Arquivo do mês: outubro 2007

A LÔCA 12 ANOS

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Anibal em raro momento fora do ecritório  

Poucos clubes no mundo já foram tema de um livro. Muito poucos se mantiveram verdadeiramente underground por tanto tempo. E só A Lôca é um clube que os V.I.P.s não são as celebridades e as personalidades da noite e sim quem é eleito por Anibal, o todo poderoso da boate e figura chave e mítica do lugar. São V.I.P.s de um mundo paralelo. Adoro quando ouço as pessoas relatarem sem a mínima vergonha do clichê que não vão à Lôca porque lá tem uma energia muito pesada e carregada. Pois realmente não é um ambiente para amadores. É um lugar específico e único e fazer 12 anos, mantendo as mesmas características é uma façanha numa noite tão “novidadeira” como a de São Paulo.

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Nurse dus infernus by Alisson Gothz 

Para a festa com os DJs Nenê, Pomba, França, Luca Lauri, Julião, Ronald, Edinei e Alemão, e seus sets de acid house, acid techno, classics, electro, electrohouse, hard techno, house, tech-house e techno, o staff estava todo vestido de médico, enfermeiras, enfermeiros e tinha até uma ambulância na porta para a absurda comemoração chamada “Uma Noite de Loucura na UTI” que aconteceu na quarta, dia 24.

E realmente fez todo o sentido pois apenas consegui me recompor pra escrever sobre, hoje, sexta-feira.

Para o sempre sarcástico e inteligente Anibal, o gerente do local, a festa era premonitória pois já dava a dica de onde nos encontraremos nos próximos 12 anos.

Prometi dar apenas uma passadinha que terminou às 8 horas da manhã com o detalhe que entro no trabalho ás 11h30. Como disse o Nenê, outra lenda do undergorund: “culpa do ecritório maldito onde precisa de 4 ou 5 exorcistas pra espantar tanta pomba”. Mas a gente sabe que Anibal dá contra do recado nessa tarefa de expulsar o povo de lá, o que ganha ainda mais pontos dentro do quesito originalidade e desarmonia.

Dizem que tinha ovos, dizem que tinha camiseta, pouco importa, tinha o espírito da Lôca.

E realmente, o espírito da Lôca é Anibal e enquanto ele estiver por lá, a casa vai ser sempre um sanatório geral no melhor sentido.

Salve as locas!

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 eu, Zezé e Victor ( era aniversário do fofo) no meio da noite

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OS OLHOS DA IMPRENSA

Ontem, vi no Jornal da Globo uma estranha matéria sobre o uso da maconha nos campi das universidades de Santa Catarina.Explico o “estranha”:

  1. a matéria tinha um tom de denúncia como se fosse alguma novidade para os jornalistas que estão cansados de saber que muitos estudantes fumam maconha nas universidades. Lembro que de sexta-feira na PUC na década de 80, o patchuli era forte. Sentia-se até no ponto de ônibus o cheiro.
  2. A escolha de uma universidade em Santa Catarina. Por que tão longe do eixo Rio-São Paulo se aqui teriam inúmeras faculdades para fazer essa reportagem e não gastaria tanto com diárias, equipe, etc, etc.
  3. O que se pretendia com essa matéria, já que, a visão demoníaca da erva já não faz muito sentido hoje em dia para boa parte da classe média e a matéria soava antiga com esse tom nefasto.

Mais pra frente entenderemos porque essa matéria tão esdrúxula, pois é claro que o interesse era outro do que a chamada denúncia do uso da maconha por universitários.

Em homenagem ao Jornal da Globo, coloco agora uma mesma história sobre diversos olhares dos órgãos da imprensa.

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A História de Chapeuzinho Vermelho

*JORNAL NACIONAL*
(William Bonner): “Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem…”.
(Fátima Bernardes): “.. Mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia”.

*FANTÁSTICO*
(Glória Maria): “… Que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?”

*CIDADE ALERTA*

(Datena):”… Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades?! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.”

*REVISTA VEJA*
“Lula sabia das intenções do lobo”.

*REVISTA CLÁUDIA*
“Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho”.

*REVISTA NOVA*
“Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama”.

*REVISTA MARIE-CLAIRE*
“Na cama com o lobo e a vovó”.

*FOLHA DE S. PAULO*
Legenda da foto: “Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador”. Na matéria,

box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

*O ESTADO DE S. PAULO*
“Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.”

*ZERO HORA*
“Avó de Chapeuzinho nasceu no RS”.

*AQUI*
“Sangue e tragédia na casa da vovó”.

*REVISTA CARAS *

(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)

Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: “Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa”.

*PLAYBOY*

(Ensaio fotográfico no mês seguinte)
“Veja o que só o lobo viu”.

*REVISTA ISTO É*
“Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.”

*G MAGAZINE*

(Ensaio fotográfico com lenhador)
“Lenhador mostra o machado”

PENSE MODA ESTÁ CHEGANDO

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Você já leu aqui no Dus*****Infernus sobre o Pense Moda.  Agora recebo e-mail de Camila Yahn sobre o evento que vai ser muito bacanae teremos todo o Reino Unido da Moda em um só lugar.

Camila escreveu: 

“Já estão abertas as inscrições para a primeira edição do Pense Moda, seminário
de criação de moda, com palestras e mesas que vão sacudir o mercado.

Entre os convidados estão Gareth Pugh, Lulu Kennedy, Alexandre Herchcovitch, Paulo Borges, Hugo Scott (Marc Jacobs) e ainda mesas de fotografia, styling, direção de criação e novos talentos com os melhores profissionais do Brasil. Todas as informações, programação e ficha de inscrição estão no site oficial.

Preços acessíveis e pacotes especiais para empresas!!”

Serviço:
Pense Moda
Cinemark Iguatemi
5 a 9 de novembro
9h às 12h
www.pensemoda.com.br

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

Os últimos serão Rubinho!

COLUNA DUS INFERNUS NO BLOGVIEW

O que você achou da multa que a Ellus sofreu? Censura? Moralismo? Atentado ao pudor? Exagero publicitário? Dê a sua opinião na minha coluna lá.

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AINDA SOBRE O SADISMO E O FILMEFOBIA

Depois da experiência que descrevi no post sobre minha participação do “Filmefobia”, fiquei com a questão do sadismo muito presente na minha cabeça e me lembrei de imediato de um trecho do livro “Plataforma” do francês Michel Houellebecq.que o casal central da história vai parar em um clube de SM.

Ele escreve:

“… o Bar-bar, dedicado, com exclusividade, desde o princípio às práticas sadomasoquistas, mas sem exigir um dress-code muito estrito – exceto em certas noites –, não parava de ficar lotado desde que abriu. Pelo que eu sabia, o ambiente SM era bastante específico, composto por pessoas que não sentem o menor interesse pelas práticas sexuais comuns e por isso rejeitam uma clássica boate de surubas. […]

A crueldade é antiga no ser humano, já existe nos povos mais primitivos: nas primeiras guerras de clãs, os vencedores tinham o cuidado de conservar vivos alguns prisioneiros para mais tarde matá-los com torturas abomináveis. Esta tendência se repete constantemente na história, e podemos encontrá-la intacta em nossos dias: assim que uma guerra – externa ou civil – tende a apagar as coerções morais cotidianas – e isso seja qual for a raça, a população, a cultura – aparecem seres humanos prontos para desfrutar das alegrias da barbárie e do massacre. Isso é comprovado, permanente, indiscutível, mas nada tem a ver com a busca do prazer sexual – igualmente antiga, igualmente forte.[…]A música que se ouvia no recinto eram acordes extremamente graves de órgão, aos quais se superpunham os berros dos condenados. A amplificação dos baixos era enorme; espalhados por toda parte havia refletores vermelhos, máscaras e instrumentos de tortura pendurados em grades[…]

– Eu aceito a existência de algozes […] que sentem prazer em torturar os outros; o que é demais pra mim são as vítimas. Não consigo aceitar que um ser humano possa preferir o sofrimento ao prazer. […] o que me dá medo é que não há mais nenhum contato físico. Todo mundo usa luvas, todo mundo usa instrumentos. As peles nunca se encostam, não há um beijo, um toque, uma carícia. Para mim é exatamente o contrário da sexualidade […] mas suponho que os adeptos do SM considerem sua práticas como a apoteose da sexualidade, sua forma última. Cada qual fica encerrado na própria pele, plenamente entregue às suas sensações de ser único; é uma maneira de ver as coisas […] Quando não há mais possibilidade de identificação com o outro, a única modalidade que resta é o sofrimento – e a crueldade.”

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De Abu Ghraib à publicidade, os sádicos continuam fortes no mundo contemporãneo, dominando todos os sentimentos.

FOBIAS, CINEMA E JEAN CLAUDE BERNARDET

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Claudinha e Kiko Goifman, Cris Bierrenbach, Hilton Lacerda, Jean-Claude Bernanrdet estão no set agora fazendo segundo imaginam um filme sobre fobias chamado “Filmefobia”.

Hiltinho no blog sobre o filme escreveu:

“Tudo partiu de uma premissa de Jean-Claude Bernardet: a única imagem possível de verdade é a manifestação de um fóbico diante de sua fobia. Que outro momento, diante da banalização das imagens, poderia trazer algo de genuíno? Jean-Claude, intuí, pretende captar uma expressão daquilo que vem de dentro do homem e que se exterioriza de uma forma abstrata e pessoal. Me pergunto: na verdade, isso revela alguma coisa?”
Numa festa conversando com Cris, ela me contou do filme e eu falei que tinha ficado com preguiça de escrever sobre a minha fobia, até porque imaginava eu, não a tinha mais. Tinha recebido um e-mail deles, mas acho que impliquei um pouco e resolvi não escrever. Hoje as pessoas se declaram fóbicas sem realmente o serem, como um modismo da classe média intelectualizada, assim como a tal síndrome do pânico que muita gente adora dizer que tem pelo élan de possuir algo tão up-to-date.

No fim da conversa, Cris amenizou minha implicãncia e dias depois fui convidado a participar. Topei! Oliveros já falou sobre o “Filmefobia” e minha participação no filme e Luigi me escreveu perguntando sobre qual era a minha fobia. Pois bem, eu tenho horror de palhaço. Nunca gostei deles e eles aterrorizaram a minha infância e adolescência em pesadelos constantes.

Muito do que se passou vocês vão poder conferir no filme, acredito, mas tenho um relato pessoal e único desse dia de filmagem, já que no blog, Hiltinho conta a sua visão dos fatos que não coincide com a minha, o que eu acho excelente.

Cheguei na casa que é a locação do filme. Espanto! Era a casa de Cris, Stella e Malu, minhas amigas da época da faculdade de cinema. Conheci a casa sendo barrado em uma das inúmeras festas que elas davam lá. Freqüentei muito aquele lugar cheio de vida. Stella foi uma pessoa fundamental numa época da minha vida (e ainda continua sendo) e tenho uma relação amorosa com suas irmãs e sua mãe também. Muitas coisas vivi naquele lugar ou pelo menos ele simboliza um período muito importante de minha vida, já adulta. Encontrá-la abandonada me encheu de nostalgia e tristeza. Fiquei muito tempo olhando o quintal e tudo parecia tão maior. Tudo estava acabado daquela fase, só restava a memória mesmo. Nada físico tinha restado, ou melhor só uma carcaça do que um dia foi…

Logo me chamaram para uma entrevista que contei sobre a minha fobia e como a superei. Eles sabiam que eu era um ex-fóbico, mas como não acreditando ou precisando de uma personagem mais realista pra cena, pensava eu, resolveram me colocar no olho do furacão.

Depois da entrevista, Kiko e Hilton me explicaram que eu ficaria em um aparelho que mesclaria minha cara com a de um palhaço e que se caso surtasse os procedimentos que deveria tomar. Por fim, me pediram para que no final da cena eu desse um esporro no Jean-Claude, que o desafiasse e o confrontasse.

Nessa hora senti um incômodo. Jean-Claude foi meu mestre que eu desrespeitei e fui punido por isso na faculdade. O começo de uma relação intelectual intensa entre nós foi interrompida pela minha prepotência e pela impaciência dele em nossos confrontos. E bem eu deveria de novo desafiá-lo, passado tantos anos sem vê-lo, nem trocar nenhuma palavra com ele. Aquilo era terrível. Gelei! Kiko falou que Jean-Claude perceberia que era um confronto encenado. Fiquei um pouco menos ansioso!

Durante a experiência, o sentimento da infância voltou, não tão avassalador como era, mas mesmo assim de maneira muito intensa. Hoje não tenho medo de palhaço nem me perturba vê-los em ação, mas ali eu estava de volta aos meus medos. Percebi que eu era ainda fóbico. A fobia nunca sai de você, você apenas a domestifica, a culturaliza.

Essa percepção tive durante a experiência e um pouco estupefato queria falar sobre isso, mas tinha que dar o meu showzinho com o Jean-Claude e uma coisa eu sei, eu sou de cinema então eu me jogo nas proposições da direção.

Comecei a falar meio emocionado, com a respiração forte, pela minha descoberta acusando o Jean-Claude de sádico e perverso pois fazia parte do meu texto. Não estava muito convencido do que estava falando pois estava pasmo com outra coisa, estava apenas cumprindo o meu papel.

Jean-Claude foi feroz, impaciente e arrogante comigo, o que foi ótimo pois não tinha muita força pra dizer o texto que tinha ensaiado. Não conseguia responder muito o que ele me acusava como por exemplo que eu era péssimo ator, que não serviu de nada a minha experiência, etc.

Até que Kiko deu o corta. Respirei aliviado, pois não estava agüentado aquela situação que me foi muito mais aterrorizante que a experiência que tive com o palhaço.

O fato de estar muito emocionado e alterado pela experiência fez com que parte da equipe que não sabia do combinado, acreditasse piamente no meu surto com o Jean-Claude. então que verdade é essa?

Refletindo sobre tudo, percebi que o filme não é só sobre fobia ou sobre a tentativa de achar a verdade ou a dor na imagem dos fóbicos.

É um filme sobre a cultura sádica sim, e Jean-Claude tem que tomar cuidado com a imagem que está criando para si nessas filmagens. Mas dizer isso é reduzir a amplitude do filme. Sim, temos um prazer sádico e voyuer ao vermos imagens violentas, mas o quanto violentas e torturantes elas devem ser para nos mobilizar hoje? Estamos cada vez mais “aculturados” com essas imagens, não apenas pela banalização e repetição de cenas chocantes como as imagens repetidas do carro do Ayrton Senna se chocando na curva da pista ou os aviões penetrando as Torres Gêmeas. Esse crescendo só pode nos fazer acreditar que podemos logo chegar a uma anulação de certos sentimentos.

O filme prova que não, é possível desaculturar certas imagens assim como eu revi e me emocionei com os terríveis palhaços da minha infância. Talvez esse seja um interesse positivo em relação ao sadismo!