Arquivo do mês: janeiro 2009

LENDAS FASHION

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Não existe só gente alienada no mundo da moda!

A MODA E O MARKETING DE MODA

Como disse em uma recente palestra para uma turma ótima e interessada e inquieta no IED, Instituto Europeu de Design, as semanas de moda hoje se tornaram verdadeira e profundamente semanas de marketing de moda. Como não temos marcas realmente fortes como Chanel ou Dior que o marketing é em torno delas mesmos, as marcas apelam pelos patrocínios e ações de marchandising que muitas vezes ficam a desejar.
Entendendo que o marketing é o estudo que avalia e planeja a melhor maneira de comunicar e vender um determinado produto, vimos duas lamentáveis intervenções de um produto inserido em um desfile de marca.
Dois importantes designers de moda, Gloria Coelho e André Lima, tiveram a infeliz inserção de produtos em suas coleções que diziam muito pouco sobre o desfile que seria apresentado.
Pensando que um desfile é uma narrativa, e que eles nos conta uma idéia atrás da sequência de looks que são exibidos na passarela, a solução que ambos deram para a mostrar um produto que nada dizia ou dialogava com a coleção até que foi a menos pior, mas não podemos dizer que não foi desastrosa para a questão de imagem e narrativa. É importante ressaltar que a inserção de um produto em um desfile é feita de muitas formas e em todo o mundo, mas em geral as que dão mais certo são feitas de forma menos ostensivas e mais inseridas com a imagem que a coleção quer passar.
Gloria Coelho anunciou que antes do desfile “oficial”, assistíriamos outro que divulgaria os uniformes que a estilsita criou pro Hotel Mercure. Depois de uns 5 ou 6 looks senão me engano entra a coleção. Existia algo da alfaiataria ali nos uniformes que também estava presente na coleção “oficial”, mas como uma mixagem ruim, a imagem de um todo foi prejudicada pois a primeira imagem de sua coleção eram uniformes que tinham pouco a ver com a narrativa da coleção, mas tinham a alta carga de identidade que a estilista imprime em suas roupas. Enfim, a confusão estava formada em nome de uma promiscuidade entre produto e imagem.
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André Lima por sua vez escolheu uma espécie de dramatização – elemento presente e intríseco em suas roupas – para apresentar seu merchandising-patrocinador, criou um vaudeville muito ruim. Fernanda Motta aparece na passarela, sem anúncio, com um sorvete e desfile até o pit dos fotógrafos. Era uma propaganda do novo sorvete Magnum. Depois de caras e bocas, senta na primeria fila. Seu desfile começou logo na sequência e teve o drama nos penteados e no grau de construção dos vestidos de festa perturbado por uma primeira dramatização canhestra, quase piriguete da apresentadora do Brazil`s Next Top Model. Fez uma coleção bela mas eclipsada por um sorvete de chocolate.
Acho importante a ação de outros produtos na moda pois no nosso país temos pouquíssimas marcas que podem sobreviver com a apresentação de seu próprio produto, mas mais importante ainda é estilistas e o marketing entenderem como uma ação deve ser feita e até que ponto ele deve ir para não corromper a apresentação de outro produto-imagem: A criação de uma marca de moda pois afinal é por esse e para esse produto que estamos ali.

LENDAS FASHION

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Dizem que o povo da moda é tudo mascarado…

POR QUE TANTA SEMANA DE MODA NO MUNDO?

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Depois de conhecer a semana de moda de prêt-à-porter em Paris, voltei muito inquieto por constatar que a Moda – o sistema, a lógica e a realidade – pouco se encaixavam naquilo tudo que via. Temos uma sensação mentirosa – fruto da época que os desfiles de couture difundiam realmente o que deveria ser usado por todo mundo – que o que vemos em uma semana de moda realmente dialoga direto com a realidade de moda e que a influencia. Diálogo existe, mas em outra escala.
Hoje uma semana de moda tem mais um sentido publicitário de divulgar outros assuntos além-moda. E ela entrou no calendário cultural de diversas cidades – como existe semana de moda no mundo! – muito mais pelo caráter marqueteiro do que pela valorização da moda. Mesmo a moda ganhando um certo status cultural no mundo de hoje, ainda é vista como assunto de segundo ou terceiro escalão.
Claro que como disse o crítico literário Alcir Pécora para Alcino Leite: “A moda hoje é o que foi a música nos anos 60”. E pode parecer exagerado mas, no sentido publicitário, faz todo o sentido. O alcance que a moda tem de projeção de algo que está fora dela hoje foi o mesmo que a música pop teve nos anos 60. Então usa-se a moda para difundir objetos que estão em sua órbita como comportamento, design, luxo.
Enfim, o que quero dizer é que numa semana de moda existe muito pouca moda. Pareço cada dia entender melhor o que Mario Mendes um dia me disse que a moda realmente fazia todo o sentido nos desfiles de alta-costura.
Quando algo como a calça skinny ou o lenço palestino realmente ganham as ruas através da passarela – sim, o caso do lenço palestino é polêmico – parece que os estilistas marcaram um gol quase no fim do segundo tempo, mas no fundo foi a indústria que levemente se impôs. Talvez não seja à toa que uma estilista do porte de Clô Orozco diz hoje preferir ir no Premiere Vision – uma das mais importantes feiras de tecido do mundo – a assistir os desfiles da temporada.

PS: Exatamente por algumas dessas razões, a outra é de tentar historicizar minimamente uma marca que ainda durante esse mês e o outro escreverei no blog resenhas de coleções que desfilaram na SPFW. Quero me debruçar com mais prudência, sem o imediatismo do jornalismo e os holofotes de um espetáculo que a moda finge ser a atriz principal como fiz com um texto que muito prazer me deu, pois foi no solo do tempo e do passar do tempo que finalmente entendi a coleção de verão 2009 de Herchcovitch às portas de iniciar o seu inverno.

A MAGIA CIGANA DE TODOS NÓS

Já me perguntaram o que é magia cigana. Posso dizer que tem babados, ouro, brilho, saias rodadas, acessórios poderosos, cores, lenços, cabelón – mesmo que imaginário -, previsões, portunhol selvaje, mãos que se posicionam para cima, mistério, atitude.
Não sei bem descrever em palavras, então deixo dois momentos misteriosos e mágicos de imagens em movimento que como todo bom cigano é sempre nômade.


quebra tudo!


baiano = cigano

MAGIA CIGANA SALVA TEMPORADA DE INFERNO OPS INVERNO DA SPFW

Todo mundo faz esses balanços da temporada (melhor, pior, tendencinha), é o que todo mundo espera ler no final de cada semana de moda, mas o que eu esperei aconteceu muito pouco, pelo menos nas passarelas: Magia Cigana.
E quando ela acontecia, ela salvava meu dia. Tudo bem que nos corredores da Bienal a magia cigana correu solta, ainda mais com Jorge Wakabara e Jana Rosa a.k.a. Janessa perto de mim.
Realmente, os estilistas deveriam olhar mais pro ciganismo que existe dentro deles e garanto que não deve ser pouco não!

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Christine Yufon é só magia cigana

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Quando a Ellus, no caso a 2nd Floor, olha mais pro local onde fica a fábrica da marca, perto do Largo 13 = pura magia cigana, tudo fica melhor

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Fabia, a cigana leu o seu destino…

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… e era só sucesso como o das meninas da Amapô

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Seja cigana até pra casar

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Seja cigana mesmo sendo beelionária da couture

PS: eis aqui os ícones do ciganismo:
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Rórrhre e…
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e Janessal que sabem o quanto tem de ciganice em Betty Boop e Carmen Miranda!

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

[por Antonio Farinacci na persona de Tony Toy, autor de marchinhas contemporâneas de carnaval]
Bar Secreto
Bar Secreto
Num endereço que todo mundo sabe

AMAPÔ ALEGRA O NOSSO DIA COM UMA NOVA ELEGÂNCIA INFORMAL

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Tava tudo tão triste nesse inverno, tudo tão sem energia e fúria até que chegou o último dia e finalmente as cores vivas voltaram a fazer a nossa festa no SPFW. E fazer mais sentido para uma moda que quer sua identidade mas ainda cópia as tendências interancionais pra se sentir confortavelmente globalizada, mas que no fundo ainda é o bom e velho colonialismo. O preto – na quantidade avassaladora apresentada nas passarelas do evento – faz pouco sentido no nosso país, não que ele deva ser excluído, peloamor de jeito nenhum, – o pretinho além de básico, é um clássico – mas essa avalanche de roupas de velório estava desesperadora. Chegou um momento que eu já pensava brincado ao ver os vestidos negros passando na minha frente: Esse eu vou no enterro do Niemeyer, esse eu vou no velório da Hebe, esse eu vou pra minha própria cremação…
Que alegria ver uma marca jovem já com tanto estilo e caráter. E foi essa espontaneidade que fez a moda de Carol Gold e Pitty Taliani, sempre cheia de estampas incríveis e vibrantes – e que se repetiu nessa coleção – contribuir para uma questão importante na moda e principalmente na moda feita no Brasil: o trânsito da elegância na moda formal para a moda informal. E o recado que ficou: é na informalidade que está uma nova elegância. E sim, faz muito sentido no nosso país, assim como a informalidade cool das Havaianas, o nosso produto mais exportado e desejado.
Pessoalmente uma das coisas que mais me encantaram foi elas se aproximarem da alfaiataria e darem exemplos daquilo que eu tanto almejo para a moda masculina, uma alfaiataria à serviço do streetwear que é muito mais a cara dos nossos tempos. Como já disse, o terno pra mim é o espartilho do homem contemporâneo. Veja que alegria dos executivos em momentos mais descontraídos como os happy hours desabotoando o colarinho, sibundo a gravata pra cabeça e tirando o blazer como se tivessem arrebentando uma algema. Essa imagem do happy hour nos causa um certo arrepio pelo gosto duvidoso dos executivos se “enselvajarem”, mas na rave da Amapô não tem lama certa, o resultado é inusitadamente brilhante no diálogo entre a roupa formal e informal no nosso país.
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O raver-emo-punk recorta o terno de seu pai, ou opta pela informalidade do jeans em alfaiatarria pra sentir-se mais confortável nessa grande novidade que as estilistas nos apresentam: uma subversão do status da alfaiataria como só o hedonismo e no underground são capazes de fazer.
Amapô é só sucesso!
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MELISSA DEPEYRE, A NOSSA CARMEN MIRANDA, FAZ ANIVERSÁRIO

Ela é linda como modelo (ela já foi modelo) , ela é cheia de atitude como uma verdadeira fashionista (ela é fashionista), ela é estilista também, hostess, dona, junto com seu marido Julien, da loja Oui e é sempre uma delícia chegar no estressante SPFW e ser recebido com seu sorriso e para os mais íntimos com seu pajubá forte.
Nessa temporada, ela realmente carmen mirandou-se para todos nós em grande estilo, deixando muita racha tirando um filho com um olhar. E vamo que vamo, Brasil!
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o que é que a Melissa tem?
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alô, alô, responde!
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esperando o general da banda ee
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Feliz aniversário, Melissa!

E NEVOU NO BRASIL

E sério, não é que eu achei o desfile de Samuel Cirnansck o mais brasileiro de toda essa temporada dedica às brasilidades?!

Meu São Paulo da garoa,
-Londres das neblinas finas-
Um pobre vem vindo, é rico!
Só bem perto fica pobre,
Passa e torna a ficar rico.

Mario de Andrade