Arquivo do mês: novembro 2007

FELIPE MOROZINI APRESENTA “PEQUENO PENSAMENTO BURGUÊS”

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Na tarde de sábado, dia 1º de dezembro, na Garimpo-Fuxique, em São Paulo, o fotógrafo Felipe Morozini invade outra área e apresenta um trabalho muito bem humorado e criativo.

Eu escrevi o texto da exposição sobre seu trabalho “Pequeno Pensamento Burguês”

“Primeiro vem o toile-de-jouy, que para a editora de moda Gilda Chataignier em seu livro “Fio a Fio”, é um “tecido de algodão pesado, de alta qualidade, originário do século 18, servindo para cortinas, bandeaux, colchas, forração de móveis e também hoje, o hype em matéria de novidade para roupas em Paris. O fundo é branco e caracteriza-se pelas estampas campestres, bucólicas, em geral com casal em idílico entre plantas, flores, carneiros, etc.” Foi o tecido escolhido pela rainha Maria Antonieta, uma fashionista pela própria natureza, para decorar seu palácio, já que o sistema de impressão foi desenvolvido em Jouy-en Jousas, local próximo a Versalhes, onde a corte francesa na época vivia. De alguma forma, o toile-de-jouy está associado já em seu nascimento a uma elegância decadente.

Depois vem o bordado, que é a construção de figuras e ornamentos em um tecido através de agulha e linha. O bordado costura o arquétipo da esperança (a personagem de Penélope na “Odisséia” prometeu aos seus pretendentes que ao terminar um bordado ela se casaria com um deles, mas na esperança que Ulisses, seu marido, voltasse algum dia, ela desfazia o bordado durante a madrugada).

Por fim tem a ironia, o riso desconcertante e verdadeiro, o nonsense de situações onde “a alegria é a prova dos 9”. Essa alegria do absurdo que é tão nosso, tão brasileiro e que fundem Nelson Rodrigues e Oswald de Andrade.

È assim que Felipe Morozini apresenta seu novo trabalho: “Pequeno Pensamento Burguês”. Ele mixa elegância decadente, esperança e humor criando um significado único nesse embate de idéias. Em uma ação contemporânea, ele revitaliza o toile-de-jouy através de intervenções de frases, objetos e contornos bordados.

Na verdade, seu trabalho revitaliza o pensamento antropofágico. Felipe ingeri informações e as devolve em suaves bordados, sobre essa estampa tão bucólica, mas o resultado é enérgico como uma banda de punk rock, vital como os impulsos sexuais e de uma ironia nonsense tão ligado ao modo de ser brasileiro.

E em um ato típico de uma pessoa do Novo Mundo, Felipe não se amarra às tradições e faz o tecido decorativo transformar-se na imagem de objeto de arte, na forma de pequenos quadros. Assim, suas novas construções, resultado do tecido, da interferência e da idéia, ganham novo destaque (esperança) nas paredes onde antes eram apenas objetos ornamentais (elegância decadente) sem esquecer do riso jamais. Um pensamento nada burguês!”

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CASA DOS CRIADORES: POR UM JORNALISMO LIVRE E NEGLIGENTE

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Uma das coisas que mais amo no filme “Prêt-à-porter” do Robert Altman é que dois jornalistas vividos por Julia Roberts e Tim Robbins são escalados para ver os desfiles em Paris e acabam cobrindo o evento pela televisão pois preferem viver um tórrido romance no quarto do hotel. Penso também na cobertura que muitos blogs fazem da cobertura internacional através das fotos do style.com.

No dois casos, um purista pode achar que isso é algo absurdo e que o trabalho sai diminuto por não estar lá, in loco, no calor da hora e em parte eles têm muita razão. Mas também o outsider pode ter um olhar diferenciado e menos comprometido com as relações que fizeram os jornalistas que conseguiram entrar na sala de desfile. Já li coisas incríveis de gente que “assistiu” o desfile pelas fotos. No fundo tudo se trata de uma questão de ponto de vista.

Posto isso, vou assumir logo daqui que eu cheguei atrasado no último dia de desfiles da Casa de Criadores e fiz a Oficina de Estilo, isso é, assisti os 3 últimos do backstage.

Mas fiz melhor, ou pior, depende do ponto de vista. Perguntei para os meus colegas de moda o que eles acharam. Eis as frases:

“Foi o pior dos dias”.

“Existia uma vontade kitsch no ar”

“Menos idéia mais alfaiataria”

“Eu adorei um marca, as outras foram só risos”

“Hoje estava mais para criaturas do que pra criadores”

“Vai de retrô, satanás”

“Elas estão começando a andar com suas próprias pernas”

“Que mulher é essa!”

“Talvez eu tenha visto o primeiro trench coat brasileiro”

“O Ivan Aguilar foi o melhor”

“Acho que ele pecou no vinil, no sintético…Aquilo era feio”

“Marcelu Ferraz me surpreendeu positivamente”

“Ele ainda está no limite entre o figurinista e o estilista”

“Era uma confusão de Oriente. Oriente-se, rapaz!”

“Inventividade pura, mas o nonsense vem até na hora de escolher os tecidos”

“Eu olho muito pra bainha e esse lance de fazer bainha em seda é complicado. Ninguém aqui é Alber Elbaz!”

“Um teatro triste”

“Uma roupa para todas as mulheres, democrática, mas ainda não vi ninguém com elas”

“O que importa é a performance”

Com base nessas frases eu escreveria que:

As duas primeiras marcas, Athria Gomes e Ianire Soraluze, abusaram do retrô que deveriam deixar guardao no passado e apostar no futuro delas como criadoras de moda e procurarem encontrar pra que mulher elas desenham suas roupas.

Ivan Aguilar acerta em novas peças, fez um desfile certeiro, mas errou nos tecidos tecnológicos de algumas peças, mas cada vez mais mostra vigor e novidades em suas construções

Marcelu Ferraz deixa o desenho de figurino, mas não por completo, mas dá um bom passo para aquilo que chamamos de fashion. Ele começa a orientar a sua moda.

Já P´tit agrada com a performance, mas tem que cuidar melhor do acabamento de algumas peças.

Será que faria feio? Será que escrevi algum disparate? Foram apenas muitos pontos de vista filtrados pelo meu.

CASA DE CRIADORES: O INFERNO SÃO OS OUTROS

Tudo começou no primeiro dia, logo no início. A intervenção/performance do Tudi Confusi não conseguiu se apresentar na abertura por problemas técnicos. André Hidalgo, o idealizador da Casa de Criadores, não se fez de rogado e no microfone falou que: “o problema era da mesa de som… DELES”, isto é, da marca.

Estava dada a largada para o “esse não é problema meu” que ganhou corpo e modelagem no 2º dia.

Começando pelo projeto L.A.B. que os fashionistas podem dizer que o problema é a falta de cuidado com o acabamento e os próprios designers reclamarem que a falta está na péssima educação de moda no país. Valêncio que é uma mulher fez um excelente exercício de exploração das possibilidades da alfaiataria, que para alguns é experimental demais e comercial de menos, um problema para esses alguns.

Tem também o Weider Silveiro que também acertou em cheio na alfaiataria das calças e bermudas, mas para muitos, as Brazil’s Next Top Model na passarela foi problema e algo dispensável, para outros foi uma solução para desviar atenção e apagar alguns looks mais fracos.

Já o talento de Rober Dognani foi muito criticado pelos especialistas de beleza por ter um make muito colado ao da última coleção da Dior. E muitos criticaram que por causa disso os críticos dessa área enxergaram que o desfile era completamente John Galliano para a marca forte. Um problema de detalhe que ganha inadvertidamente o todo.

A fofa estréia da Prints I Like teve o problema de faltar prints e deles serem um pouco mais ousados, ou seria porque faltou grana mesmo? Cada um fez sua aposta.

João Pimenta apresentou uma coleção coesa, inteira e seu crescimento cada vez aponta para uma possível saída do evento, para alçar viagens mais longes que a Nova Zelândia, um problema para o evento que tem como alegria e desgraça o papel materno de criar e jogar no mundo.

No fim, os problemas são de todos, de todos mesmo, fashionistas, críticos, editores, maquiadores, modelos, fotógrafos, estilistas, stylist, assessores, etc. Não adianta mais esse discurso que o inferno são os outros. E eu sou Dus Infernus!

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Ronalda, eu nunca te vi no Hell’s”

Luigi escreveu sobre o L.A.B. e os desfiles do segundo dia assim como as meninas do Oficina que com um olhar super generoso resolvem muitos problemas para o dia a dia da mulher que quer ser minimamente bem vestida a partir de peças de todos os estilistas que se apresentaram no segundo dia. Além disso, elas falam da presença das Brazil’s no evento.

Oliveros faz uma crítica pertinente ao evento e uma crítica amorosa a coleção de João Pimenta.

E eu peço e ninguém participa, a enquete fashion ainda está rolando!

CASA DE CRIADORES: QUAL É A SUA IMAGEM?

Um evento como a Semana de Moda Casa dos Criadores é sempre instigante, pois mais do que surgir uma imagem de uma marca ou de uma coleção, é possível ver surgir “A” imagem de um estilista ou o embrião daquilo que será depois chamado pelos fashionistas como o tal do DNA da marca.

Então é fascinante perceber que a Ash, em sua segunda coleção para o evento, já traz sinais que parecem moldar a sua personalidade fashion. O confronto do grafite de cores abertas com a alfaiataria de cores mais fechadas é uma das chaves e podemos prever boas surpresas nesse embate para esta e outras coleções. E nessa coleção, em especial, teve também a bela luta animal entre a luz (xadrezes e fluo) e a sombra (as lavagens nos jeans).

Se Gustavo Silvestre fez uma belíssima performance na edição do hotel Renaissence na Casa de Criadores de 2006, dessa vez, foi a atitude de abandono da passarela que fez os nossos olhares abandonarem suas tão belas construções. Com certeza, um dos trabalhos mais sensíveis de Silvestre, mas que a forma de apresentação prejudicou e muito a apreciação. Aquele rebuscamento e delicadeza das roupas não combinavam com o empurra- empurra que se tornou a entrada da sala e depois a própria visita aos modelos. E esse pode ser um caso fatal para a imagem de uma marca.

Assim como Thiago Marcon que sabe do riscado, faz bem feito e com bom acabamento as suas peças, mas as estampas do Maurício de Souza mesmo em uma escala menor, as infantilizam. Será essa a proposta de Thiago e seu DNA? Cada desfile dele podemos perceber que desenho ele pretende para a sua marca. Todas as suas coleções apresentadas até aqui, a imagem de sua mulher era de alguém muitíssimo jovem, parece que agora ela cresceu um pouco. Como ela lidará com essas estampas nas próximas coleções?

A Diva e a imagem que ficou dela é de uma confusão de sentidos. Não entendi mesmo, até porque não conhecia nada sobre essa marca e mesmo nesse rococó dus infernus, consegui gostar de inúmeras peças. Uma boa limpeza conceitual melhoria muito o desfile. Muitas vezes o excesso significa insegurança.

O que não é o caso de Walério Araújo onde o excesso leva ao palácio da sabedoria e foi nesse exato local que ele nos transportou durante o tempo de seu desfile. Tinha sabedoria ao mixar o carnaval de Veneza com o brasileiro, elegância e sexo, duplas personalidades com seus trompe l’oiel. E mais que todos, o nosso Galliano aguarda sempre o melhor para o final. Ao entrar no ritmo e na cadência de duas escandalosas passistas de escola de samba, Walério novamente leva o público ao delírio. Ele sabe que, assim como o estilista inglês, boa parte da imagem de sua marca, está concentrada nessa entrada final. E nunca nos decepciona.  

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O Oliveros fez uma cobertura luxo do primerio dia. Tipo falou de quem foi no primeiro dia, fez entrevista com o Guil da Ash e com o Walério, e fez crítica dos desfiles das marcas do Gustavo Silvestre, Ash e Walério Araújo.

Já as meninas da Oficina de Estilo falaram de looks usáveis na vida real que apareceram no primeiro dia direto do backstage.

O Luigi fez críticas e comentários sobre cada marca que desfilou no primeiro dia (Ash, Thiago Marcon, Gustavo Silvestre e Walério Araújo) além de comentar a incrível exposição de fotos.

E eu peço a você, coleguinha fashionista que acompanha esse humilde blog, que participe da nossa enquete.

ENQUETE FASHION

Em tempos de Semana de Moda Casa dos Criadores, o Dus*****Infernus lança a enquete:

Você é mais Arthur Caliman ou Rogério Figueiredo? 

Responda sem medo! Não faça o blasé e assuma uma posição tipo Roberto ou Erasmo, Marlene ou Emilinha, Deus ou o Diabo…   

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Por enquanto tá assim: 

Arthur Caliman:

Vitor Angelo  

Fernanda Resende

Rogério Figueiredo:

Ricardo Oliveros 

Cris Gabrielli

SIGUR RÓS E A HOMOSSEXUALIDADE JUVENIL

Quem me mandou esse vídeo foi o Nucool pra provar que a mona torce o rabo já cedinho.

 

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

CPMF ultimamente significa: “Cuenda a Presidente Mendigando Favores”