AINDA SOBRE A ROUPA DO PODER – UM PAPO ENTRE MARIO MENDES E WALTER RODRIGUES


Uma excelente surpresa foi a volta de Mario Mendes ao mundo da moda. Fazendo vídeos curtos com ideias rápidas e espertas, ele é uma das brisas boas na sempre deslumbrada “crítica” de moda do país, que muitas vezes faz o papel de release mais do que crítica.
Outra excelente surpresa foi ele ter feito um vídeo só com Walter Rodrigues. Percebo agora que entre muitos estilistas do país que admiro, nunca escrevi no blog sobre Walter – isso é uma falta grande. Mas minha admiração por ele só cresceu com os anos. Já entrevistei a maioria dos designers de moda do Brasil, e uma coisa que muitas vezes se torna muito evidente é como o discurso do estilista está muito distante da roupa por ele – ou sua equipe – criada. Com Walter sempre o seu discurso veste-se com sua roupa perfeitamente.
Isso pode ficar claro quando Mario fala de algo monástico na última coleção do estilista e o próprio Walter cita Balenciaga falando sobre excessos.
Nesse sentido Walter está mais para Ana do que para Dilma.
Vale muito ver e perceber como Lula e Dona Marisa entenderam o seu papel usando Ricardo Almeida e o próprio Walter na posse. Ficaadica:

walter-rodrigues-nao-sou-o-favorito-da-dona-marisa

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13 Respostas para “AINDA SOBRE A ROUPA DO PODER – UM PAPO ENTRE MARIO MENDES E WALTER RODRIGUES

  1. Vitor, gostei muito da entrevista com o Walter. Acho que agora tenho mais claro o que você chamada de projeto de moda. E ele explicita bem algumas relações da moda com o poder.
    Mas quero saber de você, você acha que o mercado de moda brasileira tem culpa nessa esnobada que a Dilma deu? O que poderia mudar para que as pessoas começassem a enxergar a moda como mercado?
    E acho que o Walter tá bem ligado ao que o Alcino diz, a questão da Carla Bruni e da Michele Obama serem embaixadoras de moda dos seus países. Mas tem a questão que elas são primeiras-damas. Você já leu algo sobre a Michele Bachelet e a moda chilena, por exemplo?
    E estou adorando seus posts sobre assunto, por mim pode continuar.

  2. Srta Bia, é muito bom ter você como interlocutora!
    Bom, o chamado prêt-à-porter de luxo brasileiro não é completamente inocente nessa história, talvez ingênuo e algumas vezes colonizado e como disse a Fernanda Resende, não pensa no corpo da mulher brasileira que está mais pra Dilma do que pra Carol Trentini. Agora, Dilma poderia ter mais consciência do peso da indústria de moda no país. Não existe nada de fútil nem de alienado na chamada roupa que se usa na posse, como diz Walter, inspira ao poder a ideia de exclusivo, de único. Isso tanto faz com Dilma vestindo a amiga do Rio Grande do Sul como se escolhesse algum dos nomes de criação do país, essa é a imagem que fica, pois ela já ocupa o cargo que é exclusivo e único.
    Bom, sobre Bachelet nunca li nada sobre ela e a moda chilena, talvez porque a indústria de moda no Chile não seja tão forte e gere tanto dinheiro como a brasileira. Mas coloco uma questão que você e o Alcino escreveram e ficaram com medo de serem taxados de sexistas. Será que a moda que é considerada coisa de mulher, relegada ao segundo plano como coisa de mulher, de gente fútil, não deveria com Dilma no poder ganhar o primeiro plano, um patamar mais nobre, desafiando o machismo e a guetização? Por isso eu digo: desprezar a moda é comportar-se exatamente como o discurso patriarcal que relegou a mulher e a moda pro canto da sala de costura

  3. Boa observação, Vitor! E concordo plenamente que desprezar a moda é patriarcal, é torná-la ainda mais fútil. Só que meu receio de ser sexista é tratar a moda como se fosse o único assunto a ser tratado sobre Dilma, porque a grande mídia não faz reportagem sobre moda quando os homens estão no poder. Porém, desde o texto do Alcino tenho refletido sobre o momento, que talvez justamente por termos uma mulher no poder seja a hora de discutirmos moda como mercado e cultura.
    A Gloria Kalil, por exemplo, fez textos muito ruins sobre as roupas da Dilma, sobre a TPM feminina e etc. A VEJA fez uma reportagem criticando o vestuário da Dilma e comparando-a com a Bruni e a Michele, meio que dizendo “lugar de mulher é como primeira-dama e não como presidenta”. É nessa armadilha que não quero cair e acho que o Alcino também não.
    Realmente não lembrava que o Walter tinha vestido a Marisa em várias ocasiões. Lembro muito do Ricardo Almeida com o Lula, mas acho que faltou mesmo esse conhecimento da Dilma, até mesmo um bom assessor para dizer essas palavras do Walter.
    Acho que se essa discussão chegar até as marcas talvez elas façam algo. Há mais divulgação, a cobertura da GNT, por exemplo é muito boa. Minha mãe descobriu o mundo das Fashion Weeks por causa dessa cobertura e adora. Porém, acho que as pessoas também tem a visão de que o pret-a-porter é aquela roupa que se usa na passarela, mas não nas ruas. Uma bobagem, mas acho que o conceito de moda ainda está distante do cotidiano do brasileiro. Ainda é meio um mundinho. E agora acho que justamente por causa da Dilma podemos discutir o assunto: Qual a cara da moda brasileira? A quem é destinada? Por que uma mulher urbana de 60 anos não tem interesse por moda brasileira? O meu ponto é que a Dilma muito mais do que esnobar quis segurança, ela sabia que costureira particular faria exatamente o que ela queria. E aí vem o ponto, levantado no outro post, por que não ousar?

  4. MODA & COCAINA

    1) Tanto a moda como a cocaína geram um grande número de empregos, onde quem lucra de verdade são os grandes cartéis.

    2) Tanto a moda como a cocaína deixaram de ser produto de consumo das elites para se enraizarem em todos os seguimentos da sociedade e causarem danos nefastos.

    3) Tanto a moda como a cocaína criam dependencia não só do uso, mas de participar dos seus rituais de consumo em grupo e crítica.

    4) Tanto a moda como a cocaína criam uma falsa sensação de poder, exclusividade e que somos especiais.

    5) Se no passado os intelectuais e artista elevaram a cocaína a condição de droga iluminatória a moda, através de um discurso bem elaborado e estratégias de marketing ainda tenta diferenciar seus seguidores e eleva-los a categoria de líderes, criando mais e mais a adictos.

    6) Dona Dilma não consumiu do cartel indicado pelos especialistas e foi massacrada por fazer uma opção pessoal. O que fez de relevante a linda e bem vestida primeira-dama Carla Bruni? Steve Jobs nunca se vestiu “bem”…

    7) O mundo gera milhões de peças de design inúteis e outros que estão revolucionando nosso cotidiano – de cadeiras a gagets – existe uma crítica especializada definindo a cada temporada quem acertou ou não, se é arte ou não? Roupa merece tudo isso? Não parece a velha técnica dos galeristas?

    8) Criar algo que se torna obsoleto e descartável, com grande impacto ambiental, a cada temporada é algo inteligente no século XXI?

    NUCOOL retorna em breve, na nova temporada: O MAINSTREAM VENCEU!!! FAZEMOS QUALQUER NEGÓCIO PARA MANTERMOS NOSSAS PANÇAS!

  5. “6) Dona Dilma não consumiu do cartel indicado pelos especialistas e foi massacrada por fazer uma opção pessoal. O que fez de relevante a linda e bem vestida primeira-dama Carla Bruni? Steve Jobs nunca se vestiu “bem”…”

    Falou tudo!!!

  6. e digo mais: Dona Ana Holanda tão elogiada pelo modelito foi a primeira fazer besteita nesse governo, óh: “Ato de ministra provoca protesto” http://bit.ly/he3Xix

  7. Quer valorizar a moda brasileira?
    Rua José Paulino, Bráz, 25 de março. As três faturam BILHÕES a frente das duas dúzias de marcas que desfilam nas semanas de moda. Geram CENTENAS de emprego a mais. E movimentam ainda outros setores de suporte como alimentação, turismo e transporte.
    Ah…mas tem muita cópia, produto de baixa qualidade! Verdade, mas é mais honesto. Ao contrário de algumas marcas “consagradas” a cópia ali é declarada, a qualidade é _muitas vezes_ questionável, mas o preço é justo!

  8. gostaria de fazer um comentário absolutamente a parte da discussão toda – se me é permitido. sou pesquisadora do cnpq e minha pesquisa tem base na pirataria de moda. só gostaria de parabenizar um blog de moda realmente consistente que vi aqui :)

  9. tá boa? aodro walter, adoro o discurso dele, a moda dele, a viagem dele… é tipo dus infernus.
    e adorei a resposta da moda e cocaína nocool dos outros é refresco! +1?

    sabe que to aqui em floripa tentando escrever um roteiro sobre moda e ind têxtil no vale do itajaí??? … lerê lerê!

  10. volta a postar :’(

  11. Issac, pode até gerar grande número de empregos imediatos no comércio brasileiro, mas não esqueça da onde foram fabricados todos esses produtos: fora do Brasil. Em industrias que exploram o trabalhador, com excesso de mão de obra e o salário miserável das costureias. Além de ter péssima qualidade e ser uma imitação barata dos gringos. Mas isso é uma discussão muito mais profunda, pq também no momento em que se acaba totalmente com essas empresas por serem socialmente erradas, o que será das famílias que dependem dela? Não esqueça também que existem muito empresário que usa do discurso “politicamente correto” para quebrar a economia de países subdesenvolvidos.

  12. E em resposta ao nucool

    A moda gera muito emprego, no setor comercial, nas industrias, na criação. Mas claro, a valorização da criação de outros países parece ser de praxe, maior que a valorização nacional. Além do que, cansamos de fazer criações pra gringos, de exportar alegria, como o vitor disse no post anterior https://dusinfernus.wordpress.com/2011/01/17/a-tragedia-e-a-alegria/.

    O meu grande interesse em estudar moda é justamente esse, o do consumo exarcerbado. MAS, é muito mais interessante se perguntar porque ela se enraizou, qual a necessidade de se ter, consumir tanto? com o crescimento economico das classes, as pessoas queriam consumir tudo o que não podiam antes e claro que a grande mídia se antenou e fez de tudo para que isso ocorresse. Com a moda, a gente pode fantasiar, com o futebol a gente pode ficar fora da realidade por alguns momentos (embora eu não acredite que desperte mais do que reflexões de cooperação), com a música você se liberta. O que eu quero dizer é que não podemos viver somente do real, até pq, se queremos uma sociedade melhor, temos que fantasiar também.

    E justamente por ter dito que a moda gera um grande número de empregos (quem lucra pouco, olha só se for no exterior, pq aqui no brasil para ser estilista e ser reconhecido, como em qualquer segmento artistico do brasil, tem que trabalhar muito, passar por todas as áreas de trabalho, correr atrás mesmo, colocar a mão na massa). Temos pouco reconhecimento de criação, de reflexão da moda, que é minha grande crítica. Os estilistas falam pouco dos seus trabalhos e acho que poderia ser mais aprofundado.

    E justamente pela moda ser já uma expressão que foi aceita pela grande maioria, ela tem obrigação de ter esse discurso de ética no que cria. O ecologiacamente correto pode ser levada a população através da moda. Isso não é incrivelmente poderoso? Mudar a forma de pensar na cultura através das vestes. A roupa merece tudo isso, a roupa, a moda, os objetos. Tudo que consumimos merece um grande discurso, pq faz parte da gente, da nossa formação. Tudo que tu ingere, assite, escute, lê, veste, faz parte da tua formação como indivíduo. O homem tem a necessidade de se expressar, e usa desses elementos com grande cargas culturais instrissecas.

    A moda é muito mais do que a mídia expoe, essa sim, que não é democrática, está na mão de grande empresas e expressa a opinião de poucos.

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