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MARINA LIMA + VANESSA MONTEIRO + D’AROUCHE


Esse é o ângulo gravado por Alvaro Petrillo

Todo mundo que assistiu o show da Marina Lima, na segunda, dia 16, no clube Glória, saiu encantado. Ela tava super a simpaticona da buatchy, falou pra caramba, exercitou seu lado lésbico de ser com desenvoltura e felicidade nunca antes vistos já que esse seu cotê sempre foi muito reservado.
Mas além de se mostrar mais solta, ela estava muito linda e cheia de atitude. A velhice lhe fez bem. Adorei ela de D’Arouche, a marca criada pelos stylists David Polack e Carol Glidden-Gannon, que trabalhou em Nova York com Patricia Fields. O look em preto e branco fazendo trompe d’oeil de um colete e também de duas gravatas tem muita comunicação com uma idéia que temos de Marina lá dos anos 80 e talvez seja ainda hoje a sua imagem mais pop.
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Mas o grande momento do show foi quando a stylist Vanessa Monteiro subiu ao palco e cantou com Marina. Vanessa é o braço direito dos desfiles de Fábia Bercsek, isto é, sabe muito bem como construir a imagem de uma mulher forte, independente e ao mesmo tempo sexy, aliás ela mesma é assim.
E a soma de tudo isso: Marina Lima + Vanessa Monteiro + D’Arouche fez a segunda terminar em grande estilo!


E esse é o ângulo gravado por Dacio Pnheiro

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ALOHA COPACABANA & FILHOS DE BAMBI

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Fui pela primeira vez num show da Cibele – vergonha? – e adorei. Ela é divertida, tem um senso musical incrível, uma voz linda e os arranjos são inteligentes e bem sacados. Mas o que realmente me impressionou e me divertiu foi o projeto musical Aloha Copacabana. Formada por Fábio Gurjão, Rick Castro, Vanessa Monteiro, Douglas e quem mais vier – até Cibele subiu no palco novamente -, eles mezzo dublam mezzo cantam, mezzo fazem uns sons. Enfim é um deboche punk! Ou como define o próprio Fábio Gurjão: “Não é uma banda de rock, é uma banda de roupas!”



Dizem que no Carnaval os abravanados terão bloco no Carnaval carioca: os Filhos de Bambi e as camisetas são todas da FKawallys:
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AVAFANDO=ABRAVANANDO COM AS ARTES PLÁSTICAS E COM A MODA

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Fábio Gurjão realizou sua performance-ação-desfile-ação comercial na última terça, dia 2 de dezembro, abrindo os trabalhos da a.v.a.f. [assume vivid astro focus] que desta vez vem com o nome Axé Vatapá Alegria Feijão e encerra em clima de grande festa com direito a trio elétrico sua intervenção na Bienal do Pixo no sábado, dia 6 de dezembro.
A princípio, o evento aconteceria no andar do vazio, mas acredito que por problemas técnicos + ideológicos, eles preferiram deixar o segundo andar para o autoritarismo da arte contemporânea de vassalagem. Pois bem, foi tudo no térreo mesmo e o clima era de galpão de Escola de Samba.
Enquanto sua ação era realizada ao passar do tempo (das 19 às 22 horas) – não se esqueça que além do desfile tem a ação dos fotógrafos, trilha e araras para a compra das roupas ali mesmo -, um carro alegórico era preparado por Eli Sudbrack, Silvia e equipe, a cantora Cibele Cavalli que virou Kivelle Bastos, a persona abravanada estava realizando ali uma mandiga-instalação e o talentoso Ed Inagaki, que montou seu Ateliê Abstração na paralela da ação de Fábio e sua FKawallys, mostrou uma camiseta com capuz que ele chamou de fantasmando e que também nos remete ao uniforme dos presidiários e/ou guerrilheiros – muito oportuno para esse momento portas fechadas da arte contemporânea de vassalagem ou aos fantasmas que rondam o andar do vazio.
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Buuuu Bienal
Já na entrada, um clima diferente daquilo que Denis Rodriguez também desenhou e era tão verdadeiro durante os dias de Bienal que antecederam a chegada dos avafanados=abravanados: a opressão dos seguranças [acredito que para combinar com o andar vazio e o autoritarismo de seus curadores].
O ar estava mais leve entre os seguranças e alguns até queriam se enturmar com os abravanados. Eles nem revistaram minha mochila…
Ao chegar, muita gente tirando fotos, e Fábio já nos mostrou a cadeira Fila A e cadeira de Imprensa pra gente sentar na passarela. Quer iconoclastia melhor que essa?
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Nossa, essa roupa é uó! Pena que esqueci meu bloquinho…
As coisas corriam soltas, algumas pessoas compravam as roupas na arara, outras cantavam as músicas do rádio, outras ficavam paisageando, Bianca Exótica fazia amizade com os bombeiros…
E foi assim, sem nenhum alvoroço, numa relax, numa tranquila e numa boa que Fábio Gurjão anarquizou com o mundo das artes plásticas e da moda.
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Ao vender as suas camisetas dentro de um espaço de arte, ele evidencia o jogo do comércio disfarçado em simulacros de “arte” feito pelas galerias, museus e bienais. A questão grife é tão mais importante na arte contemporânea de vassalagem que na moda. Afinal um Jeff Koons vale mais que um Marc Jacobs, não?
Existe um valor para aquilo que não tem valor – o espiritual da arte? Por isso seu preço será sempre alto conforme não o seu valor artístico mas seu valor de mercado – em contraposição a isso, as camisetas de artista de FKawallys eram baratíssimas, tudo 30 reais.
Sem falar da ocupação de um lugar sagrado das artes com um desfile de moda – considerado até pelos próprios críticos de moda (?) algo menor que a suprema arte.
Para a moda, ele trouxe orgulho e auto-estima. Não existe terreno mais almejado por jornalistas de moda, estilistas, stylists que o terreno das artes plásticas. Muito pelo valor [falso] e o status [de novo-richismo]que hoje as artes plásticas ganharam. Talvez porque lá o valor da grife [no caso o nome do artista] foi criada de maneira tão escondida e dissimulada que consegue iludir que estamos no terreno do espiritual e não do mercado.
FKawallys está fora dessa etiqueta e dessa lógica canhestra. Em nenhum momento ela se acredita menor que as artes plásticas, não procura como a maioria dos fashionistas aliar-se às artes para ganhar status, esse ISO de ignorância.
Se trabalha dialogando com as artes plásticas é em pé de igualdade. Ele não se acha inferior por fazer moda e muito menos por realizar camisetas [infelizmente considerada carne de segunda na moda].
Ao porpor um desfile em plena Bienal, ele sabe que aquele pode ser um de seus espaços, não o único. E ao vender seu produto que é o mesmo que está sendo desfilado tudo ao mesmo tempo agora ele critica a lógica da chamada imagem de moda tão difundida entre os fashionistas. Essa lógica: a grande parte das vezes o que se desfila não é o que se produz. Cria-se uma imagem falsa da marca, pois na loja temos, em geral, aquilo que é do mais comercial [de alguma forma ele dialoga com o excelente desfile Do Estilista para o verão 2009].
Agora o mais importante, ao fazer essa performance-ação-desfile-ação comercial que outros “artistas” também se acoplam, onde todos, público, visitantes, compradores, funcionários da bienal podem participar [ atentando ao detalhe que a Bienal é de graça], enfim, ali se realiza uma ação de inserção e inclusão. Ao final ele obtém uma obra verdadeiramente duchampiana onde todos que participam são artistas e estilistas ou melhor, vivem a arte como o mestre da roda de bicicleta sempre almejou!
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PS1: E o melhor, disse Fábio Gurjão o tempo todo como autor [não que ele não tenha participação decisiva] no texto por conformismo da linguagem que precisa nominar, mas sinceramente as fronteiras se romperam pois eu não sei se foi a a.v.a.f. , os abravanados, quem apareceu por lá para criar isso tudo que aconteceu no dia 2 de dezembro. Enfim, na realidade foi uma confluência de idéias e desejos!

SPFW: NÃO EXISTE MULHER MAIS FORTE QUE A DE FABIA BERCSEK

Pelo menos no Brasil não existe uma mulher tão forte como a de Fábia Bercsek. Se eu fosse mulher e quisesse transmitir uma idéia de segurança, energia e independência, com certeza teria inúmeras peças da estilista no meu guarda-roupa.

O mais fascinante que essa força não vem em nada da já tradicional invasão das mulheres ao guarda roupa do homem, já que o arquétipo masculino está muito mais associado á idéia de força e independência.

A estilista resolve com muito “allure” a questão de transmitir vitalidade e confiança mantendo-se feminina. Esse talvez seja um dos traços em seu trabalho que mais me intrigam e encantam.

A questão da força em suas criações está na atitude: na atitude de conciliar materiais, de acreditar em seu traço e desenho, na postura de certas modelagens e no styling (sempre ótimo de Vanessa Monteiro). E agora na sua visão das roqueiras, talvez uma das pontes para entender a questão da força conciliada com a feminilidade.

Soltando a voz com seu projeto kamikaze, “Oz Poneyz”, junto com os djs Luis Depeche e Eduardo Correli, Fábia também solta ainda mais essa visão, pois os vestidos ultra femininos do último bloco tem a mesma força rocker que os primeiros looks pretos.

Porque “it’s only Fábia, and I like her”.

fabiacanta.jpg foto Charles Naseh – site Chic