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24 HOUR PARTY PEOPLE

São Paulo é uma cidade suja, desagradável e poluída. Excludente a todo instante, porém recebe uma força inversa que é feita pela maioria de seus moradores – muitos vindos de outros lugares – que acabam fazendo da amizade e da festa algo especial, tão especial que acaba sendo a grande – talvez a única – qualidade dessa cidade.

09 de janeiro de 2010

7h15 da manhã, acordo e esse é meu café da manhã.

Era a Voodoo Hop, a festa do alemão Thomas, no apartamento de amigos no prédio do Niemeyer, na República.

Essa era vista. Nos anos 90, eu morei nesse mesmo prédio e dava boas festas também.

Viny sempre causa…

14h32, saio um pouco bêbado da festa, passo em casa, troco de camiseta – a calça é a mesma -, porque o calor tava grande e vou visitar meu amigo Jay, fotógrafo de cinema, com outra grande amiga Geórgia, para um almoço super especial.

22h10, depois de um longo almoço que atravessou a tarde , à noite vou me despidir de Carlinhos e Marina na casa de Paloma.

Carlinhos e abaixo, Serginho e Kaká amado!

10 de janeiro de 2010

A saga continua, troco mais uma vez de camiseta, e me jogo no Bar do Netão – o verdadeiro bar secreto -, são 3h13.

Era aniversário de Mau Mau no Hell’s, isso lá pelas 5h.

E todo mundo festejou!

Já 7h, na frente do Ecleticu’s.

Do outro lado da rua, um cantinho, um violão.

9h34, fazendo amizade com os emos.

9h36, fazendo amizade com o baile todo do Pescador!

13h, na Paim me senti em Recife. Se você viu o mundo e ele começava em Recife, com certeza, eu vi que ele termina na Paim.

13h30, No Xocolate, é osso!

Ibotirama, bar oficial dos fashionistas do B, às 16h09 com Tata Pierry.

Lá pelas 17h, Claudia Assef e Dani Costa buzinaram de dentro do carro pra mim. Larguei meu almoço e fui tirar essa foto.

Mais amigos queridos, antes de ir finalmente dormir: 24 Hour Party People!

Penso muito como uma cidade tão podre pode se revelar outra, fruto da relação das pessoas. Penso em como a moda tão aparentemente podre em seu mundinho de consumo excessivo e vaidades pode se revelar outra, fruto de uma nova relação das pessoas – sem tanta hierarquia, sem tanto esnobismo – como aconteceu no desfile do Sommer. Mas isso é post pra essa semana. Por enquanto: Parabéns, pessoas que vivem em São Paulo!

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OBRA EM PROGRESSO, A VELHICE

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Li na Folha que o baiano do Caetano Veloso estava liberando umas músicas lá no blog dele. Não sou dos que tem desprezo total pela ex-mulher de Paula Lavigne [que ele já declarou em defeja de Michael Jackson que a conheceu biblicamente aos 13, apesar de hoje falarem que foi aos 16] afinal ele deixou Luana Piovani [a eterna ninfeta que tem medo de envelhecer] com cara de tacho durante um tempo e isso na cultura das celebridades tupiniquim não tem preço.
Aliás fui bem fã dele no final dos anos 70 e começo dos 80. “Ele me deu um beijo na boca” foi uma música que na adolescência bem me ajudou na putaria… E confesso que mesmo quando não estou nada interessado, alguém vem e me avisa o que a/o filha/o da Dona Encanô está aprontando. Digamos que Caê foi minha primeira Amy Winehouse, minha primeira Britney, essa que invade sua casa sem pedir licença e isso é uma coisa de vanguarda baiana que a gente deve aprender e respeitar.
Bom, fui lá na curiosidade e também para ter um bom material pra me divertir xoxando nas rodas de amigos, já que fui uma voz dissonante que odiou o “Cê” como “disco” de rock. Caê, você foi mó rata comigo!
Até meu pai que é o rei do tango, do bolero e do quadradinho é mais roqueiro que vo Cê.
Então entrei naquele terreno de letras minúsculas e me senti muito velho, forçando a vista pra ler os textos. Mas no mesmo instante me veio uma iconoclastia tão deliciosa e tão juvenil que tomou conta de meu corpo e desisti de ler qualquer coisa pensando: Baiano! [baiano eu, baiano tu]
Olha, pra achar as músicas novas dele, tem a cafagestada de ter que navegar por aquele pântano do agreste. Insisti, graças a Deus, insisti… Eu insisti pois achei uma passagem maravilhosa que fala de Candé, aquele menino que é/foi namorado da jornalista Erika Palomino e/ou foi/é namorado da cantora Marina Lima, mas que a única certeza que temos é que ele é amigo da amada Camila Kfouri que sempre o defendeu bravamente frente à antipatia que seus barracos com a super Grace Lesada, com jornalistas, o povo da noite [amo esse termo povo da noite, é tão socialismo moreno] e outras pessoas sempre causaram por aqui. Afinal, São Paulo pode ser tudo [de ruim], mas diferentemente do Rio, isso aqui não é uma corte medieval que o fato de conhecer os reis sua segurança está toda garantida. São Paulo é uma reunião helvética de pequenos comerciantes de tudo, hype, pepinos, drogas, esfihas. São Paulo pode ser tudo [de ruim], mas é a terra da classe média inexistente na Cidade Maravilhosa [que pode ser maravilhosa por tudo menos por não ter classe média, essa que concorda, essa que discorda, mas só é massa quando em pesquisa]. Entendam que o tão almejado cosmopolitismo só existe hoje em lugares que a classe média é soberana. Nesse sentido, as cidades que incluiram o progresso no sentido de Augusto Comte (São Paulo) são mais velhas que as que ainda possuem relações aristocráticas (Rio de Janeiro) , e isso sim é um problema de classe.
Depois dessa elegia à classe média e essa explicação de quem é Candé [eu mesmo não o conheço, como bom paulistano só sei de seus barracos na cidade como um Madame Satã du hype, das defesas queridas de Camila e das mais deliciosas perversidades que esses assuntos são tocadas e xoxados por uma multidão que o carimbou como bárbaro assim como o gado do senso comum é carimbado].
Uma coisa boa da velhice é que você pode falar tudo sem muitas amarras!

Posto isso vem a escrita de Caetano:

Contei que conheci Portishead há uns dez anos através de um elenco fascinante que entrou na casa de Milton Nascimento, numa festa. Disse que não foi lá que, através de Marininha, Karola, Candé, Luísa e Natália, tomei contato com o grupo inglês. Foi quando, dias depois, liguei para um deles, que ouvi uma gravação fantástica na secretária eletrônica. Perguntando, me informaram que a banda se chamava Portishead. Bem, todos os envolvidos me dizem que escrevo tão mal que ficou parecendo que conheci Portishead ligando pro Milton Nascimento. Se pareceu isso, corrijo: foi ligando para Candé que ouvi Portishead pela primeira vez. Ele (e as meninas bonitas) adoravam esse grupo. Até apelidei Candé de Portishead, já que muitas vezes era a banda que atendia quando eu ligava para ele. E, além de me dizerem que escrevo mal, Candé chiou por ter passado de protagonista a mero figurante na história.

Que delícia é o vampirismo da velhice! Caetano pra se pretender jovem, roqueiro, antenado vampiriza o que pode [e digo isso sem a conotação negativa que isso possa parecer]. Sim, é um ato comum na velhice Dorian Gray que precisa estar na moda pra não se sentir ultrapassado, então devora o que acredita que é novo, tem essa necessidade tão século 20 de sempre procurar o novo… Hoje pra mim, nada mais velho. [essa é pra você Nucool]
Escrevo isso pois a exigência da juventude na moda e no mundo virou imperativo desde os anos 60. É preciso ser eternamente jovem por isso a conotação não é negativa quando digo que Caê vampiriza Candé e sua banda de jovens da Falsa Leblon. É uma necessidade de Caetano e de todos que envelhecem hoje dentro do sistema que vilanizou a velhice, mas não fez da mocidade algo bom, a tornou tirana.
Amo muito quando Nelson Rodrigues escreve dizendo que um jovem o chamou pra conversar e é claro que ele obedeceu, pois segundo ele não se desrespeita um jovem. Mas amo mais ainda quando ele diz: “Envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais rápido possível.”
Acho estranho essa oposição entre jovem e velho. Ao colocar esses conceitos em confronto, rompe-se o caminho natural da vida, da delícia da vida, injeta-se desconforto no caminhar dessa trilha imprevisível. Acabamos nos atendo mais nas cores do começo do caminho com uma falsa atenção, agoniados por aquilo que virá: Essa grande aventura!
Feliz aniversário, Ricardo Oliveros!

giuliaborges600

A moda não é a precursora da tirania da juventude, é apenas o seu reflexo, mas nesse quadro de Dorian Gray ela apimenta o desejo pelo jovem, o que de nada está desassociado com a tão hoje combatida pedofilia.

ROLOU UMA GLORIA COELHO EM PARIS


inverno 2008 de Gloria Coelho


verão 2009 Louis Vuitton


verão 2009 Martin Margiela para Sonia Rykiel


verão 2009 Jean Charles de Castelbajac

E SUBIU PRA CABEÇA


verão 2009 Chanel


verão 2009 John Galliano

SÃO PAULO – MILÃO


colar feito por Jussara Romão em 2004 e fotografada pelo João Ávila.


Dolce & Gabanna verão 2009