Arquivo do mês: julho 2007

WALTER VON BEIRENDONCK VERÃO 2008

Enquanto se discute o masculino na moda feminina, Walter von Bierendonck pega a contramão e recoloca o feminino na moda masculina. Desde Jean Paul Gaultier e suas saias na década de 80 essa discussão sempre esbarra em uma certa timidez nas possibilidades desse diálogo. e não tem sido diferente com o estilista belga mas ele insiste no assunto.

Walter já debate essa questão faz algum tempo e sua coleção de verão 2000 “Gender?” era exatamente sobre isso: os gêneros na moda.Assim como o corset, criado por Mr. Pearl, ou um casaco que se abre em A, a silhueta masculina feminiliza-se, mas o mais interessante é que também nos remete aos avatares do Seconf Life. Será um futuro tão impossível assim?

Não é a primeira vez que o corset entra na sua coleção, mas agora ele ganha uma conotação mais sexual. Bem ao gosto do título da coleção: “Sex Clown”.Nesse momento entra outra linguagem que o estilista adora trabalhar: o fetichismo. A borracha se contrapõe assim como o corset com o lúdico das cores e de algumas estampas. Não tem conversa, o sexo está na cabeça de todos.

Os objetos de cabeça, construídos em papel machê pelo chapeleiro inglês Stephen Jones fazem referências tanto aos animais que povoam o universo do estilista como ao falo, presente também em algumas aplicações nas alfaiatarias.

Aliás, as suas construções em alfaiataria criam certas dimensões mais abertas que eu chamo de asa em alusão a ultima coleção de Karlla Girotto no São Paulo Fashion Week. Nela, ela representava a alfaiataria e a roupa masculina como algo racional, cartesiano e preso ao chão, enquanto a moulage,.mais instintiva, era o arquétipo da roupa feminina e estava solta no ar, moldada pelo vento. Nem preciso comentar que pra mim foi o grande momento daquela temporada.

Voltando ao belga, sua alfaiataria parecem ter asas, mas de máquinas, respeitando ainda o princípio cartesiano da alfaiataria, mas mesmo assim precisando tomar certos e outros ares.

Outro fator interessante é a variedade de corpos escalados para apresentar a coleção que aconteceu no dia 1 de julho, no clube Bataclan em Paris. Desde a estrutura mais slim a mais forte e musculosa, algo pressupõem que não existe um só modelo para aquelas roupas.

Em uma outra escala, continua na sua coleção a forte presença étnica com forte linguagem urbana, fator que pode ser melhor mensurado agora que a moda ”oficial” reverenciou a leitura (excelente) de Nicolas Ghesquiere para a Balenciaga desse étnico urbano que Walter nos apresenta há anos.O étnico urbano é com certeza a possibilidade moderna de incorporar outras culturas na nossa sem uma visão folclórica.

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Pos post: Walter criou avatares da coleção que estão agora no Second Life.

Eu copio mesmo o bordão do velho cineasta: “Minha estética é minha ética”. Mas para aqueles que se preocupam com o mercado, Walter escreve:

“Don’t be afraid, in the end there is always a simple T-shirt telling the same story”.

Crítica e autocrítica!

MARIA PRAD(T)A DUS INFERNUS

Bom, não é bem que ela é dus infernus, mesmo isso sendo um elogio. Ela me lembrou indiretamente que meu blog faz um mês de existência pois nasceu no mesmo dia que o dela, fato que ela postou comemorativamente com mudança de layout e tudo nesse final de semana. Pra não copiar tão na cara dura vou dar um tempinho pra mudar o meu! Bem, nem sei se vou mudar, vai que a Piauí me fotografa e eu não quero ficar com cara de Layana Thomas procurando a revista referência.

E não sei como me lembrei que Maria Prata na temporada passada (não lembro se foi na passada ou retrasada, mas também nem lembrava que meu blog fazia aniversário e isso faz um mês só atrás!!!!!), me contou que iria pra Milão assistir o desfile da Prada. Tipo (café) seleto!

00060m.jpg Foto Marcio Madeira

Na hora que ela falou, ficamos os dois entusiasmados. Tipo deslumbre–caguei–porque-eu-também-sei-deslumbrar. Eu lembro que quando ela me contou, meus olhos brilhavam como de uma criança que ganha de presente uma viagem á Disney e ela não parecia diferente com a diferença de ter o ticket do brinquedo na mão.

Pois bem, ela foi, voltou e eu perguntei: E aí Maria, como foi? Ela respondeu que foi incrível, estávamos com pressa e nunca mais tocamos no assunto. Não sei o porquê, lembrei disso hoje. Que ela nunca me contou como foi e eu esqueci (lógico!) completamente de perguntar novamente. Tipo dus infernus!

Como ela ainda não me contou, mas tenho certeza que agora vai, eu resolvi imaginar. E já que a imaginação é minha, resolvi também me colocar na história.

Encontrei a Maria em um café na Via della Spiga, ela estava exausta pois tinha feito um fechamento durante as 11 horas de vôo até Milão. Ela fechou no avião mesmo com a Daniela Falcão super colocando até as aeromoças pra trabalhar, pois você sabe…Vogue, como diria a Madonna.

Mas ela estava com uma pele ótima pois a Pat, a McGrath tinha dado um tapa e assim esperamos a Hillary, não a clinton, a Alexander e o Stefano, o Tonchi. Eles, como sempre atrasados. Foi-se o tempo que americanos e britânicos eram pontuais. Eles queriam conhecer pessoalmente Fernanda Resende, a nova darling da moda que estava fazendo um editorial super bombado e de vanguarda com Anna, a Piaggi como modelo inspirado nos looks shortinhos de Oliveros na temporada de verão 2008 (aí as datas, tudo bem, né,.atemporal).

Encontramos com elas a pleno vapor. Piaggi ainda deu tempo de ensinar em um vídeo para postar no Blogview o seu estilo de maquiagem e os produtos que usa. E não é que as pernas dela de fora, são iguais a cara… Meio rosa, meio roxo!

Quem fotografava era o Luigi que tinha como assistente Steven , não o Spielberg, o Meisel. Meio fora de foco estava o Meisel coitado.

Bom, tivemos que correr pro desfile. Aproveitamos e pegamos carona com a Franca , não a mente, a Sozzani que queria muito saber tudo sobre o macacão da Gilda Midani que a Maria estava usando durante o café. Em sonho todos trocamos de roupa o tempo todo, uma mais incrível que a outra e todos falamos uma mesma língua. .

Toca o telefone, é o Sylvain e a Biti. Eles estão na sala e estão com medo que a Anna, a Wintour e a Carine, a Roitfeld peguem o nosso lugar.

Maria liga pra Daniela Falcão e em um minuto o problema está resolvido. Estamos com nossos lugares reservados!

Chegamos enfim, não sem antes André, o Leon me deixar um bilhete com a receita de seu regime.

Acendem as luzes. Começa o desfile.

Vejam o que escrevi, mas como assistente acabei não assinando. Ou vocês pensam que é só no Brasil que isso acontece e que nos delírios não vão ter perrengues também. Aloka!

Parabéns Maria pelo blog, e espero que um dia você me conte como foi, se eu lembrar de perguntar…

E parabéns pra mim também, oras!

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

VAI, VAI, ZAPPING DAQUI! SOMMER DA MINHA VISTA PORQUE ESTOU FORUM DE MIM!

NOVO LIVRO SOBRE TEORIA DA MODA

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KATHIA CATILHO (RESPONSÁVEL POR INÚMEROS LIVROS EDITADOS DE MODA) DIZ:

“Finalmente mais uma importante publicação que discute moda.

O lançamento será em Florianópolis mas o livro já está sendo distribuído nas livrarias e está a venda também  através do site da editora – www.estacaoletras.com.br

Espero que se alegrem com a novidade e comemorem conosco.

 

um grande abraço

 

Kathia Castilho”

DUS*****INFERNUS NO BLOGVIEW HOJE

Hoje tem coluna minha no Blogview e é super de coração tudo aquilo que escrevi sobre o “mito“ Hedi Slimane. Eu não gosto e quero ter o direito de não gostar. Vamos desafinar o coro dos fashionistas contentes!

Porque antes de mais nada eu quero construir o meu olhar, e só. Mesmo que tenha que repensar toda a moda hoje. Chega de fórmulas prontas, enviadas diretamente para afirmarem uma certa suburbanice nossa como a cartilha distribuída pelo Comitê Americano no Pan aos seus atletas sobre o Brasil e seus perigos. Muitas vezes sinto lendo cartilhas. Então eu que faça a minha Que eles morram pelo visão clichê. Que eu quero é cachê, isso sim…

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Fui na farmácia me entupir de novos antibióticos e senti um perfume forte nas pessoas durante o caminho. Não falo de perfume vagabundo porque o Antídote do Viktor&Rolf cheira bem forte… É o efeito inverno ou agora vamos copiar os franceses até nisso?

COMUNICADO ZOOMP

Nada de novo no front! Todas informações já foram reveladas nos blogues e na Folha, mas as entrerlinhas desse comunicado oficial solto agora à tarde pela assessoria de imprensa da marca é muito interessante como a necessidade de crescer em todos os sentidos.

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“Há 33 anos no mercado, a Zoomp é uma das marcas de jeanswear mais consistentes e importantes do país. Sua trajetória, sempre representada pelo clássico raio amarelo, se mistura com a história da moda no Brasil. Objeto de desejo nas décadas de 80 e 90, a Zoomp faz parte da memória de muita gente. Seu fundador Renato Kherlakian construiu uma marca sólida e de vanguarda, preparada para entrar no século XXI. E foram justamente esses atributos que levaram a grife a ser comprada pela HLDC, há um ano. A holding comandada pelos sócios Enzo Monzani e Conrado Will tem planos bem definidos para o futuro. Para isso, foi criado um conselho estratégico formado pelos mais conceituados profissionais do mercado.   Convidado para assumir a presidência da Zoomp S/A, o economista e expert em construção de marcas Vicente Mello traz um modelo arrojado de gestão de negócios: “Vamos construir um grupo de gestão de marcas com grifes sinérgicas e complementares”, explica ele. Essa estratégia não é novidade na Europa e nos EUA, onde, há muitos anos, grupos poderosos atuam em várias áreas e detém diversas empresas. À frente da diretoria de marketing está a executiva Márcia Matsuno, que integrou a equipe de marketing da marca nos anos 90 e durante seis anos foi sócia-diretora do SPFW. “A Zoomp faz parte da memória da moda brasileira. Por isso mesmo, o que vem pela frente vai ter grande referência na história da marca”, diz Márcia. Entre os outros diretores da Zoomp estão Cláudio Pessanha, diretor comercial, há 15 anos trabalhando com a marca e cuidando dos canais de comercialização e merchandising, e Ocimar Bromatti, diretor de Supply Chain, responsável pela agilidade e assertividade de toda a cadeia produtiva, unindo conceito e inovações tecnológicas, para garantir que a autenticidade do produto Zoomp chegue às lojas.  Alexandre Herchcovitch, o estilista mais importante do Brasil, volta ao grupo como diretor criativo, cargo que ocupou de 1998 a 2002. Para ele “é um prêmio voltar para a Zoomp, uma das mais famosas marcas de jeanswear do país. Vamos nos especializar ainda mais neste segmento criando um lifestyle casual. Este é o talento histórico da marca”, adianta o estilista.  Herchcovitch também assume um cargo inédito no mercado de moda brasileiro: o de curador criativo da Zoomp S/A, responsável pela escolha de grifes de perfis diferentes a serem adquiridas pelo grupo.  E o que vem por aí ultrapassa meras projeções de crescimento e ambiciona, além de aumentar o número de lojas Zoomp de 18 para 80 em todo o país, estabelecer exigências de produtividade e rentabilidade em toda a cadeia, imprimindo ao mercado de moda um padrão ainda pouco comum no Brasil.”  zoomp.jpg

O PORNÔ SEM A NECESSIDADE DE SER CHIQUE

Existe contestação sim na moda masculina (masculine, por favor). Ou pelo menos um olhar menos óbvio, que tão apegados ao Style.com que somos e pelo seu tom conservador por vezes deixamos de enxergar e escapar de nossas análises. Falo isso porque em nenhum blog que naveguei vi algo sobre essas duas coleções de verão que falarei em seguida e que trazem outras e importantes questões para os masculines.

porn-sem-ser-chique.jpg foto de Lukas Wassmann

Bernhard Willheim verão 2008

E por uma certa preguiça e fechando meu olhar para tudo que já tinha sido mostrado no Style.com, demoraram a chegar para mim as imagens das coleções de verão para os homens de Walter van Beirendonck, na minha opinião o grande criador de moda masculine (anos-luz do talentoso, mas incensado-por-demais Hedi Slimane) e seu discípulo Bernhard Willhelm, que particularmente acho muito mais interessante no quesito roupas para homens.

bernhard_with_walter.jpg foto Diane Pernet

Bernhard e Walter: um outro olhar para os homens no verão 2008

A estética pornô – que acompanhou o legado de uma era ao final do século 20 – não resisteria muito tempo em solo feminino sem a mediação inteligente e imprescindível da visão de Carine Roitfeld no desenho do styling da Gucci e de todo o pornô-chique que encarnariam na pessoa do estilista Tom Ford nos anos 90.

Mas para a moda masculine hoje, Bernhard e Walter vão direto ao assunto como os homens bem gostam e criam imagens muito urbanas com forte conotação sexual.

 

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foto de Lukas Wassmann

São duas coleções muito diferentes dos meninos perdidos, fracos e inseguros da Prada, Lanvin & Cia. Muito diferente do que foi mostrado pelo Style.com e meu erro de olhar preferencialmente para essa fonte para analisar as coleções masculines.

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Bernhard Willhelm, verão 2008

O alemão Bernhard Willhelm, que estudou na essência da escola belga, dialoga com a idéia do macho em sua coleção de verão 2008. E faz um ato irreverente ao chamar como modelo de suas fotos da exposição que apresentou no dia 1º de julho na Galeria Baumet-Sultana, o pornstar gay François Sagat.

O ato tem algo de paradoxal: macho versus gay e masculinidade + homossexualidade!

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Sagat foi vencedor esse ano como melhor performer no GayVN Awards, e não deixou seu lado sexual de fora. Com fotos do suíço Lukas Wassmann, a coleção é inspirada em imagens eróticas com referências ao ícone sexual dos anos 70, Peter Berlin e ao fotógrafo Robert Mapplethorpe. A exposição e o lookbook da coleção de verão transpiram sexo.

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Berlin e Mapplethorpe: referências

 

Sem medo das cores e de suas misturas improváveis, flertando com o esportivo , em especial a luta livre, Willhelm apresenta formas ajustadas, mas diferentemente do que poderíamos chamar de “sequinhas”, já que o sportwear sempre traz a idéia de conforto.

Os comprimentos são curtos, mas as idéias são longas.

Temos também um ato paradoxal, já que as formas ajustadas não são em um corpo “skinny” e sim em um completamente musculoso, um biotipo vindo de passarelas passadas e hoje, para os padrões vigentes na moda, tido como algo cafona por ser “forte” demais.

A questão do bom gosto e das regras da moda vigente estão em cheque como tão bnm gosta de confrontá-las , só que de outra forma, a senhora Prada.

 

 

 

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Já Walter van Beirendonck também traz em seu universo colorido e fluo, muito antes do fluo ser tendência o sexo. E ele está presente como mote até no título da coleção: “Sex Clown”.

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Walter van Beirendonck verão 2008

Sobre a coleção em si, falarei melhor amanhã mas ele faz o movimento inverso do que está acontecendo hoje na moda para as mulheres. Ele traz elementos do feminino para a moda masculine. Isso não é novo na moda masculine, mas a sua ação tem intenção sexual e esse é seu grande pulo do gato.

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formas femininas, streetwear, sportwear e sexo – Walter van Beirendonck verão 2008

Fazendo sempre uma salada geral de referências, Walter não tem medo de ser pornô sem mediações. Já que para os homens, a princípio, a relação entre chique e pornô é irrelevante.