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AINDA SOBRE AMIR SLAMA…

Na sexta, fiquei discutindo (de forma saudável e dinâmica) com Fernanda Resende, via posts e depois por telefone a minha falta de energia de ver algo bom e positivo na substituição de Amir Slama por Alexandre Herchcovitch. Ela via com otimismo um biquini feito por Alexandre, eu não via com tanta euforia até porque seria Herchcovitch para a Rosa Chá, uma marca que tem seu estilo e imagem já firmados e não um biquini 100% com a personalidade de Alexandre.
Houve uma animação excessiva, no meu ponto de vista, naquilo que realmente se configura o fato. Herchcovitch ser o novo diretor criativo da Rosa Chá é apenas areia para os olhos de questões mais sérias.
Disse que o entusiamo dela era o mesmo que vi milhares de fashionistas saudando, guardada as devidas proporções, é claro, a entrada de Tom Ford substituindo Yves Saint-Laurent em sua própria marca. Claro que isso pode ser uma posição conservadora minha (eu odiei na época – não depois – quando soube que Tom Ford tomava o lugar de Saint-Laurent. Aliás, nunca engoli muito a “Era Ford”). Mas também pode ser que esse otimismo, no fundo, esconda uma crueldade mórbida pelo novo apenas pelo novo, e também um desrespeito pelo que durou anos se construindo: a imagem de uma marca (isso eu falo não da Fernanda, mas de uma atitude fashionista de achar “legal” toda e qualquer mudança apenas pela mudança). Ela finalmente cedeu e concordou comigo.
Sobre as mudanças na Rosa Chá, que nem serão muitas como eu mesmo tinha escrito nos comentários aqui, acho que Alcino novamente levantou boas reflexões sobre o ocorrido em seu blog.
Acho que também boas pistas foram dadas pelas duas entrevistas com os estilistas no “blog” da Lilian.
Alexandre explicando de maneira difícil de entender como conseguiu ser contratado por um grupo aparentemente rival. Novamente, é claro, guardada as devidas proporções, é como se ele fosse da LVMH e fosse contratado também pela PPR. Estranho!
E de Amir falando que o seu “ambiente de trabalho diurno estava cercado de verdades colocadas que faziam meu estômago se contorcer”.
Mais abaixo da entrevista do Alexandre, , ainda no site, ops blog da Lilian, tem um editorial chamado Orfanato fashion sobre marcas importantes que formaram a hoje chamada moda brasileira: Zoomp, Sommer, Fause Haten, Forum que foram compradas por grandes empresas, seus criadores despedidos e algumas hoje simplesmente nem mais existem.
É essa questão que tira o meu otimismo, esse histórico. Como se dá a relação desses criadores que ganharam um bom dinheiro pra venderem as suas marcas, se tornaram diretores criativos e não conseguiram ter o enfrentamento político necessário para continuar no comando criativo da marca? Qual o papel dessas empresas, sem vilanizá-las, na dificuldade de compreender a compra de uma marca que já tem uma imagem e um estilo? Se essas questões não forem logo resolvidas, Amir Slama não será o último a sair de uma marca que ele próprio fundou. E que resultados de imagem e produto saíram e sairão desse embate?
Como disse recentemente o filósofo suíço Alain de Botton: “Para ser feliz, esqueça o otimismo”!
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com crédito, é claro, para Maihara Marjorie