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INJUSTIÇA SEJA FEITA

A pixadora continua presa, a crítica de artes da Folha de SP continua vendida, vedada e vendada e Celso Pitta tá numa boa.

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performance coletiva no encerramento da a.v.a.f. : “Eu Pixo a Bienal do Vazio ou Ficou Facinho Ser Artista desde 1917”

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Eu olho ao longe, bem longe essa tal de arte contemporânea de vassalagem!

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Suzy Capó, você também é artista

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Diversão de protesto

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Avafamos!

Enquanto isso, a pixadora fala (mas reparem que é para o editor de informática, não para nenhum dos jornalistas de artes plásticas da Folha – lamentável)…

CAMPANHA VOTE NA TORTA DE PALMITO

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Digamos que a Torta de Palmito foi a 4ª ou 5º coisa mais importante da Bienal do Pixo depois dos pixadores, a.v.a.f., desfile de FKawallys e Maurício Ianês. Pra mim, não houve polêmica melhor na Bienal do Vazio do que essa, completamente arte contemporânea de vassalagem, isto é, vazia.
Foi algo que comoveu a tantas pessoas que o site Chic na eleição dos melhores de 2008 colocou entre os concorrentes de melhor Momento Fashion, A polêmica da torta de palmito na performance de Mauricio Ianês
Ultimamente tenho feito muitos votos nulos, mas nesse caso meu voto é certeiro: A TORTA DE PALMITO FOI O MOMENTO FASHION DE 2008..

TORTA NA CARA

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Todo mundo comentou a performance de Maurício Ianês, eu faço parte da voz que achou um pouco óbvia no começo. Ele ficar nu = espaço vazio = os participantes interagem e preenchem esse espaço, blábláblá, mas a ignorância-falásia dos curadores dessa Bienal perante a liberdade e o real questionamento da ação artística – vide episódio dos pixadores – fez mudar a minha perspectiva dessa performance e até resolvi vê-la no último dia.
Mas o bizarro-engraçado-constrangedor segue no e-mail abaixo:

“Queridos amigos Artistas e Entusiastas,
Gostaria de denunciar o episódio da Torta de Palmito na performance “A Bondade de Estranhos”, do artista plástico Maurício Iânes na 28va Bienal de Arte de São Paulo.
Acompanho os trabalhos do artista há muitos anos, e gostaria de constatar aqui, junto a voces que no dia 04/11/2008, uma matéria escrita por Gustavo Martins sobre as primeiras doações que o artista recebeu na estréia de sua performance (http://diversao.uol.com.br/arte/bienal/ultnot/2008/11/04//ult6000u11.jhtm), uma pessoa “não identificada” doou ao artista uma Torta de Palmito, junto com uma camiseta e um amigo imaginário de papel feito pelo coletivo de arte do doador anônimo.
Denuncio que a Torta de Palmito foi doada pela jornalista de moda Erika Palomino (www.erikapalomino.com.br), amiga de décadas de Maurício! Pode ser que não foi ela que entregou a torta, mas foi ela que doou. Me baseio no fato de que em março desse ano, a jornalista doou a mesma Torta de Palmito para o também artista plástico Marcelo Cidade!
Não é muita coincidencia?
E quem, além de uma amiga íntima, saberia que o artista é vegetariano? Porque ela não deu uma torta de frango? Porque não um empadão de carne?
Estou realmente revoltada, pois uma obra que poderia ter toda a pureza e limpeza pretendida pelo artista esta sendo corrompida pelo escândalo da Torta de Palmito.
Não preciso nem dizer que uma Torta de Palmito usada com parcimônia, pode ser utilizada em até 2 semanas, e isso já compromete todo e qualquer desafio que a performance propunha.
Indignada pela grande farça da Torta de Palmito, mandei um email para a curadora do evento, Ana Paula Cohen, e ainda não recebi resposta.
Segue o email:

‘Querida Curadora da 28va Bienal:

gostaria de denunciar que a Torta de Palmito doada por uma “pessoa que não quis se identificar”, é na verdade doada pela jornalista de moda, e baluarte da cena art-fashion de São Paulo, Erika Palomino
(www.erikapaomino.com.br).
Erika já tem um histórico de doar Tortas de Palmito para artistas plásticos. Em março desse ano, a jornallista doou uma torta de palmito, junto com a sua namorada Digão, para o também arista plástico Marcelo Cidade.
Esperamos mais fiscalização na performance!!! A Bondade tem que ser de estranhos, e Erika tem um longo relacionamento de amizade, de mais de uma década com o artista.

Obrigada,
Asuzi F. Assunção’

Se você, assim como eu, também está indignado, encaminhe esse email para seus amigos Artistas e entusiastas! Não vamos deixar o Escandalo da Torta de Palmito terminar em Pizza!

Obrigada
Asuzi F Assunção”

É tudo tão bom que quase não quero comentar, mas é tão denunciador do quão patética é a essa tal faceta da “arte plástica=contemporânea” e o pensamento pueril que a cerca que só mesmo uma torta na cara pra encerrar esse pastelão todo.
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Erika Palomino, que pastelão ops, papelão! ahahahahah

A BIENAL ESTÁ VAZIA!

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Na abertura da Bienal do Vazio confesso que fiquei impactado com o andar dedicado ao nada, ao vazio, à falência do modelo de uma certa arte contemporânea. Saí emocionado mesmo tendo um andar fantasmagórico – o 3º – com os restos da desastrosa Bienal passada, aquela que insistia em atualizar aquele tipo de arte maneirista e sem sentido que é a grande maioria da produção das galerias e dos museus hoje. Enfim, mercadoria travestida de arte!
Fiquei também bem impressionado pela qualidade dos textos e a iniciativa de um jornal de artes semanal sob o comando do jornalista Marcelo Rezende distribuído não só no Pavilhão como em toda a cidade, nos semáforos e nos metrôs.
Por um acaso eu visitei o andar com o ilustrador Fábio Gurjão que ao ver aquela amplidão logo falou: “Vou fazer meu desfile de camisetas aqui assim eu estreio na Bienal e no SPFW ao mesmo tempo e só faço coleção de 2 em 2 anos”.
O espaço convida pra “invasão”, pra algum a forma de ocupação, pois tem um projeto que pede para que ele seja preenchido, aliás essa é a beleza daquele andar vazio, a esperança que algo esta porvir. Todo o blábláblá de Oscar Niemeyer que Ivo Mesquita disse querer ressaltar é mitificação de curadoria, terreno de muitos pajés-pajem do tranca-arte.
No dia seguinte, o inevitável: Pixadores entram pela porta da frente em pequenos grupos, se organizam e pixam o vazio de uma forma bela, cheia de atitude e violência. Eu que estava vendo um vídeo de Marina Abramovic, aquela da performance, se penteando e gritando “art is beautiful”, me deparo com a curadora-adjunta Ana Cohen descabelada, chamando-gritando pelos seguranças, polícia.
Vejo uma manada de jovens em uma coreografia que lembrava os animais livres da savana correndo e gritando por liberdade de expressão. Não resisti, aplaudi forte como muitas outras pessoas. Em alguns minutos depois, todos os visitantes estavam presos-enjaulados na Bienal sem poder sair por uns 15 minutos, afinal aquele vazio tem dono e cercas.
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Meu cineasta-artista preferido, Jean-Luc Godard, tem uma frase que diz muito do que penso sobre o atual momento e sobre essa ação dos pixadores: “Cultura é regra, arte é exceção”.
E nesse sentido, a Bienal ao apagar os pixos assim como a grande maioria dos senhores envolvidos com a tal arte contemporânea estão situados e sitiados no terreno da cultura, já os pixadores, eles estão no terreno da arte, sem sombras de dúvidas.
A verdadeira arte nunca foi palatável, educada, exatamente por nos tirar do eixo ela tem que ter condutas que nos perturbe, nos faça pensar, nos faça sentir, que possamos sair do óbvio.
Acredito que depois da Bienal da Grande Tela, importantíssima em seu ato paradigmático ao fundar no Brasil a persona do curador tal como a conhecemos nos dias atuais e criar a obra formadora dessa figura do curador como artista que reina até hoje, esse ato dos pixadores é a grande novidade em artes desde os anos 80.
Infelizmente a Bienal do Vazio por ser tacanha como escreveu em outras palavras Jorge Coli se mostrou em sua relação policialesca com os pixadores que essa história do vazio era mesmo uma falseta. E ainda dentro do antigo castelo da tal arte dita contemporânea preferiu apagar esse capítulo de seus anais, mas quem levou no rabo foi ela mesma, porque até hoje eles, os pixadores, ainda são assunto em meios que essa mesma tal arte adoraria ser incorporada.
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