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POR UM GLAMOUR RETARDADO

Esse clipe de Nujabes, o apelido do dj japonês Jun Seba, produtor de hip-hop que em geral sintetiza sua rimas faladas com o “cool jazz” de Miles Davis ou de Yusef Lateef, é muito inspirador.
Imagens de pessoas de corpos distintos em momentos bizarros, chegando a uma certa demência parece clarear porque as imagens de moda estão tão cansadas. Não tem ali o tédio conformista ou o deslumbre automático que nos acostumamos ao folhear muitas revistas de moda. Queremos ver quem é o próximo personagem, nos afeiçoamos por uns, seja a criança ou o velhinho, pode ser a menina zarôlha ou o gordo com corpo de lutador de sumô. Eles poderiam nos suscitar o riso e até desprezo, mas essas imagens nos colam a retina ao vídeo, meio encantados, meio observadores. Além disso existe uma certa atitude que poderia ser agressiva, mas nos deixa feliz, quase cômica, mas nunca debochada de nossa parte.
Para bem longe de imagens clichês produzidas ad infinitum no mundo da moda, existe uma liberdade ali, naqueles 4’38”, que transforma o grotesco em sublime como as melhores fotos de Diane Arbus ou quando Helmut Newton trilha terrenos surreais. Traz uma certa candura e inocência, como um ato primeiro.
No fim do clipe, com a japonesa vestindo um maiô da Mizuno, bem que poderia ser uma publicidade da marca, mas não é. É apenas a totalização do grotesco em encantamento!

Os mestres: acima Diane Arbus e abaixo Helmut Newton: o sublime grotesco

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