Arquivo da categoria: sarah colette

COLETTE EM SÃO PAULO?

resized_colette_001
A loja mais cultuada por fashionistas parisienses aporta em São Paulo em curta temporada durante a temporada de verão 2010 do SPFW, ou como se costuma dizer entre os que mexem com moda: em formato guerrilha ou pop up store, enfim loja com data pra abrir e fechar. Essa ação faz parte do Ano da França no Brasil e chamará Colette Loves SPFW. Do dia 17 ao dia 22, a loja irá vender produtos desenhados especialmente para esse projeto como os 5 modelos de camisetas criados pelos artistas Soledad, Fafi, Geneviève Gauckler, Florence Deygas e Iris de Mouy, além de adesivos de parede, espelhos e até obras de arte e velas aromáticas.
Vai ser interessante ver como eles montarão a loja aqui, apesar do apelo fetichista, será que realmente conseguirão dar um pouco do clima da loja em Paris? A própria dona, Sarah Lerfel, diz que não monta Colettes pelo mundo porque o que existe de especial na loja é que é um lugar que entende os parisienses, com o espírito da cidade. Estou curioso…

O TEMPO FECHOU NO CLARO RIO SUMMER

Se acreditamos que se uma semana de moda não necessariamente precisa trazer grandes novidades – papel que só as mais importantes devem realmente ter como foco principal – mas se trouxer, excelente! -, pelo menos que ela sirva para bons negócios, ou no mínimo para agitar o calendário de eventos culturais de uma cidade. Com muito esforço e boa vontade, talvez apenas o último ítem foi parcialmente alcançado pelo Claro Rio Summer.
Sobre o primeiro tópico, a inovação em moda ficou difícil porque nem moda eles apresentaram. O comentário geral era exatamente esse como bem escreveu Jorge Wakabara. Sobre o segundo ítem, os negócios, eles não aconteceram como bem relatou Milene Chaves. Sobre o terceiro e último ítem, considerando que festas nababescas podem ser consideradas eventos culturais, já que os desfiles de tão fechados estavam vazios, podemos dizer que talvez o CRS cumpriu o velho ditado: “Comeu mortadela e arrotou peru”.
Como um evento com os grandes nomes da moda-praia brasileira foi um verdadeiro fiasco? Acredito que eles perderam o foco com tanta champagne e esqueceram de tomar anti-ácido, enfim, mal começou e em todo fashionista com um mínimo de neurônio, o CRS se mostrou uma grande ressaca. Salvo algumas exceções como bem reportou Alcino Leite referindo-se à falta de foco.
Talvez a atenção dada ao evento foi feito “pela força da grana que ergue e destrói coisas belas” porque realmente, de fundo, ele se equivale a um Capital Fashion Week ou um Dragão do Mar Fashion, semanas de moda que ocorrem respectivamente em Brasília e Fortaleza. Mas trouxe os convidados internacionais e nós como verdadeiros tupiniquins nos curvamos a esse fato com algo realmente importante.
claro
Se moda é imagem, o mais lamentável do CRS não foi não apresentar moda, mas sim fazer um retrocesso da imagem do país pra inglês ver, confirmando a farseta para todos eles a ponto de todos estrangeiros declararem que era isso mesmo que esperavam do Brasil.
Samba, caipirinha e felicidade são elementos forjados na era getulista – década de 1930 – para nos dar uma identidade nacional, é um projeto altamente elaborado e ideologizado que as décadas seguintes tentaram ou combatê-las ou reatualizá-las.
Todo esse aparato da imagem e identidade nacional evoluiu muito desde então e mesmo na moda, até então insipiente no Brasil, teve seus movimentos que, ou contestaram essa imagem getulista como as coleções “de protesto” de Zuzu Angel ou a reatualizaram com novos elementos como a Forum na década de 90 e sua famosa procura da brasilidade no Cinema Novo e na arquitetura de Niemeyer.
Nesse pensamento que acredita que esse é o modo de vida do brasileiro, grandes estilistas estarão sempre de fora porque já transcenderam esse estágio, aliás como toda a sociedade brasileira. Não há espaço para a genialidade de Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço e Alexandre Herchcovitch no CRS por enquanto. Só há espaço para o ufanismo com bem espetou Carol Vasone. Brassssssssssiiiiiiiiillllllllllllll!
Por fim, refaço o pensamento de Sarah da Colette que comentou que é melhor apresentar clichês do que copiar a moda americana. Mas Sarah, o que você viu foi uma cópia do clichê!