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ONDA CHANEL – OU SERÁ TSUNAMI?

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Uma avalanche de Coco… Chanel está invadindo as telas nesse ano. Tem a misteriosa relação entre Chanel e o também genial Stravinsky, em “Coco & Igor” de Jan Kounen. E também “Coco antes de Chanel”, filme de Anne Fontaine protagonizado pela atriz Audrey Tatou. Pensar que o cinema em pouquíssimo tempo se debruçou duas vezes – coisa incomum – sobre a persona de Chanel é pensar a dimensão de imagem dessa mulher.
Mas eu prefiro a autêntica, a que criou uma ficção pra si, nervosa, de opinões fortes, sempre fumando e ereta.
A imagem abaixo, em seu famoso apartamento na rue Cambon, longe das convenções que se formaram na televisão (delícia essa pré-história!!!) começa com uma imagem distante dela para se aproximar depois em um plano mais fechado, mas Chanel continua no nosso imaginário tão ereta quanto no plano anterior. Ao final entendemos que uma certa retidão (uma metáfora para sua forma ereta) que emana de seu corpo talvez seja um dos segredos de seu mito continuar de pé até hoje. Tão firme que nenhuma avalanche derruba.

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O TALISMÃ E A RELAÇÃO AMOROSA ENTRE ESTILISTA E MODELO

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Penso com interesse na exposição “Muse: Embodying Moda” que acontecerá entre 6 de maio e 9 de agosto desse ano no Costume Institute of The Metropolitan Museum of Art. Leio que a exposição irá “explorar a relação recíproca entre a alta moda e a evolução dos ideais de beleza, e incidirá sobre as icônicas modelos do século 20 e seus papéis na projeção e, por vezes, inspiração na moda das respectivas épocas”. Mas muito mais que os ideais de beleza, não consigo parar de pensar na relação amorosa entre os criadores e suas musas. E, com certeza, o papel das modelos como musas dos estilistas faz parte talvez da relação mais intensa e rica do mundo da moda.
E quando falo de amor, não estou sendo metafórico. Charles Frederick Worth, o pai da alta-costura, ao construir, ou melhor, evidenciar a creolina, ele usa uma vendedora da mesma loja que trabalhava para demonstrar sua criação. Marie Vernet é considerada por muitos a primeira modelo da história e não à toa acabaria por se tornar sua esposa.
Um pouco mais tarde Paul Poiret tem em sua mulher Denise, a sua musa e modelo de suas idéias de uma nova mulher. O estilista declarou: “Minha mulher é a inspiração para todas as minhas criações, ela é a expressão de todos os meus ideais”.
Coco Chanel teve entre suas preferidas a modelo norte-americana Suzy Parker, na década de 50. Ela era considerada o rosto Chanel por excelência. Foram muito próximas e confidentes e boatos dizem que as duas chegaram a ser amantes.
Muitas vezes o lance é genético, assim como Maxime de la Falaise foi musa de Elsa Schiaparelli, sua filha LouLou de la Falaise foi o modelo ideal durante 3 décadas de Yves Saint Laurent. Paixão geracional!
Mas nem sempre a relação acaba de forma amistosa. Durante anos Inès de la Fressange foi para Karl Lagerfeld a mulher Chanel. Mas a partir do momento que Inès decidiu, no final dos anos 80, posar de peitos nus como Marianne, um dos símbolos da pátria francesa, Lagerfeld reagiu igual a um marido enciumado e rompeu com a modelo achando a atitude dela “vulgar, provinciana e burguesa”.
Hoje, como o amor se pulverizou em uma certa promiscuidade do desejo, vemos muito dessa atitude refletida nas passarelas. A cada momento os estilistas elegem suas musas para depois descartá-las. Ora tal é a queridinha ora outra é o rosto da marca e assim por diante. Parecem que os estilistas não mais amam suas modelos, apenas se apaixonam e ou então como se diz hoje, apenas “ficam” (assim como os adolescentes) com elas por uma temporada.
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Então a cada temporada, aqui no Brasil, meu coração palpita ao ver dois estilistas seguirem firmes com suas musas por mais de uma década em uma prova que mesmo com todo o império das paixões e do desejo, o amor ainda tem espaço na moda e na vida das pessoas. Com a fidelidade digna do romantismo da século 19, Marcelo Sommer ainda entra abraçado com Luciana Curtis e Alexandre Herchcovitch sempre está de mãos dadas com Geanine Marques. Elas iluminam o final do desfile desses dois estilistas como um talismã: um talismã que mais do que indicar sorte, fala a fundo sobre a relações humanas.
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