AS CELEBRIDADES SEGUNDO DANUZA

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Danuza Leão em ensaio fotográfico de Richard Avedon para Harper’s Bazaar em 1960

Como disse uma amiga minha, Danuza Leão é a nossa Forrest Gump, esteve em tudo quando era evento importante do século 20. Eu particularmente adorava quando ela era colunista do Jornal do Brasil, retratando exatamente a alta-sociedade carioca e muitas das celebridades que ela critica nesse artigo “Sobre as Modas”, publicado na Folha de São Paulo, no dia 09 de agosto de 2007:

“HÁ MUITO, muito tempo, bacana era ser nobre; começava pela rainha, depois vinham as duquesas, condessas, marquesas etc. O tempo passou, cabeças foram cortadas, e os novos ricos foram os herdeiros, digamos assim, do que era a elite da época.
O tempo continuou passando; vieram os grandes industriais, os empresários, os donos de supermercado, os bicheiros, os marqueteiros, a indústria da moda, até mesmo os políticos, houve os yuppies e surgiu uma curiosa casta nova: a das celebridades. Desse grupo fazem parte atores de televisão, personagens da vida artística, jogadores de futebol, pagodeiros, sertanejos etc., e começaram a pipocar dezenas de revistas cujo objetivo é mostrar a intimidade dessas celebridades, contando os detalhes da vida (ou morte) de princesa Diana, Madonna ou Michael Jackson.
Quanto mais íntimos e escabrosos, melhor. Nesse admirável mundo novo, a moda tem uma enorme importância, e nesse quesito o que conta -mais que a elegância e o bom gosto- é saber de que grife é cada peça que está sendo usada; quanto custou cada uma todos sabem, já que são tão cultos. Um pequeno detalhe: quando duas celebridades se encontram, mesmo que nunca tenham se visto, se cumprimentam efusivamente.
Antes, muito antes, era diferente: um nobre, mesmo pobre, era respeitado por suas origens, pelo que teria sido feito por algum de seus antepassados. Mais tarde, os homens de negócios eram admirados por sua inteligência, sua capacidade em construir alguma coisa importante na vida. Agora as pessoas são definidas por símbolos, a saber: onde moram, a marca do sapato, da saia, da jaqueta, da bolsa, do relógio, do carro, se têm ou não Blackberry, para onde costumam viajar, em que hotéis se hospedam, a marca de suas malas, que restaurantes frequentam, aqui e quando viajam. Ninguém tem coragem de arriscar férias em um lugar novo, um restaurante que não é famoso, usar uma bolsa sem uma grife facilmente identificável.
Mas quem responder de maneira certa às tais indagações poderá, talvez, ser aceito na turma das celebridades. Acordei hoje falando muito do passado; acontece, vou continuar. Houve um tempo em que mulheres do maior bom gosto apareciam com uma bonita saia e uma amiga dizia “que linda, onde você comprou?”.
Hoje, isso não existe mais, porque as pessoas -aquelas- não usarão jamais uma única peça de roupa que não seja grifada. Outro dia fui a um jantar em que havia umas 40 pessoas, sendo 20 mulheres. Dessas 20, dez usavam sapatos Louboutin, aquele que tem a sola vermelha. Preço do par, em São Paulo: R$ 10 mil. Estavam todas iguais, claro, mas o pior é ser avaliada e aceita pela cor da sola do sapato; demais, para minha cabeça.
O prazer -e o chique, a prova da capacidade de improvisar- era botar uma roupa bonita comprada em um mercado qualquer de Belém, Marrakech ou Istambul, e ser diferente. Hoje é preciso mostrar que folheou a revista que tem a informação do que está na moda e que tem dinheiro para comprar. E os jogadores de futebol e os pagodeiros, que não aprenderam o que é bonito na infância, porque eram pobres, nem na vida adulta, porque não deu tempo, olham as revistas, entram no Armani e fazem a festa, já que são também celebridades.
Não há mais lugar para a imaginação, a criatividade, para uma sacada de última hora, que faz com que uma determinada mulher seja a mais especial da noite. Eu não frequento este mundo, mas de vez em quando esbarro nele sem querer, e é difícil.
Um mundo de clichês; mas como tudo passa, estou esperando a hora de acordar e pensar que essa época não passou de um pesadelo”.

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Se repararmos bem, a logomania e uma forte homogenização no vestir e nos cabelos, acessórios e maquiagem  são bem perceptíveis no mundo das celebridades, mas também por outro lado indicam uma mobilidade das classes que a moda é o grande termômetro – basta lembrar que os aristocratas também achavam muito de mal gosto os burgueses.
Mas afinal você concorda com Danuza?

13 Respostas para “AS CELEBRIDADES SEGUNDO DANUZA

  1. Angel, te envio um link q dialoga com vc e Danuza. Ele fez parte da pesquisa “Nova perspectiva sobre o Luxo” que fiz ano passado.
    “Generation No Logo”/ http://www.time.com/time/specials/2007/article/0,28804,1714683_1714625_1714287-2,00.html

    Abs,
    Bernardo

  2. nao concordo, mas danuza é muzzza

  3. NUCOOLLUXURYLIFESTYLE
    NO LOGO de verdade tá aqui:

    no logo naomi klein: http://br.geocities.com/guaikuru0003/resenha_semlogo.html

    SAO PAULO-NO LOGO:

    IMG_6091

    😉

  4. NO LOGO de verdade tá aqui:

    no logo naomi klein: http://br.geocities.com/guaikuru0003/resenha_semlogo.html

    SAO PAULO-NO LOGO:

    IMG_6091

    😉

    • Ahouse Nucool! É academia botando pra f_.
      PS: Vê se arranja um tempo pra gente fazer troca de pele e tomar café na cobertura. Abs!

  5. Como assim a homogenização indica mobilidade, Vitor? Fala mais…

    Concordo com a Danuza Leão interpretando que ela se refere às aplicações diferentes que as pessoas dão ao dinheiro (e ao tempo). Claro que produtos de grife são uma delícia, mas originalidade e bom gosto chegando na frente (e isso não se compra em loja) me interessam mais. Justamente porque não estão ligados ao poder aquisitivo, tão efêmero e tão pouco conectado ao bom caráter.

  6. A homogenização indica mobilidade pois mais pessoas estão tendo acesso a informação que antes era muito mais restrita, essas pessoas agora sabem o que é legal e cool e podem também se vestir assim. A danuza me pareceu um pouco desesperada com essa situação, visto que agora o jogador de futebol burro pode usar armani, a popozuda retardada do funk sei lá o que. Enfim, essas pessoas continuam sendo preconceituadas, antes por não poderem ter e hoje por poderem mas não significarem isso da mesma forma que a velha classe definidora do bom gosto faz.
    *não tem como separar originalidade e bom gosto de determinadas marcas, não adianta vir com o papo de que a marca nem importa tanto assim, pois é ela que determina o que todos vão achar legal.

  7. quanto mais as pessoas usam, menos eu quero ter

  8. Concordo!
    Nivelar pessoas pelas roupas é irresponsável e injusto. Valorizar um sertanejo que usa Armani, e colocá-lo no mesmo patamar de Tom e Vinícius é incoenrente (digo em espaço de mídia, chamá-lo de grande artista). É essa disparidade de significados que assusta. Hoje carregar griffes é igual ou mais que carregar o Prêmio Nobel.

  9. Eu concordo e não. Danusa fez um retrato da moda através do tempo, pois hoje uma grande – pequena – massa ascendeu e pode comprar uma bolsa Chanel. Inclusive, de 10 vezes. No entanto, boa parte deles está confusa com relação ao visual. É tudo muito exagerado.

    Porém, Danusa foi preconceituosa com os pagodeiros e cia. Eu também acho exagerado o visual, mas será mesmo que fazer festa na Armani e ficar brega é somente por que a pessoa é pobre e não teve acesso a informação? Sei não, Paris Hilton é milionária e Deus, como ela é brega por que gosta. Roupas cheias de brilho, maquiagem extravagante, enfim… Acho que é um retrato não dos pobres que ascenderam socialmente e sim de toda a sociedade classe média-alta-rica. Estão todos perdidos, cheios de excesso…

    Mas eu concordo com ela em relação ao fascínio dos famosos com aqueles sapatos de solado vermelho. Às vezes é um simples sapato preto, mas é Loubotin, então, enchem de elogio. Não há nada mais brega do que isso.

    p.s. Danuza fez muitas plásticas tentando negar o visual lindo que tinha ao envelhecer. É, ela também faz parte do grupo que acabou de criticar, o de senhoras que tenham a todo custo negar os efeitos do tempo. É um julgamento pessoal, eu sei, mas inevitável.

  10. Será que no final das conta isso não vem do medo primário do desconhecido? Do se aventurar por águas nunca dantes navegadas, e correr risco de se espatifar nos rochedos das criticas alheias… de não ser “aceito” e “amado”?
    Iremos pasteurizar tudo para evitar o execramento público da fraca condição humana de se firmar e se estabelecer como “indivíduo”.

    Fica ai pra pensar….

  11. Salve Danuza!!!!
    Nos dias de hoje, pelo menos tem alguém com alguma coisa na cabeça!!!!

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