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3 VÍDEOS CIGANOS

Ruth Slinger me conheceu quando ela fez uma exposição de sua vasta videografia no SESC Pompéia no começo desse milênio. Os anos 80, a década do videomaker, estava toda registrada pelas lentes de Ruth. Numa tarde de conversa e risos com Mario Mendes, ele falou pra mim a seguinte frase: “Na década de 80 todo mundo era videomaker como hoje todo mundo é estilista”. Então hoje quem ainda é videomaker como Ruth, é porque acreditava no meio e na mensagem e atravessou toda a modinha pra afirmar seu trabalho como uma profissão de fé.
Bom, ela me conheceu já nos anos 2000, mas eu conhecia ela desde muito tempo. Eu já, nos anos 80, estava de olho na família Slinger. Seu irmão, Carlos, dono da hoje histórica e clássica linha de maquiagem Liquid Sky que vendia também roupas incríveis, bem ao estilo new wave, fez festas incríveis na cidade e eu tive o prazer de ir em uma delas, de penetra, é lógico. Até porque festa sem penetra nunca é boa!
Depois, nos anos 90, ele mudou-se para Nova York, ajudou a projetar o drum’n bass e o jungle e era Dj de uma festa incrível de segunda-feira: Koncrete Jungle. Lembro que o ambiente apesar de – muito – diferente, era o mesmo da festa que fui de penetra: Clima de atitude descontraída.
No final dos anos 90, Ruth aqui no Brasil atacava de DJ – nos anos 90 todo mundo era DJ – e difundiu o drum`n bass em terras brasilis em festas que lembro que ia de muleta pois tinha quebrado o pé.
Enfim, foi uma honra tê-la no aniversário cigano e mais ainda ela ter gravado esses 3 pequenos vídeos
Um bj, Ruth

CRISE?

De repente parece que sou um ser alienado, que não acredito em crise. Numa inversão nefasta do jogo, a alienação da cópia de idéias de textos de Menkes e senhorinhas importadas virou a minha alienação, nesse momento que a moda parece acordar.
Sim, novamente a crise existe, mas o que existe de mais revelador é a nossa dependência textual, o nosso colonialismo. Se queremos resenhar moda e nas resenhas acusamos a torto e à direita a cópia dos estilistas nacionais que direito temos nós de copiarmos os resenhistas internacionais. Usar a crise pra explicar o mundo hoje é banal e diz muito pouco. Mudanças de comportamento já estavam sendo sentidas antes mesmo da anunciada crise.
Não que a palavra crise seja banida dos textos, longe disso, mas tentar refletir com mais parcimônia e menos histrionismo esse momento que vivemos hoje.
Foi só isso que quis escrever naquele post, pois no fim o que eu quero é mais poesia pessoal, mais buscas que façamos dentro nós mesmos, não nos sites de buscas procurando o tempo todo ver o que o “povo lá de fora” está pensando. Não que isso tenha que ser banido também, pelo contrário, que esteja a serviço do nosso pensamento. Chega de reproduzirmos como papagaios algo que veio com o aval de “internacional”.
Assim como utilizo esse trecho de “Aula” de Roland Barthes:
Que uma língua, qualquer que seja, não reprima outra: que o sujeito futuro conheça, sem remorso, sem recalque, o gozo de ter a sua disposição duas instâncias de linguagem, que ele fale isto ou aquilo segundo suas perversões, não segundo a Lei

PS: Tem um texto excelente de Marcia Mesquita que levanta pontos interessantes e desdobramentos do que escrevi aqui.

171 ABRE SUAS PORTAS (SERÃO ELAS NEOCLÁSSICAS?)

Tá, fiquei obcecado e obsessivo pela grife 171 ops 284. Dizem que o nome é uma homenagem ao antigo endereço da Daslu na Vila Nova Conceição. Dizem também que querem fazer moda democrática. Achei paradoxal! Porque? O nome remete a um dos endereços mais opressores da cidade. Veja esse caso:
A videomaker Ruth Slinger deu uma camisa da Daslu para o músico Rica Amabis do Instituto, coletivo de música que flerta com hip hop, samba, funk, rock, soul, isto é, sons populares (outro assunto que pra mim está obsessivo na minha mente). Ele foi trocar a camisa pois o número ficou menor. Ao entrar lá , ele ficou um bom tempo pra ser atendido, e se não fosse uma pressão dos amigos que o acompanharam era capaz que nunca ele conseguisse trocar seu presente. Detalhe – Rica é um cara que se veste no melhor estilo streetwear – na época calça oversized, camisa com estampa de grafite. Acho super Ponte Gucci – outra obsessão, acho que preciso de uma sessão de desobsessão da Igreja Universal [Pictures], vulgo Record!
A Fernada do Oficina disse que vai ser a nova Top Shop brasileira, pra mim por enquanto ela é a Top Top brasileira. Jorge Wakabara disse que as roupas eram bem feitas, mas ao ver Naomi abaixo escolhendo algo na arara, me senti naquelas lojas que ficam dentro do metrô – será que é isso que é popular para grife? Heleninha Bordon, fala que eu te escuto!
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Incrível o post de Katylene sobre a abertura da loja. Tem que ler e rir muito!