque tinham mais informações de moda, eram mais “bacanas” como meus próprios pais costumavam dizer. Isso tudo mudou a partir dos anos 80, mas isso é outra história, apesar de fazer parte dessa que estou descrevendo…
É muito engraçado as duas semanas de moda na cidade: o Fashion Rio e o Rio Summer tocarem sempre na tecla do “DNA carioca”. Isso é, semanas de moda nacionais que exaltam o modo de vida do Rio.
Alcino Leite escreveu na época da primeira edição do Rio Summer em seu blog em um post chamado “Ajuste Contemporâneo”:
Entre os anos de 1940 e 1970, para ficar neste século, o Rio de Janeiro viveu um apogeu cultural, agremiando os principais talentos do país na música, na literatura, no teatro e em outras artes _bem como os principais símbolos da elegância nacional. Neste período, ali se determinava o estilo brasileiro de vida.
Por isso, é natural que imagens nostálgicas e retrôs tenham pontuado os desfiles do Rio Summer, como na grife Adriana Degreas (que estampou o rosto de Carmen Mayring Veiga e paisagens cariocas antigas em um tecido de tom amarelo-velho) ou na grife Cris Barros (que exibiu no telão um filme em preto-e-branco com cenas do Rio no final da década de 50 ou dos anos 60).
Bem, já que esta época acabou, valeria, no próximo Rio Summer, se debruçar sobre a riqueza sociocultural contemporânea da Cidade Maravilhosa e as suas novas imagens fashion, já exploradas inclusive por várias revistas brasileiras e estrangeiras: a energia do funk; a Copacabana trash, com seu universo de putas, michês e travestis; e o kitsch da Barra da Tijuca _para citar os mais óbvios.

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Enfim, os funkeiros da Blue Man
Lembrando agora de cabeça, além das muitas tentativas da Complexo B, acho que só a Blue Man fez um desfile realmente importante incorporando esse universo mais contemporâneo, a coleção primavera/verão 2004 feita com os funkeiros cariocas. Enfim, o contemporâneo no Rio não parece nobre ou tão fashion assim aos olhos dos criadores de moda local. De resto, é sempre a mesma ladainha da bossa-nova, da Ipanema e Copacabana de tempos míticos, uma chatice enfim… Algo parado no tempo!
Só precisa afirmar sua identidade quem tem problemas com ela, quem não tem certeza que a decadência que vive passou por alguma civilização, ou a incipidez resultará em algo diferente no futuro.
O Rio, ao precisar ficar se autoafirmando que tem um modo de vida [em sua parte congelado no passado], não olha pra frente, nem para os lados. Não pensa grande, fica ensimesmado em uma idéia de moda canhestra. O que é regional ou o que é brasileiro aparece de alguma forma, sem precisar necessariamente levantar uma bandeira ou apontar para esse detalhe como uma qualidade em si. Existe algo mais regional do que Alexandre Herchcovitch fazer uma coleção sobre o Zé do Caixão [pensando que os dois são paulistanos] ou mais brasileira que sua coleção sobre os bóias frias, mas isso nunca se tornou um valor em si, isso faz parte da construção de algo maior.
O que é tacanho na idéia de lifestyle carioca é que ele ganha um valor em si, quando é só um detalhe. Não há valor nenhum apenas pelo fato de você ser carioca, ou paulista, ou mineiro, ou brasileiro, isso é mitificação e mistificação e o Rio só tem a perder se congelando nesse estigma.
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De costas para o mundo, de frente para um passado congelado

AINDA SOBRE AMIR SLAMA…

Na sexta, fiquei discutindo (de forma saudável e dinâmica) com Fernanda Resende, via posts e depois por telefone a minha falta de energia de ver algo bom e positivo na substituição de Amir Slama por Alexandre Herchcovitch. Ela via com otimismo um biquini feito por Alexandre, eu não via com tanta euforia até porque seria Herchcovitch para a Rosa Chá, uma marca que tem seu estilo e imagem já firmados e não um biquini 100% com a personalidade de Alexandre.
Houve uma animação excessiva, no meu ponto de vista, naquilo que realmente se configura o fato. Herchcovitch ser o novo diretor criativo da Rosa Chá é apenas areia para os olhos de questões mais sérias.
Disse que o entusiamo dela era o mesmo que vi milhares de fashionistas saudando, guardada as devidas proporções, é claro, a entrada de Tom Ford substituindo Yves Saint-Laurent em sua própria marca. Claro que isso pode ser uma posição conservadora minha (eu odiei na época – não depois – quando soube que Tom Ford tomava o lugar de Saint-Laurent. Aliás, nunca engoli muito a “Era Ford”). Mas também pode ser que esse otimismo, no fundo, esconda uma crueldade mórbida pelo novo apenas pelo novo, e também um desrespeito pelo que durou anos se construindo: a imagem de uma marca (isso eu falo não da Fernanda, mas de uma atitude fashionista de achar “legal” toda e qualquer mudança apenas pela mudança). Ela finalmente cedeu e concordou comigo.
Sobre as mudanças na Rosa Chá, que nem serão muitas como eu mesmo tinha escrito nos comentários aqui, acho que Alcino novamente levantou boas reflexões sobre o ocorrido em seu blog.
Acho que também boas pistas foram dadas pelas duas entrevistas com os estilistas no “blog” da Lilian.
Alexandre explicando de maneira difícil de entender como conseguiu ser contratado por um grupo aparentemente rival. Novamente, é claro, guardada as devidas proporções, é como se ele fosse da LVMH e fosse contratado também pela PPR. Estranho!
E de Amir falando que o seu “ambiente de trabalho diurno estava cercado de verdades colocadas que faziam meu estômago se contorcer”.
Mais abaixo da entrevista do Alexandre, , ainda no site, ops blog da Lilian, tem um editorial chamado Orfanato fashion sobre marcas importantes que formaram a hoje chamada moda brasileira: Zoomp, Sommer, Fause Haten, Forum que foram compradas por grandes empresas, seus criadores despedidos e algumas hoje simplesmente nem mais existem.
É essa questão que tira o meu otimismo, esse histórico. Como se dá a relação desses criadores que ganharam um bom dinheiro pra venderem as suas marcas, se tornaram diretores criativos e não conseguiram ter o enfrentamento político necessário para continuar no comando criativo da marca? Qual o papel dessas empresas, sem vilanizá-las, na dificuldade de compreender a compra de uma marca que já tem uma imagem e um estilo? Se essas questões não forem logo resolvidas, Amir Slama não será o último a sair de uma marca que ele próprio fundou. E que resultados de imagem e produto saíram e sairão desse embate?
Como disse recentemente o filósofo suíço Alain de Botton: “Para ser feliz, esqueça o otimismo”!
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com crédito, é claro, para Maihara Marjorie

AMIR SLAMA SAI DA ROSA CHÁ E A HISTERIA DO JORNALISMO DE MODA

Hoje bem cedo, aliás na madrugada de ontem li na coluna de Alcino Leite e Vivian Whiteman – a Última Moda – que Amir Slama está fora da Rosa Chá. Exatamente nesse momentos, como eu, blogues e sites devem estar correndo para anunciar a notícia, tentando quem sabe, seguir o furo da Folha, até porque deve ter chegado às redações o mesmo comunicado que recebi por e-mail da PRCom:

“AMIR SLAMA DEIXA ROSA CHÁ E INDICA ALEXANDRE HERCHCOVITCH PARA ASSUMIR ESTILO DA MARCA
O estilista Amir Slama deixa a Rosa Chá após 17 anos à frente da marca que criou.

Disposto a novos desafios, Amir sugeriu quem o sucederá no comando do departamento de estilo: Alexandre Herchcovitch, também um dos mais reconhecidos talento da moda brasileira, e, assim como Amir, com destaque internacional. Giuliano Donini, presidente da Marisol S.A, aceitou a sugestão de Slama e fechou com Alexandre Herchcovitch para assumir o estilo da Rosa Chá a partir da coleção Inverno 2010.
Amir, que ainda assina a próxima coleção Verão 2009/2010, sugeriu Alexandre por já conhecer seu trabalho e terem afinidades e reconhecerem o estilo um do outro. Os dois estilistas trabalharam conjuntamente em algumas ocasiões, quando a Rosa Chá fez biquínis e maiôs desenhados por Alexandre para sua marca e também para figurinos de teatro. A partir destas experiências, Amir viu que é possível manter o DNA da grife com outro criador à frente, e escolheu Herchcovitch, nome acolhido pela Marisol S.A.”.

E exatamente com essa mesma foto com pedidos de crédito para Maihara Marjorie:

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Fico um pouco impaciente – e entediado – pois já sei que além de um texto com bases nessa informação, vamos ter ao longo do dia nos diversos sites e blogues uma repercussão do ocorrido com os fashionistas, talvez um álbum ilustrado com as principais imagens e tendências criadas pela Rosa Chá sob o comando de Amir Slama, algum depoimento de Alexandre…
A necessidade do furo jornalístico é talvez algo de mais deja vu que existe no jornalismo na era da internet, mas ele permanece mítico muito por insistência dos leitores. Claro que a notícia já estava no ar, ela foi guardada e reservada e finalmente “vendida” com exclusividade para a Folha, devido ao papel e a importância indiscutível do jornal, que ainda se alimenta do mito do furo. Lá, na Folha, se acredita – ou finge acreditar – assim como sua audiência, na importância de dar a notícia antes, mas com uma pequena exceção – o que faz de Alcino e Vivian leitura obrigatória -, mais do que mostrar o ocorrido, eles desenvolvem a pauta e deixam brechas para desenvolver pensamentos importantes, muito mais importantes que o furo em si:

“… é o segundo estilista de prestígio que, em menos de um mês, se desliga da própria marca que criou, após vendê-la para um grande grupo de moda. Em abril, Tufi Duek afastou-se da empresa catarinense AMC Têxtil, atual dona das grifes Forum, Triton e Forum by Tufi Duek”.

“A Folha apurou que, porém, divergências crescentes entre a Marisol e Slama pesaram na decisão. Uma suposta redução de vendas no atacado, nos últimos meses, teria sido a gota d’água. A Marisol desmente a queda nas vendas”.

Serão essas reflexões mais importantes que o tal furo? Claro que sim, mas quem vai mexer nesse vespeiro? São tantos compromissos, não? Melhor procurar outro furo para alimentar a histeria…

O TALISMÃ E A RELAÇÃO AMOROSA ENTRE ESTILISTA E MODELO

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Penso com interesse na exposição “Muse: Embodying Moda” que acontecerá entre 6 de maio e 9 de agosto desse ano no Costume Institute of The Metropolitan Museum of Art. Leio que a exposição irá “explorar a relação recíproca entre a alta moda e a evolução dos ideais de beleza, e incidirá sobre as icônicas modelos do século 20 e seus papéis na projeção e, por vezes, inspiração na moda das respectivas épocas”. Mas muito mais que os ideais de beleza, não consigo parar de pensar na relação amorosa entre os criadores e suas musas. E, com certeza, o papel das modelos como musas dos estilistas faz parte talvez da relação mais intensa e rica do mundo da moda.
E quando falo de amor, não estou sendo metafórico. Charles Frederick Worth, o pai da alta-costura, ao construir, ou melhor, evidenciar a creolina, ele usa uma vendedora da mesma loja que trabalhava para demonstrar sua criação. Marie Vernet é considerada por muitos a primeira modelo da história e não à toa acabaria por se tornar sua esposa.
Um pouco mais tarde Paul Poiret tem em sua mulher Denise, a sua musa e modelo de suas idéias de uma nova mulher. O estilista declarou: “Minha mulher é a inspiração para todas as minhas criações, ela é a expressão de todos os meus ideais”.
Coco Chanel teve entre suas preferidas a modelo norte-americana Suzy Parker, na década de 50. Ela era considerada o rosto Chanel por excelência. Foram muito próximas e confidentes e boatos dizem que as duas chegaram a ser amantes.
Muitas vezes o lance é genético, assim como Maxime de la Falaise foi musa de Elsa Schiaparelli, sua filha LouLou de la Falaise foi o modelo ideal durante 3 décadas de Yves Saint Laurent. Paixão geracional!
Mas nem sempre a relação acaba de forma amistosa. Durante anos Inès de la Fressange foi para Karl Lagerfeld a mulher Chanel. Mas a partir do momento que Inès decidiu, no final dos anos 80, posar de peitos nus como Marianne, um dos símbolos da pátria francesa, Lagerfeld reagiu igual a um marido enciumado e rompeu com a modelo achando a atitude dela “vulgar, provinciana e burguesa”.
Hoje, como o amor se pulverizou em uma certa promiscuidade do desejo, vemos muito dessa atitude refletida nas passarelas. A cada momento os estilistas elegem suas musas para depois descartá-las. Ora tal é a queridinha ora outra é o rosto da marca e assim por diante. Parecem que os estilistas não mais amam suas modelos, apenas se apaixonam e ou então como se diz hoje, apenas “ficam” (assim como os adolescentes) com elas por uma temporada.
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Então a cada temporada, aqui no Brasil, meu coração palpita ao ver dois estilistas seguirem firmes com suas musas por mais de uma década em uma prova que mesmo com todo o império das paixões e do desejo, o amor ainda tem espaço na moda e na vida das pessoas. Com a fidelidade digna do romantismo da século 19, Marcelo Sommer ainda entra abraçado com Luciana Curtis e Alexandre Herchcovitch sempre está de mãos dadas com Geanine Marques. Elas iluminam o final do desfile desses dois estilistas como um talismã: um talismã que mais do que indicar sorte, fala a fundo sobre a relações humanas.
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