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A ORIGEM

O primeiro proprietário desse estrondoso trabalho de Gustave Courbet, o diplomata turco-egípcio Khalil Bey, o escondia atrás de quadros com o mesmo formato. A obra, de um realismo e ao mesmo tempo de uma metafísica extraordinária, ficou proibido ou escondido – protegido – durante anos. Tudo porque ele anuncia e desvenda aquilo que é proibido, escondido e protegido.

O nome “A Origem do Mundo” é tão evidente e direto como seu enquandramento, uma mulher que não vemos o rosto – talvez por pudor -, apenas seu orgão sexual despudorado. Se pensarmos que a origem do mundo também está no ato de – consciente do pecado original – “esconder as vergonhas”, também podemos pensar na origem das roupas.

Em moda, o diálogo entre nudez e roupa é dos mais intensos, e está na essência de muitas marcas e estilos. muito da personalidade de uma pessoa está em como ela sabe lidar com esse jogo entre nudez e pudor. Muito da identidade – seja de uma marca ou de uma pessoa – também está marcada por essa conversa de Adão e Eva.

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CÓPIA COMO AUXÍLIO DE IDENTIDADE, MAS QUAL IDENTIDADE?

Sobre a cópia no Brasil, como escrevi no Blogview, penso que é muito mais um problema de mentalidade do que de criatividade.

É muito comum entre os estudantes de artes plásticas, copiar certos quadros famosos para tentar descobrir como eles superaram certos problemas plásticos na prática. Você vai aos museus e lá estão eles copiando, copiando…

Claro que eles não têm o problema ético de apresentarem o que copiaram como um trabalho autoral: Todos sabem que aquilo que eles fizeram tem apenas o valor de exercício para descobrirem como podem chegar a ter uma expressão pessoal ou não.A moda norte-americana também copiou” ad infinitum” a moda vinda de Paris até descobrir sua possível identidade. Pode ser que nesse exercício de copiar que os brasileiros estão atrelados a descobrir sua verdadeira personalidade fashion.  Mas na moda, a questão nacional é paradoxal. Diferentemente do que nas outras áreas, é complicado entender o conceito de nacional. A moda, em si, se propõe internacionalista. Vejam só a tão falada moda francesa: Balenciaga era espanhol. Yamamoto e Kawakubo são japoneses, Alaïa é tunisiano e Worth e Galliano vieram da Inglaterra só para citar alguns nomes. E é impossível falar da moda em Paris sem falar desses nomes.
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Dona Kawakubo faz moda francesa ou japonesa?