Arquivo do mês: agosto 2008

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

A mentira tem perna direita de Roberto Carlos!

DUS INFERNUS NO GREENPROJECT: HIPSTERS

Ser ou não ser hipster, eis a questão!

FLAVIA LHACER E SEU ARCO-ÍRIS


Flavia Lhacer é uma pessoa que eu estou sempre de olho, a acho muito talentosa. Já trabalhou com Karlla Girotto, Rita Wainer, Patrícia Grejanin, Thais Moll. Enfim, é uma pessoa sempre atenta ao mundo da moda tanto que… decidiu abrir uma loja, mas não de roupa e sim de comportamento, que inaugura nesse sábado dia 30, a partir das 15 horas.
Formada em Artes Plásticas, ela também estudou música. Talvez isso explique ela entender moda como algo além da roupa. Flavia entende moda como imagem e isso é fundamental. “Desde o processo de criação de uma coleção até observar o produto na rua ou nos editoriais e como as pessoas se comportam com ele é o que me interessa. Acho as interpretações fascinantes, a vontade de se fantasiar dos diferentes personagens que moram na gente e como tudo se expressa no dia a dia”, diz Flavia para Dus*****Infernus.

A seguir 3 perguntas sobre sua nova iniciativa:

Como surgiu a idéia de abrir uma loja?
Inicialmente foi de unir todos meus interesses em um negócio. Fiz uma viagem para Buenos Aires e vi tantos empreendimentos pequenos, charmosos e bem sucedidos que me deu motivação para começar minha história. Como consumidora compulsiva de livros, revistas e tranqueiras de criança-adulta, a idéia se formou na hora; lembrei que tinha uma lojinha para alugar na galeria do brechó Juisi e liguei para a Simone lá de Buenos Aires mesmo…. minha Mama me ajudou a correr atrás de tudo e 2 meses depois aqui estou.

O que é a Rainbow Room?
A Rainbow é uma loja de livros especializados em temas como Moda, Música, Arte, Pornô, Quadrinhos e outros mimos para consumir. As pessoas que entram aqui dizem que é uma loja encantada, acho fofo. Fica em uma galeria nos Jardins que é diferente das galerias velhas e datadas daqui. Tem uma ar diferente, com um café ótimo, um brechó único e futuramente uma
loja de lingerie 50’s da Patricia Grejanin.

O que a gente vai encontrar lá?
Tudo para encantar os olhos. Livros importados e nacionais, Gibis antigos, Papelaria, Objetos, Posters, um pequeno Sebo e sempre uma trilha sonora ótima.

SOBRE OS OBJETIVOS DA MODA DE RUA


como reconhecer o indivíduo na massa
Quando fiz a matéria para o Uol sobre moda de rua, uma leitora escreveu:
“Na reportagem ‘Moda de Rua: Transportes Públicos’, todas as legendas são um grande erro.
O tema é realmente interessante e pode render fotos muito boas, mas o fato é que se em geral, neste tipo de divulgação, informa-se a marca da roupa que a pessoa está usando (para o caso de alguém se interessar), quando não há marca para informar, seja por não existir ou por não lembrarem em que loja do Brás a peça foi comprada, é desnecessário informar simplesmente que ela foi comprada no Brás, por exemplo. Não acrescenta grande coisa para ninguém, além de beirar o deboche. Publicar uma legenda que diz “A saia que a Edileuza comprou na lojinha de uma vizinha na Zona Leste já veio com a faixa”, se não é deboche, é pura incompetência”.

Bom, para mim, moda de rua nunca é um serviço como um editorial, até porque ele tem camadas de antropologia, sociologia e história que estão acima da idéia de prestadora de serviço – não que um editorial não tenha, mas de maneira muito, mas muito mais tênue. O que está em jogo, na minha opinião, na moda de rua é como se constrói um estilo, então seria desnescessário dizer a marca ou o local que comprou tal peça porque o que importa é como ela conjugou as peças pra montar um look só seu. Não existe nada mais sem estilo que as fashion victims, o estilo deve procurar refletir a individualidade, então cada um no seu quadrado, cada um com seu estilo. Seria contra meu conceito de moda de rua, se a pessoa ver uma peça e fizer igual a foto – apesar de poder, é claro. Moda de rua é muito mais como um caderno inspiracional, pra nos motivar a nos vestir como um reflexo do que somos ou do que queremos ser. No caso, o fato de colocar a loja da vizinha na legenda foi muito mais uma estratégia pra demonstrar que não precisa comprar na Daslu ou na Oscar Freire pra fazer um bom look, sim foi um deboche, mas não com Edileuza.
O que vocês acham?

MODA DE RUA E O LENÇO PALESTINO

A mitificação na moda, ou o que muitos adoram chamar de falta de informação COMPLETA é um problema que todos sofremos na moda – revistas, jornais, sites -, inclusive esse blogueiro. Mas contra isso é importante o estudo, as fontes e o olhar INDEPENDENTE e apurado.

Vendo o GNT Fashion dessa semana, Mariana Weickert faz uma boa matéria sobre os lenços palestinos. Apesar de estarem já pra fora dos esquadros dos fashionistas que os consideram last season – assim como a calça skinny -, o lenço ainda domina as ruas do país, então a pauta tinha muita pertinência. Não só por entrevistar Giselle Nasser que fez um excelente apanhando histórico do acessório, usado na cabeça pelos camponeses da Palestina pra se protegerem do sol e depois como símbolo da luta pela libertação de seu povo, que continua sobre às ordens dos israelenses até hoje. Nem também por escutar Alexandre Herchcovitch que em sua última excelente coleção masculina fez uma releitura desses lenços em forma de bandeiras de países em conflito e o mais fantástico: reinvindicando o uso do lenço pra ele, judeu de formação e religião.

Balenciaga: étnico e street
Mas o x da questão ou a mistificação foi reinvindicar pra Balenciaga na matéria (coisa que muitos fashionistas já cometeram esse mesmo erro) e sua mais importante coleção de todos os tempos – sob o comando de Ghesquière – na minha opinião (a coleção que mixou etnia e cultura de rua legitimando a etnia não como exotismo exatamente por o estilista francês enxergar o streetwear como algo maior que a moda de rua de Londres ou Nova York), o fato dos lenços terem ganhado as ruas.
Quem vai a Europa, principalmente nos países latinos como Espanha, Itália e França, enxerga desde os anos 80 esses lenços nos pescoços dos jovens e não na cabeça exatamente como releu a grife. Primeiro era item básico de todo universitário, estudantes de esquerda e intelectuais, algo que digamos que na Europa tem uma certa representação. E foi artigo dos neo-punks, skatistas e muitas tribos jovens. Nicolas Ghesquière e sua genial styling Marie-Amelié Suavé apenas olharam para as ruas e pegaram um acessório que para o parisiense comum já era um clássico.
Enfim, era um objeto criado nas ruas urbanas de algumas cidades da Europa que ganhou as passarelas e voltou pras ruas. E não um objeto das passarelas que ganhou as ruas. E se pensarmos bem, com a coleção de Alexandre para o verão 2009, ele volta pras passarelas novamente.

Ao colocar um ícone político como item fashion podemos pensar que o seu conteúdo foi esvaziado – até porque a atitude de mitificação por parte do mundo fashion e dos que seguem tendências contribuem para esse esvaziamento – mas porém com certeza nessa operação podemos perceber uma mudança. Tirou-se o mofo desse ícone e o revitalizou em outro status sem perder de todo sua característica simbólica a tornando nova. É algo a se pensar o fato de um judeu querer ter um lenço que antes lhe parecia ofensivo.

Alexandre masculino: lenços da paz

DUS INFERNUS NO GREENPROJECT: SCUPPIES

Você é um scuppie? Saiba a resposta aqui.

ABRAVANATION SOON

O artista plástico Rick Castro acaba de postar seu mais recente vídeo: “Super Rick Soon” no YouTube. Nele, Rick escreve que é “um trecho do vídeo […] que mostra o super herói RICK, vindo do mundo violeta, usando seus poderes de brilho e luz para salvar o mundo”.
A questão da cor é central nas artes plásticas brasileiras. Veja o caso Tarsila e seu status adquirido pelo uso das cores fortes e sempre em primeiro plano assim como todo o modo espartano que os concretistas tratavam a cor proibindo o uso de certos tons. O trabalho de Hélio Oiticica, hoje talvez o artista mais influente para uma nova geração, teve todo o seu percurso ligado a esse elemento, é só pensarmos que o parangolé, antes de ser um objeto de vestir, ou roupa mesmo (por que odeio esse puritanismo de escrita de curador) é também ao mesmo tempo o ato de liberar a cor para o movimento fora do quadro.
De certa forma Ricky, a Abravanation, A.V.A.F. e também a Neon na moda com Dudu Bertholini e Rita Comparato continuam esse trabalho tão caro à tradição visual brasileira.