Arquivo do mês: janeiro 2010

COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO – 24/01/2010

Tá bafo esse BBB que muitos já chamam de GLBBBT. Confesso que o nome “coloridos” dado pela produção do reality à turma assumida do babado me deu um pouco de arrepio, pois esse nome sempre me vem à mente associado com o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que é bem mais representativo no corpo – sarado – e na mentalidade de Marcelo Dourado, forte candidato para representar o homofóbico da casa.

Mas o que é interessante ver nas personas dos chamados coloridos da casa: Dicesar, mais conhecido como a drag Dimmy Kieer, Sérgio, a neo-gótica-emo Sr. Orgastic e Angélica é que eles não fazem nem representam o tal “gay família”, termo para as bees e lelés muito comportadas e que tentam se enquadrar na normatividade hétero. Eles são histriônicos e fechativos como muitos de nós somos. Com muito barulho, eles mostram também uma de nossas caras, um jeito de ser que deve ser respeitado por mais que isso incomode muitos gays (homofóbicos) que reprovam esse tipo de comportamento.

Por outro lado, foi de maneira silenciosa e ética que a Folha noticiou, na semana passada, a união homoafetica do estilista Alexandre Herchcovitch em um cartório. Não foi destaque, nem manchete, era apenas um parágrafo que noticiava uma relação como outra qualquer da mesma maneira que um jornalismo sério noticia um casamento entre um homem e uma mulher. Nesse caso ser normativo é um avanço, é tratar em pé de igualdade – em certas questões – tantos os homossexuais como os héteros.

Em ambos os casos, seja no barulho da fechação, seja no respeito ao espaço privado, os homossexuais mostram que são diversos, mas estão no mesmo reality quando a palavra é respeito ou falta de.

A IMAGEM DA TEMPORADA

Para aqueles fashionistas que acreditam que é apenas lero-lero de uma parte da imprensa, deu no New York Magazine e a legenda dizia: Modelos trocam de roupa no backstage do São Paulo Fashion Week.

Abaixo reproduzo a matéria de Fernanda Mena para a Folha de São Paulo continuando o assunto da hipermagreza nas passarelas.

Evento tem poucas respostas para apelo

FERNANDA MENA
DA REPORTAGEM LOCAL

Dois dias após enviar uma carta alertando os principais atores da moda internacional sobre a hipermagreza atual das modelos, a organização da São Paulo Fashion Week obteve, por enquanto, poucas respostas de apoio.
O evento recebeu e-mails da revista “Vogue” francesa e do fotógrafo Nino Muñoz, um dos preferidos de Gisele Bündchen. A editora da “Vogue” americana, Anna Wintour, não escreveu diretamente à SPFW: encaminhou o alerta de Paulo Borges ao Conselho de Designers de Moda da América, que convidou o empresário para uma conferência sobre a saúde das modelos, em Nova York.
A carta da SPFW propõe um esforço conjunto para minimizar a onda de hipermagreza “e seus efeitos na indústria e na sociedade como um todo”.
Para Borges, diretor da SPFW, é preciso apoio internacional, já que as modelos passam a maior parte do ano trabalhando nos EUA e na Europa e importam de lá o padrão radical de magreza.
A “Vogue” americana seria a publicação mais influente para esse processo. É a única revista de moda de renome internacional que se recusa a publicar imagens de hipermagras. “Wintour já conseguiu acabar com a onda “heroin chic”, das modelos com cara de “junkie” nos anos 90″, diz Borges.
Há quem duvide do poder que vem de fora e ache que as mudanças devem começar no Brasil. “Paris não vai ajudar em nada. O Brasil tem força para resolver isso por aqui”, afirma o estilista Marcelo Sommer.
A crítica de moda Gloria Kalil discorda. “Esse tipo de ação precisa ser internacional. Nunca foi exigência brasileira ter varapau na passarela”, diz. “Para dar certo, tem que perseverar. Criar campanha de uma vez só é fogo de artifício.”
A SPFW criou em 2007 uma campanha de esclarecimento para modelos sobre problemas alimentares. Na mesma época, passou a exigir atestado de saúde das garotas. Por que, então, agora desfilam modelos com “magreza severa”, na classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS)? “Todas continuam apresentando atestado. Se não estão bem, temos de questionar o sistema de saúde do Brasil”, justifica Borges.
“O mercado todo tem de se reeducar. Se a magreza não entrar num desfile, mas continuar na publicidade e nos editoriais, não adianta nada”, diz André Hidalgo, diretor do evento Casa de Criadores.

Desconforto

Na SPFW, o assunto da magreza radical gerou desconforto. Equipes de TV dizem ter sido proibidas de entrar em alguns camarins para fazerem reportagens sobre o assunto. A assessoria de imprensa da SPFW nega que tenha havido restrições.
A organização do SPFW reteve a credencial de um fotógrafo da agência de notícias France Presse até que ele deletasse fotos feitas nos camarins dos desfiles, alegando que continham imagens de seminudez. A Folha viu as fotos e elas revelam, sobretudo, flagrantes da extrema magreza das modelos.
Borges destaca a responsabilidade da mídia. “A imprensa massacrou a modelo russa Karolina Kurkova em 2008, chamando-a de gorda. Fernanda Tavares até hoje sofre as consequências de uma reportagem de 2002 que falou de sua celulite. Foi cruel.”
No empurra-empurra do mundo fashion, quando assunto é magreza, a culpa parece ser sempre do vizinho. Entre o padrão esquálido das passarelas e a epidemia de obesidade fora dela, mais fácil dizer que os culpados somos todos nós.

DE JESUS LUZ A REGINA GUERREIRO – OS VÍDEOS QUE FIZ PARA O VIRGULA

Fiz alguns vídeos para o Virgula falando e abordando diversos assuntos. Quem se interessar, tem:

– o já clássico vídeo do Jesus Luz, digo clássico graças aos amigos blogueiros.

– o que existe de mais cafona no mundo da moda.

– bafo no backstage pra entrevistar Mariana Ximenes na Forum.

– conversa com Marília Campos Mello sobre moda masculina.

– o desfile masculino de Alexandre Herchcovitch.

– fashionistas falam a definição da temporada em uma tag.

– entrevista com a queridinha Regina Guerreiro.

24 HOUR PARTY PEOPLE

São Paulo é uma cidade suja, desagradável e poluída. Excludente a todo instante, porém recebe uma força inversa que é feita pela maioria de seus moradores – muitos vindos de outros lugares – que acabam fazendo da amizade e da festa algo especial, tão especial que acaba sendo a grande – talvez a única – qualidade dessa cidade.

09 de janeiro de 2010

7h15 da manhã, acordo e esse é meu café da manhã.

Era a Voodoo Hop, a festa do alemão Thomas, no apartamento de amigos no prédio do Niemeyer, na República.

Essa era vista. Nos anos 90, eu morei nesse mesmo prédio e dava boas festas também.

Viny sempre causa…

14h32, saio um pouco bêbado da festa, passo em casa, troco de camiseta – a calça é a mesma -, porque o calor tava grande e vou visitar meu amigo Jay, fotógrafo de cinema, com outra grande amiga Geórgia, para um almoço super especial.

22h10, depois de um longo almoço que atravessou a tarde , à noite vou me despidir de Carlinhos e Marina na casa de Paloma.

Carlinhos e abaixo, Serginho e Kaká amado!

10 de janeiro de 2010

A saga continua, troco mais uma vez de camiseta, e me jogo no Bar do Netão – o verdadeiro bar secreto -, são 3h13.

Era aniversário de Mau Mau no Hell’s, isso lá pelas 5h.

E todo mundo festejou!

Já 7h, na frente do Ecleticu’s.

Do outro lado da rua, um cantinho, um violão.

9h34, fazendo amizade com os emos.

9h36, fazendo amizade com o baile todo do Pescador!

13h, na Paim me senti em Recife. Se você viu o mundo e ele começava em Recife, com certeza, eu vi que ele termina na Paim.

13h30, No Xocolate, é osso!

Ibotirama, bar oficial dos fashionistas do B, às 16h09 com Tata Pierry.

Lá pelas 17h, Claudia Assef e Dani Costa buzinaram de dentro do carro pra mim. Larguei meu almoço e fui tirar essa foto.

Mais amigos queridos, antes de ir finalmente dormir: 24 Hour Party People!

Penso muito como uma cidade tão podre pode se revelar outra, fruto da relação das pessoas. Penso em como a moda tão aparentemente podre em seu mundinho de consumo excessivo e vaidades pode se revelar outra, fruto de uma nova relação das pessoas – sem tanta hierarquia, sem tanto esnobismo – como aconteceu no desfile do Sommer. Mas isso é post pra essa semana. Por enquanto: Parabéns, pessoas que vivem em São Paulo!

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

Por Katylene para a Folha de São Paulo: “Se a Márcia e a Claudia do ‘BBB’ viraram estrelas de desfiles importantes, isso é a prova cabal que o mundo vai acabar mesmo antes de 2012, num tsunami de cafonice”.

um pexu, Katy! Tchiamu!

UM PEXU, ZÉ PEDRO!

Como Zé Pedro e eu conversamos – rindo e xoxando – na entrada do desfile do André Lima, eu e a Nina [Lemos] estamos no Cotidiano da Folha de São Paulo pra cobrir os buracos e enchentes da São Paulo Fashion Week, a sua realidade mais canhestra como aquilo que tem por trás da publicidade.

E foi nessa atmosfera de cafonice explícita como disse Katylene, nesse mal gosto estilizado de fantasia de glamour que flatula em alguns momentos pela semana de moda mais importante do país, você – Zé Pedro – nos brindou com algo verdadeiro e orgânico na trilha de André Lima. O [tecno]brega de um Brasil profundo e antropofágico foi a melhor trilha de todas dessa temporada. Obrigado por me alegrar no último instante do evento.

PS: Pra quem não sabe, um pexu é o novo um beijo, me liga

A CASA


desfile Simone Nunes inverno 2010

Nessa temporada, o mobiliário físico e sentimental da casa: as franjas das toalhas, as mesas do passado, as correntes dos portões e das cortinas tiveram mais presentes do que nunca nas passarelas do São Paulo Fashion Week.

Em um momento complicado – estético e econômico – da moda nacional, alguns estilistas preferiram ficar em casa, outros preferiram sair dela e por fim, os que retornaram para suas casas (uns seguindo o velho ditado – “o filho pródigo à casa retorna”, isto é, aquele que saiu de casa, depois de ter usado e os recursos que seu pai lhe doou, mas teve que voltar pois ficou sem dinheiro – e outros por necessidade de um reencontro com suas raízes).

Nesse sentido Alexandre Herchcovitch fez um movimento duplo: no feminino saiu de sua casa, apresentando um luxo descomunal nunca visto em sua grife. Reinaldo Lourenço é do mesmo movimento, tentando – mesmo que tateando terreno arriscado – navegar pela espiritualidade. Ronaldo Fraga, Rosa Chá e Osklen também arriscaram e entraram em nova chave. Talvez isso tenha feito termos dificuldades de apreensão de algumas dessas coleções.

Voltando ao Herchcovitch, no masculino, ele fez um movimento inverso, depois de uma coleção sartorial no verão passado, afastada das raízes streetwear, ele retorna com força descomunal a sua antiga linguagem para o masculino: underground e com questões do diálogo masculino e feminino.

Neon e Gloria Coelho ficaram em suas próprias casas, trabalhando sobre o mesmo, na mais moderna estrutura da roupa hoje: quando ela é work in pregress, não acabada. eles trabalham sempre a mesma roupa como o bordado de Penélope da “Odisséia”, algo que nunca tem fim, se repetindo e se renovando aos poucos na repetição, o que no afã pelo “sempre novo” faça que compreendamos menos essas coleções ou as enxergamos como repetitivas.

Essa casa, que é a moda feita no Brasil, parece – com essa movimentação toda dentro dela – ganhar mais vida e diversidade. Mas seu segredos, ainda, nem às paredes confesso. Esse é nosso fado!