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11 DE SETEMBRO & MARC JACOBS

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Não há dúvidas, assim como a Queda de Roma ou a Revolução Francesa, o 11 de Setembro é um divisor da História do Homem. Em um istmo aquilo que era realidade virou reality show e o mundo nunca mais foi o mesmo.

Em 10 de setembro, um dia antes dos atentados às Torres Gêmeas, o estilista americano Marc Jacobs apresentava na semana de moda de Nova York sua coleção para a primavera-verão 2002.

Na Moda, o primeiro look muitas vezes é a síntese das imagens que o estilista criou para a sua coleção. No seu caso, ele abria com um terninho. Segue-se um desfile com muitas calças de alfaiataria, alguns casacos de corte militar. Tudo entremeado por vestidos acinturados e coloridos. Dois deles em patchworks e que remetiam ao chamado multiculturalismo.

Jacobs apontava para um verão colorido, com referência aos anos 60. E com dois fortes apelos: o masculino-feminino e o romantismo. Como no conto de Borges, “O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam”, existia duas estradas e a moda preferiu se apegar ao percurso ligado ao romantismo logo de cara. Apesar do desfile de verão 2002 do estilista americano não apontar primordialmente para isso, Jacobs acaba se tornando uma das linhas mestre desse novo romantismo na moda, logo apontado de escapista perante a realidade do mundo. Mas é no romantismo também que as emoções (todas – boas e ruins) podem ser vivenciadas em sua plenitude. E parece ser uma atitude plausível diante o estado de perplexidade que se instalou.

terninho.jpg masculino-feminino no verão 2002 de Marc Jacobs 

vestido-etnico.jpg romantismo no verão 2002 de Marc Jacobs

E a partir de então assistimos a enxurrada de vestidos românticos, florais e étnicos que inundaram a passarela e só agora perdem um pouco a força para o chamado masculino-feminino, exatamente o outro caminho que foi excluído em um primeiro momento. Essa tendência entre outras coisas, indica a volta de uma mulher forte, igualitária e parece estar de acordo com esse nosso segundo momento pós-11 de Setembro.

Em um desfile síntese de vontades fashion, Marc Jacobs, um dia antes dos atentados de 11 de Setembro, não sabia qual a direção a Moda poderia tomar, mas com certeza, era um caminho imprevisível como um dia foi aviões se chocando em prédios.