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A MODA NA TV

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É impressionante a quantidade de programas de moda que surgiram nos últimos tempos na televisão brasileira, ou melhor no último ano, tanto nos canais abertos como nos fechados. Se pensarmos que antes só tinha o GNT Fashion e um quadro no Jornal Hoje de sábado, é de se admirar a quantidade de novos quadros com dicas de estilo, programas que prometem através da modae beleza rejuvenescer a pessoa ou os famosos programas de estilo antes e depois que a pessoa é abençoada por personal stylists e se transforma a olhos vistos pras câmeras. Tudo bem que a maioria é cópia de programas gringos – não é só a moda brazuca que copia não! -, principalmente aquele das duas inglesas que jogam as roupas das pessoas no lixo e dão uma grana pra ela gastar em roupa já totalmente catequizada pelo manual do bem vestir, o “Esquadrão da Moda”.
Podemos num primeiro momento saudar que finalmente as informações de moda estão sendo democratizadas pela televisão, e que um maior número de pessoas vão poder tomar consciência da arte de vestir, fantasiar, transfigurar, criar uma imagem, tomar consciência do seu corpo e de sua individualidade. A vontade do público de obter essa informação é grande tanto que a audiência desses programas compravam a carência.
Mas ao invés abrir novas perspectivas que o conhecimento de moda pode gerar, esses programas se fecham em dogmas bisonhos do que pode e do que não pode, como regras fixas e imutáveis.
“Preto emagrece”, “listras engordam”, opa pera lá, nem todo preto emagrece, nem toda listra engorda. E se você é gordo e se sente bem com listras, não pode usar, mesmo sentindo que as listras fazem parte de sua identidade?
Outro dia estava passando um episódio do “Esquadrão da Moda” americano e tinha um cara que amava cores fortes e estampas absurdas, dessas de abravanar quarteirão. O que o casal de apresentadores fez? Pulverizou esse gosto dele, o acinzentaram, fizeram ele perder a confiança em seu estilo, não investiram dentro daquilo que o caracterizava, isso é um deserviço. E o mesmo ocorre nos programas feitos no Brasil, eles chegam a ser mais constrangedores. Tem um quadro na Record que chama “A Verdadeira Idade” que pega pessoas super carentes pra fazer uma transformação e o quadro sempre encerra com a apresentadora dogmatizando: “O importante é ser fa…” e a pessoa responde: “..shion!”. Bom, eu acho que isso não pode ahahahah.
É importante conhecer as regras, saber do que elas tratam, mas também saber que não existe pode e não pode definitivo na moda, tudo é cíclico, tudo é maleável e muda de pessoa pra pessoa. E esses programas “ensinam” exatamente o contrário.
É muito mortificante ser essa visão de moda, como ditadura, que a televisão está veiculando e seu apelo é tão grande que até programas como o “GNT Fashion” sofre mudanças. Eu vi a chamada do “GNT Fashion” com a Lilian Pacce falando que nem sempre estar de salto alto é estar elegante e não anunciando uma entrevista com alguém mega importante do mundo da moda ou um desfile impecável.
O próprio canal investiu em um programa desse porte, o “Tamanho Único”, que tem algo interessante que é contar um pouco, de forma bem resumida a história da peça em questão ou do estilo, mas segue o mesmo beabá que conto acima tirando um pequeno detalhe que faz toda a diferença. Em geral, os programas mostram um antes e depois como se fosse um passo de mágica. Chiara Gadaleta Klajmic, uma das apresentadoras que faz a transformação na personagem, se permite errar, testar, trocar a peça que recomendou em um primeiro momento porque não ficou bom – e esse processo aparece no programa. Existe enfim o exercício de observação e construção como um work progress que é fundamental no trabalho de um personal stylist e que nunca aparece nesses programas e que seria um passo pra entender que pode errar sim, que faz bem quebrar regras e convenções em nome da sua individualidade, que nada é tão categórico assim. Sobre isso, as meninas do Oficina, que exercem também a profissão, fizeram um texto primordial e com ele que encerro esse post: Ninguém tem que ter medo de experimentar!
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PS: Essa imposição do pode e do não pode como verdades absolutas também está presente nos reality shows de moda que esqueci de citar.

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