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DÁ UM TEMPO

Hoje foi todo aquele burburinho entre os fashionistas, primeiro em uma coletiva para jornalistas da área econômica para anunciarem que “a Luminosidade, uma empresa do Grupo InBrands, e o Grupo ABC, através da Maior, que reúne as operações de conteúdo e entretenimento do ABC, anunciam hoje sua associação, o que possibilitará significativa expansão da atual plataforma brasileira de moda – incluindo entretenimento, comportamento e geração de conteúdo nas áreas de eventos, comunicação, projetos ligados a novas mídias e feiras de negócios”. Traduzinho grosseiramente, Paulo Borges passa a comandar também o Rio Summer de Nizan Guanaes. Uns saudaram com alegria a consolidação de um só caminho talvez mais certo para a moda brasileira, outros lamentaram um certo monopólio das semanas de moda no país.
Pra mim de imediato veio uma certa mania “de vidente” que a gente [os fashionistas] tem de sempre se colocar mesmo antes das coisas começarem a funcionar. Eu, particularmente, não tenho opinião formada sobre essa nova dança das cadeiras que já está se tornando uma constante nos últimos tempos na moda nacional. Acho que realmente deve ser nota ou uma notinha mesmo dos cadernos de economia, talvez diga muito mais a eles, na opinião de quem fez tal coletiva. Talvez pra eles, os cadernos de dinheiro, isso tenha alguma novidade…
O que eu tenho opinião sim, é sobre essa política de resultados [e nesse caso não estou falando dessa parceria que pretende mudar o Rio Summer, apesar dela responder em algum ponto a essa lógica] que a moda brasileira se transformou imitando o pior do capitalismo. Mais clichê do imitar o pior do capitalismo é citar uma letra do Caetano Veloso: “Aqui tudo parece que já é contrução, e já é ruína”. A voracidade e a velocidade da saída de estilistas de certas marcas, grifes que perdem a sua identidade a cada temporada para acharem o valor de venda, algumas semanas de moda que a cada momento seguem uma lógica, tudo e todos à procura de resultados, que nem sempre são os do campo econômico. Ultimamente na moda tupiniquim nunca se tem tempo nem pra vermos se era um viés que ela muda tudo de ponta cabeça. É preciso de tempo e coragem de investir para que algo consistente realmente surja, estamos na era do entulho.
Por isso ao invés de emitir minha opinião agora, prefiro esperar ver uma semana de moda como o Rio Summer que teve apenas uma edição desastrosa [na minha opinião] se firmar um pouco, pois assim, espero, as coisas tenham tempo de se mostrar antes de chamarmos a demolição.
PB, Nizan e Gabriel