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A MODA E AS RELAÇÕES AMOROSAS

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Marco Sabino ao refletir sobre as trocas de estilistas ou a dança das cadeiras que tem acontecido com muita frequência nos últimos tempos, acabou por fazer uma relfexão sobre as relações amorosas.
Ele diz sobre a saída dos estilistas:
“A coleção lançada para a estação não vingou?
– Rua!
Os executivos das empresas têm expectativas, números a seguir e gráficos de crescimento a apontar. Nada de compreensão ou paciência”.

E compara:
“Mas, pense também nos relacionamentos, namoros e casamentos atuais. Quanto tempo duram? E a paixão declarada pelas celebridades nos sites e revistas? No século XXI, ninguém mais tem tolerância com ninguém e pequenas crises, que antes eram resolvidas com algum tempo, não o são mais. Melhor mudar tudo!”
Enfim, a rapidez e a expectativa dos resultados (seja na moda seja no amor) leva a uma certa intolerância, exatamente a mesma intolerância que o século 21 diz querer aplacar com direitos para mulheres, gays, negros, etc ou mesmo em outra via, com politicamente correto (que pra mim é a forma mais intolerante de todas).
Cada vez fica pra mim mais claro que acho nonsense o entusiasmo de boa parte das pessoas da moda quando um nome importante é substituído por outro. Como escrevi anteriormente pode ser uma posição conservadora minha, mas talvez seja romântica também.
Apesar de saber e ver [e aceitar como regra do jogo] a individualidade ser massacrada em nome do resultado mais rápido, do lucro e da comodidade, não posso dizer que concordo com isso. É sim, sinal do nosso tempo, não temos paciência com o outro, não investimos no outro, não toleramos a diferença de pensamento, não respeitamos o tempo e tornamos o tempo em que vivemos um pouco mais triste!

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O TALISMÃ E A RELAÇÃO AMOROSA ENTRE ESTILISTA E MODELO

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Penso com interesse na exposição “Muse: Embodying Moda” que acontecerá entre 6 de maio e 9 de agosto desse ano no Costume Institute of The Metropolitan Museum of Art. Leio que a exposição irá “explorar a relação recíproca entre a alta moda e a evolução dos ideais de beleza, e incidirá sobre as icônicas modelos do século 20 e seus papéis na projeção e, por vezes, inspiração na moda das respectivas épocas”. Mas muito mais que os ideais de beleza, não consigo parar de pensar na relação amorosa entre os criadores e suas musas. E, com certeza, o papel das modelos como musas dos estilistas faz parte talvez da relação mais intensa e rica do mundo da moda.
E quando falo de amor, não estou sendo metafórico. Charles Frederick Worth, o pai da alta-costura, ao construir, ou melhor, evidenciar a creolina, ele usa uma vendedora da mesma loja que trabalhava para demonstrar sua criação. Marie Vernet é considerada por muitos a primeira modelo da história e não à toa acabaria por se tornar sua esposa.
Um pouco mais tarde Paul Poiret tem em sua mulher Denise, a sua musa e modelo de suas idéias de uma nova mulher. O estilista declarou: “Minha mulher é a inspiração para todas as minhas criações, ela é a expressão de todos os meus ideais”.
Coco Chanel teve entre suas preferidas a modelo norte-americana Suzy Parker, na década de 50. Ela era considerada o rosto Chanel por excelência. Foram muito próximas e confidentes e boatos dizem que as duas chegaram a ser amantes.
Muitas vezes o lance é genético, assim como Maxime de la Falaise foi musa de Elsa Schiaparelli, sua filha LouLou de la Falaise foi o modelo ideal durante 3 décadas de Yves Saint Laurent. Paixão geracional!
Mas nem sempre a relação acaba de forma amistosa. Durante anos Inès de la Fressange foi para Karl Lagerfeld a mulher Chanel. Mas a partir do momento que Inès decidiu, no final dos anos 80, posar de peitos nus como Marianne, um dos símbolos da pátria francesa, Lagerfeld reagiu igual a um marido enciumado e rompeu com a modelo achando a atitude dela “vulgar, provinciana e burguesa”.
Hoje, como o amor se pulverizou em uma certa promiscuidade do desejo, vemos muito dessa atitude refletida nas passarelas. A cada momento os estilistas elegem suas musas para depois descartá-las. Ora tal é a queridinha ora outra é o rosto da marca e assim por diante. Parecem que os estilistas não mais amam suas modelos, apenas se apaixonam e ou então como se diz hoje, apenas “ficam” (assim como os adolescentes) com elas por uma temporada.
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Então a cada temporada, aqui no Brasil, meu coração palpita ao ver dois estilistas seguirem firmes com suas musas por mais de uma década em uma prova que mesmo com todo o império das paixões e do desejo, o amor ainda tem espaço na moda e na vida das pessoas. Com a fidelidade digna do romantismo da século 19, Marcelo Sommer ainda entra abraçado com Luciana Curtis e Alexandre Herchcovitch sempre está de mãos dadas com Geanine Marques. Elas iluminam o final do desfile desses dois estilistas como um talismã: um talismã que mais do que indicar sorte, fala a fundo sobre a relações humanas.
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