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SINESTESIA NA MODA

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Sinestesia é uma figura de linguagem próxima à metáfora que consiste em aproximar, na mesma expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos dos sentidos. Um exemplo: Senti um cheiro amargo ao ver o sapato verde.
Essa adorável confusão de sons e sentidos chegou a influenciar a escrita de moda [poderia influir mais] com o termo perfume, difundido por Suzy Menkes.
E nesse sentido, foi também assim pensada a nova loja em Paris de Issey Miyake que abriu faz menos de 1 ano.
O vídeo abaixo e a foto acima são do coletivo Terri Timely formado por Ian Kibbey e Corey Crease que trabalharam a sinestesia no mesmo grau de intimidade que temos com as roupas. Pois a nossa maravilhosa balburdia de sentidos se dá com as roupas em forum muito pessoal, doméstico. Veja no som do toque dos tecidos que nos trazem recordações e cheiros, na força das cores e das estampas que muitas vezes nos cegam ou nos podem lembrar frutas ou mesmo na silhueta de um vestido que nos recorda formas (ovo, a letra A, balão) toda a força sinestésica da moda.

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SUZY MENKES ENTRE NÓS E OS DOIS MAIS BELOS POSTS DA TEMPORADA

As jornalistas estavam tão na “loucurinhas” que nem notaram a famosa presença de Suzy Menkes na sala de imprensa e seu inseparável laptop.

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Ahahahahah! Essa é a Brisa, querida, bem mais jovem, mais bela e simpática que Menkes, mas já cultivando um topetinho à la editora do International Herald Tribune. Ela tem um blog só de tatoos e eu até mostrei a minha.

Mas o que me tatuou de verdade nessa temporada foram dois posts que explicitaram posições que eu acredito e tento cultivar no meio de moda.

Fernanda Resende escreveu sobre as verdadeiras prioridades
, que todo o circo armado da moda pode nos fazer esquecer.
E Jana Rosa fez as imagens mais lindas de uma verdadeira afetividade fashion, que muitos dizem não acreditar, mas está lá.
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Nina e eu

O RECADO DE MICHELLE OBAMA

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Não existe nada mais conservador e delicioso do que analisar o guarda-roupa de uma primeira-dama. Assunto que sempre rende matérias, principalmente na época da posse e nos meses seguintes, elas logo são fadadas ao esquecimento. Poucas perduram e merecem a nossa atenção como Jackie O. ou Carla Bruni, ou aqui no Brasil, Teresa Goulart e seu estilo bossa-nova pré-ditadura militar. Sem falar da explosiva guerra fria de estilo entre Nancy Reagan e Raíssa Gorbachev.
Agora os olhos dos fashionistas miram para Michelle Obama. A revista “Vanity Fair” a elegeu a mulher mais bem vestida de 2008, antes mesmo dela tomar posse. Dona Michelle adora um bom corte clássico e prefere usar grifes desconhecidas, como uma verdadeira recessionista. As estilistas da futura primeira-dama até então eram as não muito conhecidas Maria Pinto e Donna Ricco.
Muitos “especialistas” não gostaram do vestido que apareceu na festa da vitória do marido e veio uma enxurrada de críticas. Um Narciso Rodriguez da última coleção de verão 2009 adaptado para o momento, isto é, o decote subiu e se arredondou em respeito ao novo cargo de Michelle. Mas o que a nova primeira-dama quis nos transmitir com esse vestido?
Lembrem-se da visão icônica de Cécilia Sarkozy de Prada na posse do seu então marido e atual presidente da França Nicolas Sarkozy. Suzy Menkes leu em seu traje que ali está claro um capítulo novo na velha guerra dos sexos na moda. Hoje podemos entender um pouco mais além, ela já naquele momento se declarava independente de todo aquele circo que Carla Bruni tão bem soube se inscrever. Cécilia e seu Prada pareciam dizer: “Sou livre”, tanto que o divórcio não tardou entre eles.
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Cécilia: livre e em desintonia com a família.
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Sintonia nas cores!
E Michelle, ao escolher os tons de preto e vermelho formava como um laço com os outros membros de sua família que também estavam no mesmo tom, simbolizando que de alguma maneira estavam interligados, unidos entre si, como o discurso de Barack logo mais pediria aos americanos: união nesse momento de crise. Me pergunto se a escolha de Narciso, um latino (e vencedor como os Obamas) e da mesma forma que os negros, discriminado pelos WASP não foi à toa?
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modelo adaptado

E você que achou do vestido de Michelle Obama?

SUZY MENKES AOS 20

Diz a lenda que se hoje o povo da moda adora as palavras perfume ou DNA é porque teve Suzy Menkes atrás desses verbetes, os utilizando em primeira mão de forma repetitiva e intensa.
Em Paris, Alcino Leite me chamou atenção para o tipo de texto de contaminação de Suzy. Ele disse que em todo os seus textos nessa temporada ela tentava imbutir a idéia de crise. Isso desde antes das bolsas desvalorizarem e eu não estou falando de nenhuma Louis Vuitton.
Resultado: todas as análises da temporada tinham a crise econômica como mote ou esbarravam nela. e convenhamos que a crítica de moda odeia assuntos externos aos seus específicos, então é muito interessante ver a deliciosa alienacão da moda se conectar com a chamada realidade negra da economia atual. Obra de Menkes!
Isso demonstra a influência da editora do International Herald Tribune que fez festa em Paris no museu Galliera para a abertura da exposição Suzy at 20. Quem não foi, mandou uma mensagem por vídeo tipo Anna Wintour.
Lacroix, Alber Elbaz, Giambattista Valli, Olivier Theyskens, Yamamoto foram ao beija-mão e Dries Van Noten disse ao WWD que todos, sem exceção, naquela sala já foram demolidos por ela mas sempre com coerência por isso estavam lá.
Bom, o que eu mais gostei foi vê-la menos enfezada ao lado das netas na temporada, pena que não achei a foto, mas aqui tem Alexandra Farah que foi na abertiura da exposição e teve a sorte de pegá-la de bom humor e até responder umas perguntas.

CHANEL É SOBERANA!

Fim do desfile de Chanel e as editoras todas na montação


Francamente Sozzani, a Vogue Italia é a melhor, mas os seus cabelos…


Suzy se Menkes que aqui todo mundo usa preto, mas eu sei, a unanimidade não é pra ti!


Pardon Carine, mas tu é muito magra, que tal uma pratada de feijão com arroz?

DIRETO DE PARIS


Ontem vi outro icone fashion: Suzy Menkes que nem é tão gorda como pensava e confesso que me deu vontade de dar um tapa naquele topete dela, tipo: “Pedala, Suzy” porque senão você vai chegar atrasada no desfile. Ela realmente é um mito. Outro momento que amei foi pegar o ônibus fashion, tipo desses de viagem com os fashionistas do mundo todo. Esse momento do ônibus é um dos que mais amo. E por fim fui jantar com o Alcino que chique e intelectual que é me levou num café frequentado por Michael Foucalt. E nada melhor do que uma boa conversa com muita risada pra encerrar a noite.
Ah! No Uol estilo tem notas que fiz sobre a temporada.

AS EDITORAS E JORNALISTAS DE MODA

 

A Oficina de Estilo fez na semana passada um texto convidando eu, Oliveros, Maria Prata, Luigi e Sylvain para explicarmos qual a importância de ler as editoras  e as jornalistas de moda.

O texto super bem editado falou dessas personalidades que tanto fascinam o mundo da moda lá e aqui na terrinha.

Só o que escrevi daria um post “em si”, por isso abaixo tem tudo o que escrevi sobre elas, as amadas diabas:

 

 

BRASIL

 

O pensamento crítico de moda no Brasil é muito recente. Pensar que deve ter menos de 40 anos que começou a se pensar moda no país e nem era de forma sistemática podemos então visualizar todo um terreno a ser explorado.

A formação de uma corrente crítica de moda passa por diversos problemas: o papel de periferia de idéias que o país ainda se reconhece, o colonialismo cultural, a produção muito recente de semanas de moda etc etc.

Mesmo assim temos desbravadores:

 

Regina Guerreiro – Atualmente escrevendo na Caras Moda, seu destaque é óbvio pois desperta o interesse de em um mundo cheio de festas de medalhas como o da moda brasileira, ela põe o dedo na ferida e fala que não ta nada bom. Apesar de todos saberem, ela é quase única nesse papel de desafiar o coro dos contentes publicamente. Sem medo dos bafos e com muita coragem, já que no mundo fashion os trabalhos são sempre embrenhados com as marcas, ela se livra de certa maneira dessa promiscuidade com um alto teor de humor, não é não, queridinha?

 

Costanza Pascolato – Eu ainda não entendi como não teve nenhum editor ou editora de livros que não pegou os textos únicos que ela escreve na Vogue Brasil e os copilou para um livro de moda. Ali tem muito pensamento de moda e como já escrevi sobre a importância de ler Costanza acredito que “sempre as entrelinhas de seus textos são espaços imensos de reflexão”. 

 

Fernando de Barros – ele não escreve mais na Playboy pois já faleceu, mas desde que abandonou o cinema e invadiu a moda, não deixou de investigar e educar sobre a moda masculina. Então vale pesquisa de seus textos em revistas antigas. Outro que deveria ter seus textos copilados em livro.

 

Com a semana de moda em são Paulo e depois no Rio a crítica começou a crescer.

 

Lílian Pacce – Como já falei em entrevista para o Fora de Moda, ela é minha mestra, então acompanho o trabalho dela bem de perto. Já colaborei em seus cadernos especiais para O Estado. Tem um texto impagável sobre a roupa que Lula e que FHC usaram na visita a Rainha da Inglaterra.mas foi com “Pelo Mundo da Moda – Criadores, Grifes e Modelos” que existe ali uma primeira sistematização de uma editora de moda perceber seu pensamento.

 

Alcino Leite – Intelectual, culto, bem humorado, zeloso e respeitoso em relação ao passado de moda do país, Alcino é sem dúvida leitura obrigatória todas as sextas na Ilustrada, caderno da Folha de São Paulo. Seu último editorial na Revista de Moda do jornal dizia: “Abaixem os preços, democratizem a cultura de moda e parem, então, de reclamar que os brasileiros se vestem tão mal!”, Com certeza, um manifesto da maior importância hoje, sem falar de um que ele defendia as modelos as chamando de operárias do mundo da moda e terminava assim, bem marxista: “Modelos de todo o mundo, uni-vos”. Genial!

Carol Vasone – Um texto independente, explicativo, cheio de idéias, adoro acompanhar o que escreve durante a temporada internacional no site da Uol. Sua rapidez e concisão faz dela uma das principais jornalistas online do país.

 

Alexandra Farah – Outra da internet, tgexto delícia, diversão garantida e informação de moda.

 

Lula Rodrigues – Moda masculina é com ele e o Sylvain, é claro.

 

Apesar de ser no Rio e não ter pouco acesso aos textos,  respeito muito a escrita de Iesa Rodrigues e de Gilda Chatagnier.

 

 

INTERNACIONAL

 

Amo muito Suzy Menkes, principalmente pelo acesso à informação privilegiada e como ela abre o leque com essas informações em seus textos sempre tão bem escritos (fora o topete e o fato de ser obesa, quase um crime no mundo da moda).

 

Ultimamente a jornalista que tenho considerado mais interessante é sem dúvida Cathy Horyn do New York Times, onde exerce aquilo que considero crítica de moda desde 1998. É ainda mais interessante o seu blog, o On the Runway. Numa mesa de fashionistas bacanas, quase boteckers, o fotógrafo Marcelo Gomes levantou a qualidade dela de surpreender e sair do óbvio e da reverência sem criticismo do mundo da moda, como por exemplo: ela teve a coragem de perguntar qual a relevância de Rei Kawakubo hoje, quase uma ofensa aos adeptos do japonismo. Essa liberdade faz com que pague um preço, como ser banida de alguns desfiles como o de Giorgio Armani, mas ao mesmo tempo a faz conseguir cada dia mais leitores, pois sabemos que ali tem um pensamento crítico e sólido. E o mais bacana, sem medo de ficar no lugar comum.