Arquivo da categoria: fashionista

POR QUE ESSA CARA TÃO SÉRIA?

“O mundo da moda e principalmente os fashionistas se levam a sério demais”. Já ouvi essa frase mais de uma vez de amigos que olham o “espetáculo” de fora. Essa tal seriedade, penso eu, pode ser uma reação aos que olham a moda de maneira diminuta, de forma alienada e por isso sem muita importância. Também é uma forma de dizer: “ei, nós não somos uma brincadeira, um pastelão, um circo apenas, aqui o trabalho é duro”. Glamour, atitude e principalmente imagem não nascem em qualquer lugar, temos que arar essa terra, sujar as mãos, suar, ralar para tentar chegar perto de algum resultado (quando se chega…), dentro de metodologias de tentativa e erro semelhantes as das pesquisas científicas mais avançadas.
Mas também entendo que muitas vezes ocorre uma seriedade um pouco demasiada. A sisudez de Anna Wintour me cansa um pouco, apesar dela carregar muito do que disse acima. Uma certa obsessão de alguns fashionistas por grifes e as tratam como o suprasumo do bom gosto e a fórmula certa para se estar elegante, acho de uma tolice atroz pré-adolescente, igual aqueles críticos de música ou de futebol que dizem os nomes dos álbuns de tal banda de cor com data e tudo ou a escalação inteira de um time em 1962 com todos os reservas e comissão técnica. A seriedade escondendo e disfarçando a falta de conteúdo para ir fundo nas questões. Torna-se o detalhe o fator principal por uma incapacidade de conseguir fazer um aprofundamento de questões centrais sobre os assuntos que tratam. Lembro que quando criança sabia todas as capitais do mundo e isso sempre causava certa admiração entre as pessoas, mas não em fez um gênio nem da geografia nem da turismologia. Era apenas um exercício virtuoso do vazio, o virtuosismo com uma certa pretensão de seriedade.
De qualquer forma, adoro quando os fashionistas abandonam seus cintos de segurança, os lugares que acreditam estarem confortáveis com a sua imagem, sempre sérias e nos surpreendem.
carine

Carine Roitfeld em pose xoxo, deliciosamente longe da seriedade que a editora de moda da Vogue Paris tem que ostentar

Anúncios

UNIVERSO A GO GO – A MODA SEGUNDO MARINÊS CALIL

2126388675_3b3c7b3aae
Marinês na Torre. foto: Fábio Motta

Marinês é uma das personagens mais enigmáticas da noite de São Paulo. Ela ficou muito em evidência no começo dos anos 90 (apesar de vê-la agitando bem na cidade nos 80) quando chegou a dar entrevistas para jornais e televisão sobre sua tese sobre os clubbers que fez para a Antropologia da FFLCH, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Usp – para quem conhece a Academia sabe que temas que flertam com o que está acontecendo right now e carece da chamada “perspectiva histórica” não são benvindos. Mas isso não parecia uma preocupação de Marinês na época, ela queria retratar o que estava vivendo. Se a tese ficou pronta, não sei…
Ela mesma sumiu durante um tempo e reapareceu anos atrás com uns makes absurdos indo à Torre ou ao Hell’s no Vegas com um carrinho de feira cheio de bolos e fanzines que ela distribui para quem lhe dá na telha. O fanzine: Universo a Go Go.
Nele, Marinês, na parte mais compreensível diz: “Marinês Antunes Calil é artista plástica, Bacharel em Direito e Bacharel em Ciências Sociais. Mestre em Antropologia pela Universidade de São Paulo, escreveu “A Aventura do Estilo – um pequeno estudo dos Fashion Clubs de Dance Music na cidade de São Paulo” e “O Retrato da Nation Disco Club – os neodândis do final dos anos 80’s” e está escrevendo “GOD is fashion – a nova Filosofia da Moda” e “Jantando na Selva”, um livro de etiqueta, e está preparando novo texto de Club Culture, Moda e Estilo, e arte jovem e pós-modernidade, e é autora-redatora do “Universo A GO GO”
Quando disse compreensível, não foi no sentido demeritório. Como Glauber Rocha em seus últimos escritos, trocava a grafia das letras dificultando a leitura (um exemplo clássico do cineasta baiano era que ele escrevia estética assim: Eztetyka), Marinês também se utiliza desse procedimento de escrita misturando também com o francês, inglês e italiano – as línguas da moda.
O fanzine, meio delirante como a moda, traz uma escrita quase indecífravel com críticas de desfiles como: “Osklen faz laá mmmoôóòddée lascée em vérbbéêéè dé rock” ou “Patrícia Viera faz lóoukc de especialista em geomhéetricous e couros…!!!!!!!!!!” ou quando escreve sobre uma antiga coleção de Fause Haten diz: “O ballonné. Ninguém gosta. Todos e todas querem se enfiar na Bomboniére e sair gritando que a roupa é liiiiiinda…….!!!!! bom. Era isso. Saia em éergaaevéée. Parte blusa em casaquito de aabaérvaavêée. Cintos de apertar a alma. Inteira. Ali dentro.”
Sem falar que ela é sempre grata a Maison Chanel e faz também uma espécie de dicionário que chama de COLLEZIONI – Passarelle. Um exemplo:
Domar: ter para ser considerado fora de si
Hegemonia: o nome da posição principal dentro de uma curva de aparição
Vanguarda: um nome de onda que não aparece sem crespos

Essa nonchalance e ao mesmo tempo essa seriedade – através de muitas mitificações da moda – (podemos até pensarmos que é algo pseudo-sério, mas isso é nossa resposta como leitor), faz do fanzine de Marinês um objeto único pois nos coloca em xeque – fashionistas e não fashionistas: Sabemos o que é mito ou não construído pela moda e em relação a ela? E ainda: Sabemos rir de nós mesmos em relação à moda?

2126390551_15dec420c2
Marinês sabe. foto: Fábio Motta

BRÜNO É OU NÃO É UM FILME DE MODA?

sacha_baron_cohen-bruno
No meio do filme “Brüno”, uma amiga virou pra mim e disse meio indignada: “Isso não é um filme de moda!” Como o fato de um filme ser de moda ou não nunca foi fator imperativo para eu gostar ou não de uma película, não me preocupei muito com a observação. Mas depois do fim da sessão parecia ser fator imperativo pra boa parte dos fashionistas presentes na sessão de pré-estréia do filme aqui em São Paulo: Brüno não era um filme de moda e isso contribuia pro valor qualitativo da película. Já dessa primeira premissa discordo, mas resolvi ensar sobre se le é ou não um filme de moda.
Parei pra pensar um pouco sobre e logo percebi que primeiro era importante entender o que é um filme de moda.
Em geral considera-se um filme de moda aquele que transita pelo mundo da moda, com personagens envolvidos e referentes à esse universo. Se pensarmos nesse sentido, “Brüno” é um filme de moda pois transita nesse universo e tem no principal personagem, um fashionista.

Mas muitos alegarão que o filme não se passa só no mundo da moda, e que toca em outros assuntos como a homossexualidade e o preconceito que são centrais no filme. Visto dessa maneira Brüno não é um filme de moda. Caminhando nesse mesmo terreno podemos arriscar dizer também que um filme como “O Diabo Veste Prada” também não é um filme de moda, pois a questão principal do filme não é a moda e sim as relações humanas dentro de um mercado altamente competitivo e autoritário ou o equilíbrio, os efeitos e a impossibilidade de tentar separar relações privadas (a secretária Andy com seus amigos e namorado) com as relações públicas ( a secretária Andy com sua chefe). Essas questões estão acima da moda apresentada no filme, que assim como em “Brüno” tem um papel mais figurativo.
Mas se pensarmos um pouco mais a fundo nessa pergunta, percebemos que muito em “Brüno”, assim como também em “Prêt-à-Porter”, de Robert Altman [e quem sabe no “Diabo”], as questões importantes ao mundo da moda são evidenciadas, pois na moda tratamos daquilo que é visível e elas estão presentes de maneira forte e até pertuboradora.
Começamos com o mundo das aparências, fundamental para os jogos de fantasia e identidade na moda. Ele se demonstra em sua totalidade quando Brüno quer se tornar um heterossexual, suas mudanças são sentidas através da roupa. No iníco, seus looks únicos beiram o absurdo, uma histeria de fashionista. E é um desses absurdos de fashion victim – a roupa de velcro – que o leva a ruína no começo do filme, sem falar que dizem muito de como a moda entende a individualidade. E que deliciosa a observação indignada de Brüno: “D&G hello” quando um militar, já nas sequências de “conversão a hétero”, pergunta que cinto é esse [atire a primeira pedra o fashionista que nunca fez isso]. O filme é todo sobre aparência e esse é um tema central da moda, um tema quase seu por excelência.
O sistema moda está explícito em sua vontade de ser o que é de mais atual, o que é hoje e agora. Essa atitude é uma das forças da moda. E é assim que a moda se comporta para o bem e para o mal. No filme, assim como muitos fashionistas, Brüno leva essa máxima em suas últimas consequências, quase em desvario, não importa o que seja: ajudar crianças famintas na África ou selar a paz entre israelenses e palestinos. O importante é ser up-to-date, mesmo sem a menor consistência do que está fazendo. A onda do desvario histérico das eco-bags aqui no Brasil me ressoou na hora, assim como adoções de crianças carentes e sua exposição mediática. Voltamos ao mundo das aparências!
Isso tudo tem muito do mundo da moda e muito das pessoas que nos cercam e até de nós mesmos, então como Brüno não é um filme de moda? Ele é um filme profundo sobre a moda também. Cruel muitas vezes, irônico, com alguns momentos pretensamente chocantes, ele é um retrato, um espelho no qual parecemos bem mais gordo do que queríamos.
bruno1

MALLU MAGALHÃES E SEU COTÊ FASHION

IMG_0097-682x1024
Foto de minha amayga Katylene

Entrevistei a Mallu Magalhães pro Vírgula depois do desfile da Maria Bonita. E posso falar? Eu que até então achava ela uma pessoa meio bobinha, achei ela uma gracinha (te amo Hebe por difundir esse adjetivo), super simpática, falou com todo mundo, não fez carão, nem ficou meio sissintindo. E quer saber? Achei ela bem fashion dando dicas de como fazer um echarpe bacana!
Veja o resultado aqui nesse vídeo

BALMAIN É ROPAHRARA MODA EXÓTICA!

A última paixão de muitos fashionistas é a marca francesa Balmain. Ficou chique citar o estilista Christophe Decarnin e dizer que ele é tuuuuuu-duuuuuuu!
00110m
Pra cima de mim não jacaré. tudo o que vi, pelo menos para o inverno 2009/2010, parece diluição de Gareth Pugh com Gianni Versace. Isso é, nada de novo no front, então pra que tanta comoção?
Pode ser porque Decarnin coloca a Ropahrara e as piriguetes em alta, looks que, em geral, os mesmos fashionistas que estão in love com a Balmain desprezam em qualquer outra situação, achando-os extremamente vulgares.
053m
Quanto você Daria pelo programa?
Eu acho a Balmain vulgar, com a vantagem que eu não tenho nada contra a vulgaridade. Aliás Balmain é muito Ropahrara Moda Exótica com a vantagem que a Ropahrara é mais autêntica e barata!
gera_thumb.inc

MUDANÇAS E PRESENTES

mudanca

É, mudei de casa, por isso o sumiço do blog. Fiquei uma semana sem internet, e em plena correria, mas agora os posts voltam a normalizar.
Pois bem, por um acaso da vida morava em uma quadra na João Moura, em Pinheiros, bem fashionista. Por exemplo, a minha antiga quadra é a quadra que moram hoje Paulo Martinez. Fábio Queiroz e Denise Dahdah.
Aí, me mudei para o antigo apartamento de Xico Sá, jornalista político, esportivo, escritor, ensaísta, enfim, uma persona bem longe das fashionices da vida. Mas não é que na minha ruazinha sem saída com uma vilinha ao fundo é mega fashion também? Moram o DJ Spavieri, que já mexeu com modas no auge da Forum, o Frank Dezeuxis da loja fofa Teu é o Mundo, a Patricia Grejanin da Laundry que já no primeiro dia me chamou pra tomar uma cervejinha na casa dela e a Thais Mol, estilista, stylist e produtora de moda. Sem falar que em breve teremos a presença de Flavia Lhacer na ruazinha, uma coisa Rainbow.

Thais me falou pra passar na casa dela e logo mais irei sim, mas recebi dela um outro convite – ou seria presente? -, um projeto que achei muito bacana e delicado como as criações de Thais para Mona e resolvi passar pras pessoas aqui no blog:

thais+mol

Dear friends,

Escrevo para lhes apresentar meu novo projeto. Estou relatando primeiramente em um blog a experiência de entregar presentes. Inicialmente escrevi sobre os presentes que eu comprei e entreguei – para amigos e tal. Mas o objetivo desse projeto é que eu sirva como ponte, que eu entregue um presente para alguém desconhecido. O doador me entrega o objeto e os contatos do donatário. Marco o encontro, presencio a abertura do presente e descrevo em meu blog todo esse processo – essa é a minha forma de retribuir o presente que me foi confiado. As pessoas envolvidas não precisam se identificar caso não queiram, nem durante o processo, nem depois.

Esse é um work in progress que terá outros desdobramentos além do blog. Gostaria que vocês me chamassem, caso queiram entregar um presente para alguém, ou me indicassem para terceiros. Seja o que for, como for, só o onde for que ainda não consigo realizar plenamente mas aceito desafios… Tenho algumas datas em outras cidades, caso alguém se sinta incitado a presentear…
Belo Horizonte: 8 a 11 de maio
Londres: 12 de junho

Entrem no meu blog e sintam-se à vontade para opinar…
http://giftome.wordpress.com/
Contato: gifto.me@hotmail.com

“A circulação de bens segue a dos homens, das mulheres e das crianças, dos banquetes, dos ritos, das cerimônias e das danças, e até mesmo das pilhérias e injúrias. Se se dão e se retribuem as coisas, é porque se dão e se retribuem respeitos – dizemos ainda gentilezas. Mas é também porque o doador se dá ao dar, e, se ele se dá, é porque ele se deve – ele e seu bem aos outros”.

ADORO O PERIGO

Las Bibas from Vizcaya são mais que um orgulho gay, elas levam orgulho pras bichas quá quá, essas que são estranhas ao padrão normativo e quando sofrem a evolução pokemoniana viram as nossas queridas fashionistas. Amo muito!