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KIM GORDON & LOVEFOXXX (FEMINILIDADES NO MUNDO DO ROCK)

Kim Gordon
Desde a primeira vez que vi Kim Gordon, ela era só atitude, não no sentido pejorativo que às vezes essa plaavra apresenta, mas sim atitude como a palavra que atualiza uma outra: elegância. Sempre vestindo comprimentos curtíssimos de saia e empunhado o baixo do Sonic Youth, banda fundamental da década de 80 e 90, ela era um contrapeso contra ou a virilidade excessiva (meio básica demais, meio cafona de menos) de certas bandas de rock da época ou o estilo não-estou-nem-aí-pro-que-visto e sujinho, que resultaria no look grunge, e disseminado em muitas bandas importantes da época.
Seu potencial fashion a levou a uma amizade importante com Marc Jacobs. No auge do grunge (é importante resaltar que Sonic Youth apesar de relações estreitas com diversas bandas de Seattle, entre elas, o Nirvana, eles nunca foram grunge), a banda grava o clipe “Sugar Kane” tocando na loja do estilista, com Chloë Sevigny como protagonista. Sem falar que o próprio estilista a convidou para estrelar uma de suas campanhas sempre fotografadas por Juergen Teller.
Marc Jacobs Advertising 1997-20082.preview
No ano passado, ela lançou uma grife para mães ou mulheres mais velhas que não queriam roupas muito clássicas. A Mirror/Dash (nome também de um dos inúmeros projetos paralelos de Kim) foi criada em parceria com os amigos Melinda Wansbrough e Jeffrey Monterio. Sua primeira criação foi o uma jaqueta de lã estilo militar inspirado em Françoise Hardy. Ela mesma foi a maior garota propaganda da peça.
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Sua marca vai bem obrigada, já para o verão 2009 criou peças para a Urban Outfitters, mas essa não é natureza desse post e sim tentar desenhar a sua postura, muito através do estilo e da moda, na cena rock sempre tão machista. Contra a lógica de que para ocupar terrenos masculinos, as mulheres tem que ter comportamentos masculinos (no rock, muito bem representado pelas Riot Grrrls e Courtneys da vida), Kim nunca deixa sua feminilidade de lado, mesmo quando tem que gritar e esbravejar.

E não tenho dúvidas que a questão moda + atitude agem de maneira positiva para sua afirmação como legítima persona rock’n roll em um terreno tipicamente comandado pelos homens.
Penso em Karen O., mas não sei se ela usa seus figurinos de palco ousados, femininos, abusados no dia-a-dia, assim como fazem os nossos abravanados que não diferenciam a roupa para cada ocasião ou papel social. Mas penso ainda mais em Lovefoxxx. Ela eu sei que como Kim, o que veste é tanto na vida real como no palco. Não quero dizer que a transfiguração ou a criação de um figurino tenha menor valor do que um look mais orgânico, mas na questão das mulheres no rock, com certeza esse é um valor em si para imprimir a feminilidade em um primeiro plano (longe das groupies) em um ambiente totalmente masculino.

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