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AS ROSAS DE HIROSHIMA

bombaatomica
Engraçado que os tempos de hoje parecem não ter o mesmo medo do Apocalipse programado pelas bombas atômicas que as gerações que viveram a Guerra Fria. Era muito comum na década de 80 matérias sobre o que fazer se uma bomba atômica caísse perto de sua casa, quantas centenas, milhares vezes tantos os Estados Unidos e a falecida União Soviética eram capazes, pelo seu potencial atômico, de acabar com o mundo, como seria a vida na Terra no Day After e até quais as roupas apropriadas para uma hecatombe. Enfim, o mundo desde a Segunda Guerra até o final da década de 80 vivia sob a tensão do fim do mundo e de uma guerra sem vitoriosos.
Acabou a Guerra Fria e percebemos que todo marketing era em boa parte propaganda política, pois os países continuam com um elevado potencial atômico e, pior, países rivais, como Índia e Paquistão, ambos detentores da bomba, vivem em constante tensão. Sem falar nas ameaças da Coréia do Norte. Isso quer dizer, o perigo não passou, ele só deixou de ser tão midiático como nos anos da Guerra Fria e por isso nos parece menos assustador.
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Nunca estive em Hiroshima, mas pra mim é um lugar importante no mundo, de um valor simbólico incalculável. Lá, o estilista Issey Miyake nasceu em 1935 e aos 7 anos viveu toda a catástrofe de uma cidade arrasada por um poder até então desconhecido. E 3 anos depois, com 10 anos, perdeu a mãe em consequência dos efeitos da bomba atômica e adquiriu uma osteomelite.
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Toda essa tragédia não impediu ele de dar uma resposta positiva e um presente ao Ocidente. Sua moda desde os anos 80, ligada ao japonismo e que revolucionou o fazer e pensar moda, é fresca, inquieta e viva. Seus plissados, suas cores fortes nunca revelaram esse lado escuro de sua vida. Até porque como disse na carta aberta ao Presidente Obama publicada no jornal New York Times/ International Herald Tribune, ele não queria ser conhecido como “o designer que sobreviveu à bomba atômica”.
Nesse carta, que é o motivo desse post, Issey Miyake pede para que o presidente Obama visite Hiroshima no dia 06 de agosto – o dia em que a bomba explodiu na cidade e que é considerado o Dia da Paz Universal -, já sem culpados e inocentes, sem remoer o passado, ele diz para o presidente americano atravessar a ponte da Paz da cidade num ato simbólico para reafirmar nesse momento que todas as desavenças devem ser superadas, pois o perigo ainda é eminente, mas que devemos dar um passo contra o pavor de uma guerra atômica. Issey Miyake nos ofereceu uma rosa, muito mais espetacular e bela que a estúpida rosa de Hiroshima que foi como a explosão foi vista pelas pessoas nas fotos.

GUERRA E PAZ


Hoje, dia 17, Israel anunciou o cessar fogo unilateral. Foi vergonhosa essa intervenção do Estado de Israel na Faixa de Gaza e as causas ainda serão sentidas em todo mundo de maneira muito negativa.
Antes de tudo é preciso dizer que o mais importante do conflito na Faixa de Gaza é tomarmos uma posição clara, logo de início de sermos contra qualquer ato anti-semita, pois é exatamente esse mesmo termo que fascistas, radicais de esquerda e judeus massificados usam de um lado ou de outro pra justificarem sentimentos injustificáveis. É importante sempre afirmar a autencidade e a contribuição judaíca ao mundo e também assumirmos (os “góis”) que durante muitos séculos eles foram perseguidos e massacrados e o fato de ainda sobreviverem é uma prova mais do que de resistência, mas de cultura.
Conflitos como esse que ocorrem na Faixa de Gaza fazem alimentar mais ainda o ódio pelos judeus, o nefasto anti-semitismo e isso é o maior erro de todos.
Devemos não confundir e sabermos separar os judeus e o Estado de Israel, por mais imbricada que seja essa relação entre os dois. E percebermos que mesmo dentro do Estado de Israel, um estado altamente militarista, existem pacifistas e judeus que contestam a relação de ódio entre judeus e árabes.
Ilan Pope, importante historiador israelita, afirma: “Israel encontra-se fundado sobre uma mentira”. Ele não fecha com os judeus massificados pela cegueira religiosa.
Ele conta: “O meu pai me havia enganado e que todos nós havíamos sido enganados no colégio e na Universidade. Tanto o meu pai, como os meus professores, disseram-nos, uma e outra vez, que, quando da fundação do Estado de Israel, em 1948, os palestinos preferiram partir, o que é mentira. Os arquivos que consultei e os documentos que eu mesmo li são prova evidente da expulsão de palestinos por parte dos israelitas, os quais recorreram ao terror, às ameaças e à violência”.
Isso vindo de um judeu é um ato mais de fé do que de coragem, uma fé nos princípios fundamentais do judaismo, eu diria.
Outro judeu que pregou a paz foi Alexandre Herchcovitch em seu verão 2009, muito antes de todo esse babado de Hamas versus Israel no Oriente Médio.
Aos homens, a guerra, para as mulheres, a paz. Nesse sentido ele foi profético como os profetas de sua religião e abriu possibilidades para uma historicização da moda. Pois ver esses desfiles nessa altura dos acontecimentos torna-se uma lição de imagem muito especial.
Levantem seus lenços palestinos como bandeiras brancas!