Arquivo da categoria: “pequeno pensamento burguês

AÇÃO E REAÇÃO

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A MINI-SAIA E OS UNIVERSITÁRIOS

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Twiggy e sua revolução chamada mini-saia

Não é mera coincidência a liberação das mulheres acontecer na mesma época que aparecem as mini-saias na hoje mítica década de 60. Depende de quem conta a história, Mary Quant ou André Courrèges a inventaram, mas a revolução veio das ruas, com meninas que assim como Twiggy levantaram as saias não por submissão aos homens mas por vontade própria, pra mostrar que tinham o poder e a liberdade ou ainda a liberdade de poder. O mesmo podemos pensar sobre o terninho ou smoking feminino de Yves Saint-Laurent, são dos mesmo gesto, o gesto de autoafirmação positiva do status de liberdade para vestir o que bem entender.
Já comentei aqui no blog sobre o papel político importantíssimo das roupas em contraposição à imagem de alienação que foi grifada para todos que lidam com moda. Percebo também que esse papel muitas vezes se silencia no meio de moda como aconteceu sobre o fato que conto logo abaixo e só comprova os tempos extremamente conservadores que vivemos.
Se os universitários dos anos 60 estavam a favor da liberdade [claro que essa é a visão vencedora, pois tinham os chamados reacionários também, basta lembrar dos confrontos na Maria Antonia entre os uspianos e os mackenzistas), a imagem dos estudantes do ensino superior que se impõe no anos 2000 é a dos que frequentam o campus da Uniban em São Bernardo do Campo.

Foi lá que a estudante de Turismo, Geysi Vila Nova Arruda, 20, foi hostilizada pelos alunos da faculdade por estar usando uma mini-saia. Teve que sair escoltada pela PM aos gritos de “puta”.
“Se eu não voltar para a faculdade, vou assumir uma culpa que eu não tenho”, disse a estudante numa clara atitude de resistência.
Muitos telejornais, programas da tarde da televisão exploraram o assunto nesses dias, mas tudo tratado como caso isolado de uma mentalidade reacionária localizada. Não sei bem se é tão localizada assim e não um resultado, um sintoma dos tempos que vivemos hoje.
Os vestidos estão sim mais curtos, no mundo todo, e sim, eles se parecem muito com os trajes das garotas de programa, mas isso não é motivo de escândalo e hostilização como o que aconteceu com a estudante.
Por isso, mulheres de todo o mundo levantem suas saias e saiam na rua se isso continuar a acontecer!
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A NOVA BELEZA MASCULINA

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É interessante pensar que a moda masculina sofre muito a influência de um peso-pesado da moda feminina: o estilista da Chanel, Karl Lagerfeld [talvez devolvendo aos homens o que as mulheres de Coco Chanel pegaram emprestado em suas inúmeras incursões ao guarda-roupa masculino]. Mesmo ele tendo para o grande público uma imagem um pouco bizarra, Lagerfeld tem feito um senhor trabalho de apontar vontades para a moda voltada para os homens.
É histórica a sua legitimação confirmando que os caminhos que Hedi Slimane percorria na Dior Homme estavam acertados. Ele mesmo fez questão de alardear a saga de seu regime para caber em uma calça skinny de Slimane. Repetiu esse mantra inúmeras vezes e é claro chamou a atenção do mundo para o trabalho do ex-estilista da Dior. Hoje vemos bofinhos usando modelagem skinny e podemos ter certeza, sem exageros, que uma parte dessa razão está indiretamente na propaganda de Lagerfeld anunciando que aquilo que Slimane estava desenhando era o que tinha de mais interessante na moda masculina naquele momento (não digo novo porque isso é mais marketing que verdade, pois sua modelagem é toda chupada da década de 60 como já escrevi aqui antes). Mas isso pouca importa, o que chama atenção é que com o aval de Lagerfeld, viu-se durante quase toda uma década a entrada de meninos muito jovens, magricelos, andróginos e feios. Todos recrutados para as passarelas da Dior Homme e da Prada e fruto do desinchaço dos modelos bombados dos anos 80 que passaram a década de 90 toda se secando.
Bom, depois de tudo, Karl volta a dar as cartas novamente e declara que só mesmo Hedi Slimane para arranjar aquele casting de meninos feios e que os tempos agora são outros, que a beleza dos homens deveria voltar à mesa [acredito que ele está se referindo a uma beleza mais clássica assim como todo o movimento sartorial e de alfaiataria tradicional que está sendo retomada na moda masculina]. Ele exatamente declara isso para legitimar seu novo muso, o modelo marselhês Baptiste Giacobini. Quem acompanha o blog de Marco Sabino pode ver a carreira meteórica do modelo, indo parar no primeiro lugar do site Models.com, mostrando o poder das palavras do kaiser da moda .
Com certeza Karl anuncia uma mudança de paradigma para a beleza masculina na passarela e isso tem resultado em todo o mundo da moda e com certeza na imagem do que é belo em um homem para o nosso mundo de hoje. Versátil, ousado e bonito, Giabiconi é esse sinal.
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Sem medo do salto alto, da androgenia e de mostrar o (H)edi
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Criatura e criador: Mais “Morte em Veneza” impossível

E abaixo um vídeo com Baptiste em movimento

COLUNA DA REVISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO 28/06/2009

A parada foi sinistra, diriam os cariocas, se a 13ª Parada do Orgulho LGBT tivesse sido na cidade maravilhosa. 15 dias depois daquela que é considerada a maior manifestação homossexual do mundo, só posso dizer que tenho mais vergonha do que orgulho.
Pessoas que foram assistir o evento quase ficaram esmagadas perto do Masp. O cozinheiro Marcelo Campos Barros, 35 anos, morreu depois de ser espancado em plena Frei Caneca, que muitos querem batizá-la como rua gay. Mais tarde, uma bomba caseira explodiu em plena Vieira de Carvalho com Vitória, um lugar muito mais gay que a Frei Caneca, deixando dezenas de feridos. A polícia até agora não prendeu ninguém.
Mas pior que falhas no policiamento e na organização, é o cativeiro que os viados estão construíndo para si mesmo. Primeiro ao retirar os trios elétricos das boates gays para dar um viés mais militante, a parada se tornou menos feliz. Não percebeu que na vida gay, as boates tem sim grande papel político. Mas mais obtuso que isso foram os camarotes na Paulista que as supostas finas pagaram para se sentirem protegidas da turba. Isolaram-se da população de uma cidade com pouco lazer e vê na parada uma oportunidade de ser menos excluído da diversão – e que sem eles nós não teríamos a maior catwalk gay do mundo. Ouvi muitas bichas falarem que agora a parada perdeu o sentido, que só tem gente feia, pobre, “maloqueiros”. E trataram essas pessoas com a mesma intolerância que juram lutar contra. Tá boa?!

Errata: O cozinheiro Marcelo Campos Barros foi morto na rua Araújo.

PS: A militância está furiosa, acha que eu desmoralizei a Parada e que fui nefasto ao errar o nome da rua do assassinato, da Araújo para a Frei Caneca, mas isso de forma alguma diminui a minha verdadeira crítica que é dirigida aos policiais que não prenderam ninguém e que, suspeito, tem toda cara de ser crime de ódio. E só aconteceu pela visibilidade da Parada. Me parece uma resposta de algum grupo talvez, e para amedrontar ainda mais os que sairam na rua, assim como a bomba caseira que explodiu no Largo do Arouche, tudo na mesma noite e locais de trânsito de quem estava no evento.

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Marcelo Campos Barros foto de Luci Felipe

A LOKONA DA BUATCHY

Depois da Trash 80’s, Ronaldo Esper ataca no Glória e o nome da noite não poderia condizer melhor com as imagens abaixo: Perversa!
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fotos: Fábio Motta

MEU CU…

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Quer dizer, do Rodrigo Rothen! Ou como aprendi com minha amada Dra Vodca: um anal.
Um pouco de atitude punk nessa quarta chata.