Arquivo da categoria: streetwear

PHARRELL WILLIAMS

Pesquisando muito para os roteiros do programa “Moda e Música”, acabei comprovando algo que intuía – e era evidente dãh -: os rappers são os mais fashionistas do mundo da música. O envolvimento deles, não só com um estilo especial de se vestir, afinal, o streetwear deve muito ao hip hop, fez com que eles acabassem investindo em criar suas prórpias marcas. Isso tudo significa uma posição de sujeito na história, nunca quiseram e nunca ficaram no topo inferior da pirâmide da moda e nesse sentido estão muito mais ligados aos criadores do que aos diluidores.
Essa relação entre rappers e moda aconteceu desde os primórdios do movimento com o Run DMC declarando sua paixão pelos tênis na música “My Adidas”, o que levou a empresa alemã os convidarem para criar uma linha para a marca e, é claro, que o pisante tinha todo o estilo hip hop, com a língua do calçado grande e felpuda, o cano altoe o jeito todo especial de fazer a amarração. A parceria dos rappers com a marca continuou com a excelente coleção de Missy Elliott para a Adidas.
Quando Snoop Doggy Dogg, no começo dos 90, apareceu Saturday Night Live vestindo uma camiseta Hilfiger, as vendas desse mesmo produto se esgotaram em Nova York. Logo, tanto as marcas como os rappers perceberam que era um grande negócio e com muito futuro essa união.
Muitos rappers foram parar na primeira fila dos desfiles de moda e alguns até entraram na passarela como aconteceu com Coolio e Puffy Daddy desfilando nas semana de moda de Nova York. O próprio Puff Daddy virou Sean Combs e abriu uma marca hoje respeitada, a Sean John assim como a G-Unit, a marca do rapper 50 Cent ou a Rocawear de Jay Z . Kanye West lançou nesse ano, sua coleção, a Pastelle e por fim, o que pra mim é o mais fashion, sem perder o allure streetwear dos rappers: Pharrell Williams que, além de ser figurinha carimbada dos desfiles de Paris – como West -, criou linhas óculos e jóias para a Louis Vuitton.

Pharrell Williams é produtor musical e cantor, e junto com Chad Hugo forma o duo de produção The Neptunes – dizem que vão produzir um álbum com remixes de Michael Jackson. Já o N.E.R.D. tem o duo mais Shay Haley.
Pharrell participou – até do clipe “Give It 2 Me” – da produção de algumas faixas do álbum Hard Candy, da Madonna. Sua imagem acabou de ser imprimida em um curta, “Around the Earbridge”, que ele presta homenagem a Van Gogh e como bom fashionista que é, veste roupas de Rick Owens.
Mixando a cultura skate, rap e pop, acho Pharrel um signo muito atual tanto em estilo como atitude.

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Atualizando um look formal com jeans e relógio pop. E atualizando tanto a logomania como o amor dos rappers por cintos com fivelas grandes. Algo como um sartorial rap

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as cores e o charme da gravata

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a polo com a gola “desestruturada” sob a malha de padrão argyle

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para dizer que Pharrell não é rapper: look clássico com o boné de volume mais atual.

A CARICATURA

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Caricatura de Brüno feita por Pablo Lobato para New Yorker

Existe um pensamento comum ou “representação social”, como prefere chamar de forma mais elaborada o psicólogo romeno Serge Moscovici, que todos dizem que o mundo da moda é uma caricatura e, ao mesmo tempo, em movimento inverso, o mundo da moda sempre se sente retratada de modo caricatural pelos que estão fora dele.
Essa “crença” – pensando ainda em Moscovici -, apesar de desagradar ambos os lados não está longe de uma verdade, se pensarmos que a moda – e mais que tudo, a imagem de moda – nunca foi dada a nenhum tipo de literalidade em relação à realidade e muito menos com a chamada verossimilhança. O desapego à realidade ou melhor ao realismo nas narrativas tanto das passarelas como dos editoriais de moda nunca foi ponto de debate e discussões acaloradas como o é para outras manifestações culturais e artísticas. Salve Steven Meisel na Vogue Itália:
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A moda nunca precisou colar-se a realidade (como por exemplo é cobrado a toda hora do cinema) porque seu veículo maior – a roupa – transborda-se de realidade. Basta darmos um exemplo bem clichê: quando vemos uma foto de pessoas identificamos sua era, o seu tempo e sua realidade no primeiro momento pelas roupas que essas personagens estão vestindo.
Talvez por esse caráter, a imagem de moda sempre plainou por ares mais surreais, por uma irrealidade, pelo campo do sonho. Pensando por essa lógica, podemos compreender com mais precisão – e menos preconceito – porque o corpo das modelos, assim como seu andar é algo irreal; podemos nos surpreender pelo que pensamos ser uma alienação da moda (essa fuga da realidade tão criticada e ao mesmo tempo tão pouco compreendida) ser um outro tipo de dispositivo para dialogar com essa realidade, assim como o fizeram os surrealistas. A grosso modo, a moda faz uma caricatura da realidade!

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Schiaparelli – shoe-hat (chapéu-sapato)

Enfim, caricatura é um desenho de um personagem da vida real mas que enfatiza e exagera as características principais do retratado, acentuando sua individualidade [papel importantíssimo de um aspecto da moda] no que lhe é mais peculiar: gestos, vícios e hábitos. Mesmo assim, ao desfigurar a realidade a caricatura acentua e prioriza verdades dessa realidade. Não à toa a palavra vem do italiano caricare que significa carregar, no sentido de exagerar, aumentar algo em proporção, carregar nas tintas.
Ao olhar atento e livre, a moda ao carregar nas tintas a realidade, nos mostra um outro lado dessa mesma relaidade. Talvez um lado até então obscuro ou muito pouco salientado que só é revelado pelas caricaturas, essa força capaz de jogar uma outra luz e nos vislumbrar.
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Caricatura minha que recebi na saída do último SPFW

PS: Talvez o streetwear seja a corrente de moda mais ligada a um certo realismo, mas isso é assunto pra outro post…

AMAPÔ ALEGRA O NOSSO DIA COM UMA NOVA ELEGÂNCIA INFORMAL

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Tava tudo tão triste nesse inverno, tudo tão sem energia e fúria até que chegou o último dia e finalmente as cores vivas voltaram a fazer a nossa festa no SPFW. E fazer mais sentido para uma moda que quer sua identidade mas ainda cópia as tendências interancionais pra se sentir confortavelmente globalizada, mas que no fundo ainda é o bom e velho colonialismo. O preto – na quantidade avassaladora apresentada nas passarelas do evento – faz pouco sentido no nosso país, não que ele deva ser excluído, peloamor de jeito nenhum, – o pretinho além de básico, é um clássico – mas essa avalanche de roupas de velório estava desesperadora. Chegou um momento que eu já pensava brincado ao ver os vestidos negros passando na minha frente: Esse eu vou no enterro do Niemeyer, esse eu vou no velório da Hebe, esse eu vou pra minha própria cremação…
Que alegria ver uma marca jovem já com tanto estilo e caráter. E foi essa espontaneidade que fez a moda de Carol Gold e Pitty Taliani, sempre cheia de estampas incríveis e vibrantes – e que se repetiu nessa coleção – contribuir para uma questão importante na moda e principalmente na moda feita no Brasil: o trânsito da elegância na moda formal para a moda informal. E o recado que ficou: é na informalidade que está uma nova elegância. E sim, faz muito sentido no nosso país, assim como a informalidade cool das Havaianas, o nosso produto mais exportado e desejado.
Pessoalmente uma das coisas que mais me encantaram foi elas se aproximarem da alfaiataria e darem exemplos daquilo que eu tanto almejo para a moda masculina, uma alfaiataria à serviço do streetwear que é muito mais a cara dos nossos tempos. Como já disse, o terno pra mim é o espartilho do homem contemporâneo. Veja que alegria dos executivos em momentos mais descontraídos como os happy hours desabotoando o colarinho, sibundo a gravata pra cabeça e tirando o blazer como se tivessem arrebentando uma algema. Essa imagem do happy hour nos causa um certo arrepio pelo gosto duvidoso dos executivos se “enselvajarem”, mas na rave da Amapô não tem lama certa, o resultado é inusitadamente brilhante no diálogo entre a roupa formal e informal no nosso país.
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O raver-emo-punk recorta o terno de seu pai, ou opta pela informalidade do jeans em alfaiatarria pra sentir-se mais confortável nessa grande novidade que as estilistas nos apresentam: uma subversão do status da alfaiataria como só o hedonismo e no underground são capazes de fazer.
Amapô é só sucesso!
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SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA E O UNISSEX


Sobre a última temporada de moda masculina e seu feminino é sempre bom ver outras visões não menos importantes, o sempre incrível Mario Mendes e suas observações afiadas fazem uma análise sobre a tendência dos pijamas nas passarelas e sobre uma moda mais relax, mais confortável que parece reinar também entre os criadores fashion – todos sabemos que cada vez mais os homens preferem o conforto, por isso mesmo a resistência à gravata, ou melhor, ao terno como uma roupa natural do seu dia-a-dia. A grande maioria só o usa por motivos profissionais e parecem felizes ao fim do dia ao se livrar de seu espartilho. Quem sabe é o final mesmo de um ciclo do terno como a principal roupa para os homens…
Quem será nosso Poiret? Quem será nossa Chanel?

Osklen inverno 2008, tanto para meninos como para meninas

Ao ver o penúltimo desfile da Osklen, seu inverno 2008, vi com felicidade e surpresa uma possibilidade para a moda masculina e no geral para o streetwear. Ali tinha algo unissex que poderia ser um possível impulso para a moda masculina.
No dicionário Houaiss, o termo unissex é adjetivo de dois gêneros e dois números que pode ser usado tanto por homens quanto por mulheres (refere-se especialmente à moda, como tipo de roupa, calçado, corte de cabelo etc., ou a serviços profissionais)
O termo não poderia ter surgido senão na década de 1960, época que os gêneros foram postos em xeque.

Você acredita no unissex como uma possibilidade de arejar a moda masculina? Ou não? Como vc vê o unissex?

O unissex já rolou na moda e sempre achei que quem sai perdendo é o homem, que fica feio, meio caricato. O unissex é um dos caminhos apontados para o futuro da cosmética. A direção foi concluída numa feira internacional que rolou em Bolonha, no começo do ano [N.E. é possível que a beleza novamente sinalize algo na frente das roupas com o suspeito].

Cher e Sonny
Com relação à moda, pode ser que role. O século 16 foi masculino, no 17 a mulher começou a aparecer, vide Maria Antonieta, Pompadour e outras. O 19 foi masculino e no 20 a mulher conquistou tudo o que falamos acima.
Acredito que o século 21 seja de armistício entre os gêneros, seja um século misto, unissex. O homem assume seu lado feminino para se equilibrar com o masculino da mulher, que bomba desde o final dos ano 90, quando ela chegou ao topo nas corporations, virou provedora do lar. O homem leva os filhos ao pediatra e à escola. Na cama, eles se entendem cada vez mais. Ueba! Pode ser uma viagem de aquariano dragonino.
Por outro lado, o homem cada vez mais caminha para descobrir que sua moda é bacana, por mais que muita gente a ache chata e entediante. Onde há fumaça, há fogo. Tudo o que te contei aqui, está contado detalhadamente no meu livro.

Bom, aqui encerra a semana Lula Rodrigues no blog, pra mim foi uma grande honra ele ter respondido às perguntas e se debruçado nessas questões da maneira que fez, ainda mais que está finalizando um livro sobre o assunto, o Almanaque da Moda Masculina que sairá no começo do ano que vem pela Senac Rio. Pra mim, repito, já nasce clássico!
Adorei também todos os comentários e a discussão que a entrevista suscitou na blogosfera.

SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA, O STREETWEAR E A ALFAIATARIA


Particularmente acredito que o avanço da moda masculina está no streetwear, mas não gosto de vê-lo subjugado à alfaiataria. Por exemplo, tanto o Marcelo Sommer como o Alexandre Herchcovitch só começaram a ser valorizados quando começaram a aplicar uma alfaiataria mais elaborada ao seu streetwear. Penso que o streetwear deve ter seu valor em si e não acoplado à alfaiataria. Sim, a alfaiataria é um dos valores máximos da roupa ocidental e ocidentalizada para os homens, mas tenho a leve intuição que ela se esgotou, seu modelo cartesiano está com os dias contados. Mas é só uma intuição…

As marcas de streetwear só recebem aval da moda quando dominam a alfaiataria. Realmente ela é tão importante assim ou a alfaiataria é uma adequação do streetwear às normas do “bem vestir” tirando o seu espírito mais libertário?

As marcas de streetwear têm seus próprios códigos e seu próprio público, no espaço que um dia foi gueto. Não precisam ter aval da moda mainstream.
Por que o Monsiuer Bernalt Arnault da LVMH levou o Marc Jacobs e esse levou para o templo Vuitton o Pharrell Williams? A Chanel tem o olhar do kaiser generoso para a moda das ruas, o que faz com que ele esteja na direção da maison há 25 anos. Por uma simples questão: vendas … vendas … vendas.

pharrell + jacobs
Vivemos uma era de mudanças dos jogos do poder. P. Diddy senta no front row da Dior Couture, ao lado da Anna Wintour, para prestigiar as criações de Galliano, que nunca escondeu seus fundamentos street culture (isso está no documentário “Mulheres no Poder”, exibido pelo GNT, que deu muita pista para o filme o Diabo …).

Sean “P. Diddy” Combs
A adequação da moda de ruas aos cânones da alfaiataria é conseqüência de seu crescimento. O jovem saiu do gueto e precisa trabalhar nos universos corporativos, tendo já passado pela universidade. Por que não lhe dar opções formais dentro do seu universo de consumo?
O tema já foi capa da revista DNR, mostrando o que é o streetwear contemporâneo. É preciso, no entanto, que entendamos esse movimento não como caretice ou adequação aos modelos dos brancos, e sim como um crescimento, maturação. O branco mainstream bebe continuamente na fonte da cultura das ruas, que se espalhou por todo o planeta. E, como diria a fake Miranda/Wintour, do filme _ não gosto_ Diabo veste Prada: “that´s all”.

SEMANA LULA RODRIGUES: A MODA MASCULINA, COMO ANALISÁ-LA E COMO PERCEBER A CONTRIBUIÇÃO DAS RUAS E DOS NEGROS


Lula apontou e esclareceu algo importante no momento de fazermos a crítica e observação da moda masculina: ela evolui através dos detalhes, ela é, em certo sentido, metonímica. enquanto a moda feminina é metáforica. Para entendermos melhor a roupa masculina temos que ficar atento aos detalhes, é uma moda microscópica, enquanto a moda feminina hoje é uma questão do todo, é macroscópica. Por isso se ficarmos apenas reparando nos itens ou looks não compreenderemos as finas mudanças que ali se procede, a moda para os homens é muito mais sutil. Quando Sylvain escreve elogiando a Iódice masculino para susto de muitos fashionistas, ele está exatamente reverenciando e anunciando o detalhe, vendo através de uma lupa que mudanças importantes estão ali acontecendo.
Continuando…

O fato de você estar ligado ao streetweat e a cultura de rua é porque vê nessa manifestação uma possibilidade de avanço da moda para os homens? O que te interessa no streetwear?

É claro que a moda das ruas e sua cultura promove um avanço no visual masculino, o torna mais glamuroso e rico até demais. Ajuda ao homem a ter menos grilos com sua vaidade. Os rappers são super vaidosos e ostentam isso. São uma espécie de Luizes 14 contemporâneos. Tem seu códigos de beleza e são replicados e copiados por todo o planeta. Suas imagens vendem de cds/dvds a roupas a até cosméticos masculinos.

Mas é preciso que entendamos também suas mudanças. O streetwear desenvolve cara nova. Antes de criticá-lo como um processo de caretice ascendente, é necessário um olhar mais generoso para descobrir que tais mudanças fazem parte de um crescimento e maturação. O jovem do gueto de ontem, hoje tem emprego em Wall Street, é advogado de rappers, ou trabalha em ofícios que exigem dele roupas formais.
Veja a quantidade de perfis e a grande participação do negro americano numa revista mainstream como a Men’s Vogue, inclusive a regularidade de celebridades negras em suas capas. Vale lembrar que na Vogue feminina, modelo negra na capa fazia a revista encalhar. Quando Ralph Lauren usou uma modelo negra em sua campanha, o fato foi parar na revista Time. Quer mais preconceito ?

Já a versão masculina da revista, nasceu conectada no seu tempo. O street culture me interessa muito como um elemento que, por ser masculino acima de quaisquer suspeitas, propõe mudanças para o homem urbano e contemporâneo. Tem dinheiro, cash para pagar anúncios.

SPFW: OSKLEN – MÁGOAS DE CABOCLO, LISTRAS E O NOVO STREETWEAR

Desfile da Osklen, sala cheia. Peço para uma assessora um lugar, ela fala para sentar na cadeira última da imprensa internacional. Minutos depois uma outra assessora me tira dali. Sala cada vez mais cheia. Espero um pouco em pé, calmo, sem faniquitos. E sem chiliques, decido me retirar depois de ver que seria impossível sentar em qualquer lugar que fosse.

.A relação entre jornalista e assessoria é uma coisa complicada. As assessorias precisam dos jornalistas para promover seus clientes e os jornalistas, ultimamente, precisam das assessorias para gerar notícias. Nessa relação promíscua, pois muitos assessores e jornalistas são amigos ou parecem ter uma relação amigável, acaba-se sempre se confundindo tudo e todos em ambos os lados.

Alice Ferraz, que por exemplo sempre se fez de “amiga” minha, acho que descobriu agora que não sou mais repórter-redator do GNT Fashion, coisa que não sou há mais de um ano e simplesmente me riscou de sua lista de convidados. Nenhum de seus inúmeros convites que chegavam em casa veio dessa vez. O que mostra o meu enorme desprestígio em sua assessoria homônima e também do jornal da Folha de São Paulo, jornal que sou colunista e colaboro com regularidade para com a editoria de moda, fato que acontece também nessa temporada. Apenas um detalhe: Alice não é assessora da Osklen!

Mágoas de caboclos acesas porque infelizmente no mundo da moda é sempre o barraco que impera, mas meu império é outro…

Voltando a Osklen, resolvi ver o desfile no conforto refrigerado da sala de imprensa. Claro que só acredita no discurso da objetividade jornalística quem faz esse discurso ou o exige, mas nunca exerceu a profissão, porque essa objetividade é repleta de subjetividade e por esse motivo conto aqui toda essa saga. Quero dizer que fui ver o desfile com um pouco de mau humor e meio sem vontade tanto que nos primeiros looks o xoxo brotou forte: “Ih, Oskar fez uma Emília em crossover (olha a biologia aí, gente) com Pimentinha na fase delinqüente juvenil que acabou de deixar o xilindró com tanta listra”.emilia.jpg foto Charles Naseh – site Chic Emília, Emília, Emília… ou seria Pimentinha

Mas quando a coisa é boa, não tem mágoa de caboclo certa e a coleção foi me conquistando, recebendo meus elogios em voz alta. E por fim, alguma objetividade tem na crítica a seguir:

Osklen alarga com listras o conceito do streetwear

Desde a coleção sobre o vento que a Osklen não soprava novidades tão promissoras na passarela. A cidade vista do alto como uma grande plantação de colheita de idéias. A cidade vista nas luzes dos carros em movimento (as listras), das idéias em movimento.

Da idéia que os tecidos tecnológicos podem ser naturais como o couro vegetal. Da idéia que um novo unissex sem ser uniforme e uniformizante imperará pelas ruas. E principalmente da idéia que o streetwear pode (e deve) ser explorado como uma das grandes metrópoles que inspiraram a marca. Explico: existe um senso comum em moda que os estilistas de streetwear só passam a ser realmente respeitados quando dominam a alfaiataria.

Fato que muitas marcas fazem a passagem, entre eles a Osklen, mas com a conquista do domínio da alfaiataria e sua sedução, existe sempre a perda de um pouco do imperfeito, do “sujo” do streetwear “de raiz”, que no fundo é a verdadeira moda de rua.

osklenunissex.jpg  foto Charles Naseh – site Chic  

o novo unissex da Osklen 

Com a alfaiataria existe uma glamourização do streetwear e isso a Osklen tem feito em inúmeras coleções passadas. Pela primeira vez, a alfaiataria estava a serviço completo do streetwear, mostrando uma inversão de movimento. Movimento esse que ainda iluminará muito a nossa moda.