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YVES SAINT LAURENT FINALMENTE JÁ ERA (MAS SERÁ SEMPRE)

Macumba de Tom Ford tem poder! A bicha fina dus infernus nunca deve ter engolido direito o vodu que o Saint Laurent fez ao abrir sua boca e expressar  sua verdadeira opinião sobre ter um texano em seu lugar e, sorry as up-tp-date de plantão, infinitamente inferior ao gênio francês.

Na época eu fiquei meio em choque com a posição de desprezo de grande parte das fashionistas em relação a essa mudança. Pra mim era como se falassem pra Fernanda Montenegro: “Vai pra casa porque cê ta véia e agora teus papéis serão da Juliana Paes”. 

Infelizmente YSL não está mais entre nós e com certeza perdemos uma das maiores expressões em moda de todos os tempos.

O mais engraçado foi que ele partiu depois de maio. Depois de 40 anos de uma mudança comportamental que ele também ajudou a forjar.

Ele foi responsável, junto com Pierre Cardin, pelo que chamamos de multiculturalismo na moda, antes mesmo desse termo existir, ao chamar modelos de feições não européias para a sua passarela.

Ele promoveu a igualdade dos sexos, antes mesmo das feministas queimarem seus sutiens em praça pública com o “le smoking”, que a chave estava na calça de smoking para mulheres numa época que o sexo feminino tinha como suas peças mestras as saias e os vestidos.

Ele entendeu que mais que um glamour ligado à grana, ele está ligado à atitude e por isso abriu uma loja na chamada Rive Gauche de Paris, identificada por ser a região dos intelectuais, militantes de esquerda e estudantes. E com isso impulsionar para uma posição de destaque o recente prêt-à-porter.

Ele amou a moda e sua época!
Enfim, ele esperou maio acabar para perceber que nada será como antes, amanhã!

 

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CASA DOS CRIADORES: POR UM JORNALISMO LIVRE E NEGLIGENTE

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Uma das coisas que mais amo no filme “Prêt-à-porter” do Robert Altman é que dois jornalistas vividos por Julia Roberts e Tim Robbins são escalados para ver os desfiles em Paris e acabam cobrindo o evento pela televisão pois preferem viver um tórrido romance no quarto do hotel. Penso também na cobertura que muitos blogs fazem da cobertura internacional através das fotos do style.com.

No dois casos, um purista pode achar que isso é algo absurdo e que o trabalho sai diminuto por não estar lá, in loco, no calor da hora e em parte eles têm muita razão. Mas também o outsider pode ter um olhar diferenciado e menos comprometido com as relações que fizeram os jornalistas que conseguiram entrar na sala de desfile. Já li coisas incríveis de gente que “assistiu” o desfile pelas fotos. No fundo tudo se trata de uma questão de ponto de vista.

Posto isso, vou assumir logo daqui que eu cheguei atrasado no último dia de desfiles da Casa de Criadores e fiz a Oficina de Estilo, isso é, assisti os 3 últimos do backstage.

Mas fiz melhor, ou pior, depende do ponto de vista. Perguntei para os meus colegas de moda o que eles acharam. Eis as frases:

“Foi o pior dos dias”.

“Existia uma vontade kitsch no ar”

“Menos idéia mais alfaiataria”

“Eu adorei um marca, as outras foram só risos”

“Hoje estava mais para criaturas do que pra criadores”

“Vai de retrô, satanás”

“Elas estão começando a andar com suas próprias pernas”

“Que mulher é essa!”

“Talvez eu tenha visto o primeiro trench coat brasileiro”

“O Ivan Aguilar foi o melhor”

“Acho que ele pecou no vinil, no sintético…Aquilo era feio”

“Marcelu Ferraz me surpreendeu positivamente”

“Ele ainda está no limite entre o figurinista e o estilista”

“Era uma confusão de Oriente. Oriente-se, rapaz!”

“Inventividade pura, mas o nonsense vem até na hora de escolher os tecidos”

“Eu olho muito pra bainha e esse lance de fazer bainha em seda é complicado. Ninguém aqui é Alber Elbaz!”

“Um teatro triste”

“Uma roupa para todas as mulheres, democrática, mas ainda não vi ninguém com elas”

“O que importa é a performance”

Com base nessas frases eu escreveria que:

As duas primeiras marcas, Athria Gomes e Ianire Soraluze, abusaram do retrô que deveriam deixar guardao no passado e apostar no futuro delas como criadoras de moda e procurarem encontrar pra que mulher elas desenham suas roupas.

Ivan Aguilar acerta em novas peças, fez um desfile certeiro, mas errou nos tecidos tecnológicos de algumas peças, mas cada vez mais mostra vigor e novidades em suas construções

Marcelu Ferraz deixa o desenho de figurino, mas não por completo, mas dá um bom passo para aquilo que chamamos de fashion. Ele começa a orientar a sua moda.

Já P´tit agrada com a performance, mas tem que cuidar melhor do acabamento de algumas peças.

Será que faria feio? Será que escrevi algum disparate? Foram apenas muitos pontos de vista filtrados pelo meu.