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CASA DE CRIADORES – WALÉRIO ARAÚJO


Walério Araújo causou um certo estranhamento ao anunciar que sua inspiração para o inverno 2010 partiu do filme “Mágico de Oz”, clássico de 1939 com Judy Garland. Como a alta voltagem sexual das mulheres do estilista caberiam em uma história tão puritana? Escapando da armadilha de fazer fantasias, já que sua moda é bem carnavalizada e essa poderia ser uma solução fácil diga-se, o estilista encontrou o eixo certo para construir sua coleção: a mulher como poderosa condutora de uma história.
Do mesmo modo que Dorothy, a personagem central de “O Mágico de Oz”, comanda e manda em todos os personagens masculinos, Walério abre o desfile com uma dominatrix em um vestido de couro acolchoado preto, com muito volume, sobreposto sobre a fragilidade do tule que aparece apenas na barra. Atrás dela literalmente, homens todos de preto com modelagens justas, vestindo casacos e casacas sóbrios e quepes. Está dada a largada para um tema que o estilista domina muito bem: o fetiche!
A silhueta de grande parte das peças é justíssima, ela só ganha volume se interessa ao estilista dar alguma dramaticidade à cena. E as amarrações, que dos vestidos chegam até os sapatos, dão o toque perverso seja no tule, no cetim, na camurça, no veludo ou no crochê.

[infelizmente, como já escrevi em um outro post, não consegui encontrar a foto das costas desse look que é muito mais importante que a frente]

Apesar do preto dominar a cena, a cartela tem cores tanto opacas como o nude assim como vivas. E é no sensacional vestido de babados na altura do joelho com as cores do arco íris que ele demonstra que sabe o que pode estar “over the rainbow”, pois as costas estão desnudas, um sinal de perversidade que aparece em outros bons looks do desfile. Sem falar do look final, uma Dorothy que exala sensualidade.

Da história que tem leão, espantalho e homem de lata, ele aproveita para brincar com plumas, metais, pedrarias e pele que aparecem aplicadas nas roupas. Mas nada é literal, assim como seu fetiche que ele deixa escapar um pitada de romatismo com corações ora aplicados, ora vazados nas roupas durante toda a sua coleção. Todo personagem masculino tem seu duplo feminino e Walério acerta mais e melhor quando desenha para as mulheres pois são elas que comandam – muito bem – seu imaginário.

Texto escrito especialmente para o Uol Estilo. Para ver as fotos, o vídeo e ler no site, clique aqui, aqui e aqui.

PS: Prova da dominação de suas mulheres, é que ao final, para os agradecimentos, tocou a fantástica “Vaca Profana”. E eu numa livre associação encontrei sua verdadeira Dorothy:

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CASA DE CRIADORES VERÃO 2010

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Gêmeas

Há um ano atrás escrevi de problemas de narrativa na Casa de Criadores, também não estava claro o que André Hidalgo, o criador do evento, pretendia quando disse na época sobre tentar que os estilistas fizessem uma moda mais comercial. Na realidade, ele queria dizer uma moda com produto e hoje ficou muito claro nessa edição que parece que o evento segue esse feliz caminho: melhorou as narrativas [edição] de seus desfiles (raros os que se perderam) e apresentam hoje mais produto que nos anos anteriores. Existem mais peças com possibilidades de serem comercializadas no varejo e mesmo assim ainda mantém o seu espírito underground e experimental.
Já comentei da excelente surpresa do LAB, com certeza o melhor que já vi em todos esses anos, isso faz a gente sair um pouco do clichê de sempre apontar os mesmos como melhores apesar de os mesmos, as Gêmeas e Walério serem realmente os destaques do terceiro dia.
A personalidade das Gêmeas já está tão amadurecida que elas podem pegar um tema que milhares de estilistas já trabalharam, o México, e transformar em algo totalmente seu.
E Walério dispensou Claudia Leite e fez o que realmente sabe: mixar o popular com o glamour, referências que traz de seus trabalhos na 25 de Março e na São Caetano, a rua das noivas.
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Walério [e Vivi Orth na campanha por mais sorrisos na moda]

CASA DE CRIADORES: CELEBRIDADES NA PASSARELA – O CASO WALÉRIO ARAÚJO

Não sou da linha que prega cada macaco em seu galho, mas muitas a maioria das vezes o apelo de uma celebridade compromete um desfile. Para mim a Xuxa na passarela do Lino foi um desastre, já na Ellus, ela quase não comprometeu o desfile, mas a marca de Nelson Alvarenga acertou mesmo foi com Chloé Sevigny e Fernanda Torres que apenas assistiram a coleção. No caso da atriz americana, no final ela se levantou e foi agradecer junto com os estilistas. Uma saída inteligente para algo que sempre problematiza um desfile.
A vantagem de ter uma celebridade na passarela é toda uma atenção da mídia para a marca que parece que com elas no casting de um desfile ganha-se um toque de midas especial.
Mas os problemas para quem entende de moda são muitos. Em primeiro a maioria das celebridades não sabem carregar uma roupa como uma modelo, falta a elas a atitude necessária para abandonar a personalidade a favor da roupa. Uma boa modelo é aquela que se ausenta e transfere sua alma para as roupas/looks as iluminando.

Outro fato adverso é que elas sempre causam ruído na narrativa de um desfile, pelo fato de não entenderem como colocar a roupa a frente de sua personalidade. Podem reparar como toda celebridade fica esperando os aplausos da platéia desde o primeiro momento que pisa na passarela e sempre depois de alguns gritinhos das groupies, estampa-se no seu rosto um sorriso ególatra. Essa atitude pode ser conferida também em Gisele Bündchen quando desfila no Brasil como se perdesse a personagem ausente que a transformou em uma übermodel para mostrar a atual celebridade presente é.

Muitas vezes em um desfile, toma-se a decisão acertada de colocar a celebridade abrindo e/ou fechando a coleção para não comprometer de todo a narrativa.
Walério apresentou para o verão 2009 uma coleção cheia de boas idéias, seus vestidos se desdobravam e de longos ficavam curtíssimos. Mas a operação não foi mostrada gerando uma falta de efeito, marca do estilista que sempre dá uma “causada” em seus desfiles com algum look inesperado. O efeito foi todo depositado na presença de Claudia Leitte, cantora baiana em evidência hoje. Pareceu-me que para quem concebeu o desfile, a presença da celebridade pudesse substituir a comoção fashion que o estilista sempre faz nossos olhos brilharem em seus desfiles.
O problema que citei acima da importância da modelo saber carregar uma roupa e ausentar-se foi muito prejudicada com Claudia posicionada no meio das modelos. Tanto que a sempre tão esperada aparição do estilista, que me fez apelidá-lo de John Galliano brasileiro, foi completamente um anticlimax, pois até ele a celebridade “não respeitou”, deixando no ar a vontade de ver Walério dar sua famosa sambadinha.

CASA DE CRIADORES: PROBLEMAS DE NARRATIVA

Tive uma reacão bipolar quando li os depoimentos de André Hidalgo, o criador da Casa dos Criadores, sobre uma nova fase de sua semana de moda que irá ter uma visão mais comercial. Achei interessante ter essa proposta de pensar no produto e na sua comercialização já em desfiles de gente que ainda não tem uma estrutura de vendas muito forte. Em compensação também achei estranho um evento de jovens estilistas já ficar tão mercantilizado, afinal o que se espera de novos criadores é ousadia experimentalismo e novidades. E digamos que uma visão comercial disso pode num primeiro momento podar toda essa energia.
Demorei pra escrever algo sobre a Casa de Criadores, que é um evento que tenho muito carinho, pois fiquei muito decepcionado nessa edição diferentemente da maioria dos fashionistas que salientaram uma certa profissionalização. Não consigo ver essa tal profissionalização por um quesito básico. Muitos estilistas que apresentaram coleções nessa edição erram no be-a-bá. Com raras exceções como as Gêmeas, João Pimenta e Walério Araújo, muitas marcas não conseguiram narrar seus temas e desejos, ficou tudi cofusi!
Mesmo se a proposta é não narrar, a não narração é uma forma de narrativa então tem que ser pensado com muito cuidado a edição de um desfile. Looks desnecessários era o de menos, mas quase nenhuma história se fechava visualmente, bastava ficar atento na fila final das modelos pra perceber de cara o que digo. Quando não se consegue narrar fica quase impossível construir uma imagem, a função maior de um desfile, então muitas vezes parecia que se via extratos de filmes ou colagens dadaístas sem a atitude do movimento.
Prefiro não citar nomes nem colocar imagens, por uma delicadeza às pessoas que estão começando e tem todo o direito de errar, mas espero que esse grande lapso seja corrigido na próxima edição.

WILSON RANIERI E WALÉRIO ARAÚJO ARRASAM EM BAZAR

Tinha prometido dar um tempo de colocar bazares aqui no blog, mas eu adoro tanto os dois e os preços são tão bons que não resisti.

Wilson está liquidando  peças de R$ 25,00 a R$ 150,00. Pense de blusa a vestido, passando por blazer, calças e sapatos! Tá super barato!

E o Wilson avisa: “Tem tamanhos diversos, não é só mostruário, viu!”

Tudo isso acontece na loja do Walério lá no Copan (aproveita e tome um café no Floresta), mas preste atenção nas datas e horários. Começa hoje, quinta, dia 28 de fevereiro.

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