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POR UMA POÉTICA FASHION

Fiquei muito intrigado e pensando o que levou alguns comentários no post sobre Um dos Dois Lados da Moda a acharem que aquilo que segundo o Youtube foi exibido ao vivo em um canal local de Pernambuco era algo fake. Primeiro pensei que era uma diferença regional e como comentei no próprio post: “Quem assiste tv no Nordeste vê muito essse tipo de reportagem, mais solta, longe do padrão boneco duro do Sul maravilha”. Mas depois pensei se não foi o clichê do discurso da repórter com textos como “tá super em alta”, “valorizam o decote aliando…”, “eles contam com leveza e trazem jovialidade para os looks” que possa ter dado o tom fake ao vídeo. Termos tão usados e que acabam perdendo o seu significado, fica apenas o signo “sou expert em moda pois domino sua linguagem”.
Nesse sentido, volto para um texto que teve uma certa repercussão aqui no blog onde anuncio o uso desproporcional da palavra crise, seu desgaste e seu aparte colonizador, já que a palavra serve muito mais como cópia da crítica dos editores interncionais do que uma análise pertinente na maioria dos casos. Sem falar que o desgaste de uma palavra leva ao seu clichê e por fim ao seu esvaziamento e a idéia de fake, isto é, ela pára de revelar algo.
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Penso nisso como algo sintomático nos textos de moda – eu mesmo não sei como me livrar de tantos clichês que caem sobre meus textos – e uma reação por uma verdadeira poética na crítica de moda seria um passo necessário, apesar de difícil, mas não impossível para uma nova crítica de moda.
Vejo felizmente sinais – pelo menos de questionamento – do uso excessivo de certos termos na moda que com o tempo esvaziam seu significado e acabam por nada dizer.
No texto de Alcino Leite na coluna Última Moda que escreveu sobre o desfile da Jil Sanders em Milão para o inverno 2009:
Certos críticos chamaram-na de “futurista”, mas o termo virou um clichê no meio da moda. Não há nada de futurista na coleção de Raf Simons: há apenas uma ousada experimentação com formas circulares, o tratamento hiperbólico das dobras e ondas das roupas, o desejo de desafiar a fixidez da silhueta.
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Olhos livres para a crítica de moda! Acima de tudo como Raf Simons os utilizou para penetrar na obra do ceramista francês Pol Chambost.
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PS: O uso da palavra poética também é um clichê!!!!