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COSTANZA E EU

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Matéria paga pau, mas eu pago pau mesmo pra Costanza Pascolato sem nenhum constrangimento. Em uma entrevista longa [que boa parte foi editada para o bem do ritmo de uma matéria], porque também aproveito pra conversar com ela sobre a moda e o mundo, ela falou de seu novo livro “Confissões de Costanza” que vai ser lançado no mês que vem, música – que foi o nosso elo de contato e foi assim que começamos a conversar sempre em todas as temporadas – e é claro, moda. Tudo isso, pela visão dela, sempre particular, articulada, meio olho de Tândera ou como em uma outra conversa, eu e Alcino chegamos a uma conclusão, Costanza é nossa maior pensadora de moda!
Veja como foi!

FLORA NA OSKLEN


Quando você pensa que a novela “A Favorita” tinha acabado, ela volta toda-toda nas passarelas do SPFW, mais precisamente no desfile da Osklen. Tá certo que a marca arrasa mesmo e mesmo num desfile de cores neutras faz o nosso mundo mais colorido e feliz dada a capacidade de criar uma imagem tão interessante e própria.
Mas Flora, ops Oskar Metsavaht na fila final realmente parecia não satisfeita e encarando feio a platéia parecia que ia dizer: “Gente, que timidez é essa. Mais aplausos. Eu mandei vocês aplaudirem. Cambada de mercenários. Vamos lá gentália”.

Olhem a cara de “mais, mais aplausos!”do Oskar

POR QUE TUDO É MAIS TRISTE NO INVERNO, PACO RABANNE?

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Neon verão 2009

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Osklen inverno 2009

SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA E O UNISSEX


Sobre a última temporada de moda masculina e seu feminino é sempre bom ver outras visões não menos importantes, o sempre incrível Mario Mendes e suas observações afiadas fazem uma análise sobre a tendência dos pijamas nas passarelas e sobre uma moda mais relax, mais confortável que parece reinar também entre os criadores fashion – todos sabemos que cada vez mais os homens preferem o conforto, por isso mesmo a resistência à gravata, ou melhor, ao terno como uma roupa natural do seu dia-a-dia. A grande maioria só o usa por motivos profissionais e parecem felizes ao fim do dia ao se livrar de seu espartilho. Quem sabe é o final mesmo de um ciclo do terno como a principal roupa para os homens…
Quem será nosso Poiret? Quem será nossa Chanel?

Osklen inverno 2008, tanto para meninos como para meninas

Ao ver o penúltimo desfile da Osklen, seu inverno 2008, vi com felicidade e surpresa uma possibilidade para a moda masculina e no geral para o streetwear. Ali tinha algo unissex que poderia ser um possível impulso para a moda masculina.
No dicionário Houaiss, o termo unissex é adjetivo de dois gêneros e dois números que pode ser usado tanto por homens quanto por mulheres (refere-se especialmente à moda, como tipo de roupa, calçado, corte de cabelo etc., ou a serviços profissionais)
O termo não poderia ter surgido senão na década de 1960, época que os gêneros foram postos em xeque.

Você acredita no unissex como uma possibilidade de arejar a moda masculina? Ou não? Como vc vê o unissex?

O unissex já rolou na moda e sempre achei que quem sai perdendo é o homem, que fica feio, meio caricato. O unissex é um dos caminhos apontados para o futuro da cosmética. A direção foi concluída numa feira internacional que rolou em Bolonha, no começo do ano [N.E. é possível que a beleza novamente sinalize algo na frente das roupas com o suspeito].

Cher e Sonny
Com relação à moda, pode ser que role. O século 16 foi masculino, no 17 a mulher começou a aparecer, vide Maria Antonieta, Pompadour e outras. O 19 foi masculino e no 20 a mulher conquistou tudo o que falamos acima.
Acredito que o século 21 seja de armistício entre os gêneros, seja um século misto, unissex. O homem assume seu lado feminino para se equilibrar com o masculino da mulher, que bomba desde o final dos ano 90, quando ela chegou ao topo nas corporations, virou provedora do lar. O homem leva os filhos ao pediatra e à escola. Na cama, eles se entendem cada vez mais. Ueba! Pode ser uma viagem de aquariano dragonino.
Por outro lado, o homem cada vez mais caminha para descobrir que sua moda é bacana, por mais que muita gente a ache chata e entediante. Onde há fumaça, há fogo. Tudo o que te contei aqui, está contado detalhadamente no meu livro.

Bom, aqui encerra a semana Lula Rodrigues no blog, pra mim foi uma grande honra ele ter respondido às perguntas e se debruçado nessas questões da maneira que fez, ainda mais que está finalizando um livro sobre o assunto, o Almanaque da Moda Masculina que sairá no começo do ano que vem pela Senac Rio. Pra mim, repito, já nasce clássico!
Adorei também todos os comentários e a discussão que a entrevista suscitou na blogosfera.

SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA E SEU PULO DO GATO, OU MELHOR, SEUS NOVOS CAMINHOS


Uma preocupação minha em relação ao que vimos nas passarelas do verão 2009 com a afirmação desse homem mais feminino, foi saber exatamente se seria mesmo uma aposta efetiva dos criadores de moda ou apenas uma jogada de marketing de algumas grifes para se autosacralizarem modernas e antenadas. Então continuando minha conversa com Lula

Esse homem é uma sinalização de mudança ou é apenas decor de passarela dos estilistas, uma modinha?

Nada de modinha. Dos estilistas sérios, este homem é estudo, laboratório e divulgação. Quer uma prova? Estamos falando nele agora e você, espero, vai publicar esta matéria em seu blog. Estamos divulgando um embrião de uma mudança que, não tem mais jeito – vai rolar.

Raf Simons verão 2009
Paremos para pensar. Há 20 anos, estaríamos agora falando do homem e sua moda? Os ciclos para reflexões sobre o tema estão cada vez mais curtos. O que rolava em 10 anos agora acontece em 5. O neologismo metrossexual foi criado em 1994. Ninguém deu bola. Em 2002, David Beckham foi eleito o padrão. Bombou e o mundo descobriu um novo homem. O retro, o über, o techno, o homem alfa, o beta, o power seeker e o neo-patriarca, nasceram e sumiram em 2 anos. Hoje o “homem sem rótulos” – o que já é um rotulo – é a bola da vez.

Johnny Depp e seu estilo retro man

Alemão, o homem alfa brasileiro

Se analisarmos esse homem, veremos que o formato surgiu nos 80´s num evento – New Man – pilotado por ninguém menos do que o Paul Smith, em Londres. Rolou o que foi batizado de newmania_ou mania do novo homem. Acabou, foi reeditado em 90 com o boom do consumo masculino _ de moda, passando a carros & gadgets – nas revistas para homens. São ciclos que se fecham cada vez mais curtos. Professo a minha fé no mantra que diz: água mole em pedra dura, tanto bate até que vira comportamento & moda masculina.

Qual seria o pulo do gato para a moda masculina? Você me disse que a Prada, a Osklen, o Raf Simons estão tentando esse pulo…

O pulo do gato? A expressão já diz tudo. Pulo do gato não se conta, se faz e, depois se vende hehehe. São os criadores que têm que rebolar para terem os seus diferenciais, seu pulos de gatos. Prefiro a palavra caminhos. Se eu descobrir até terminar o meu Almanaque da Moda Masculina [N.E. com certeza já um clássico], eu prometo que, esta reposta estará no livro. Segundo os estudiosos, o caminho é continuar pacientemente com o mantra: água mole em pedra dura …

SPFW – O ABSTRATO POÉTICO DA OSKLEN

Fazia algum tempo que o lirismo de uma idéia abstrata não dava o tom de uma coleção de Oskar Metsavaht. Fazia tempo também, desde o verão de 2005, com sua excepcional coleção sobre o vento que a Osklen não olhava para a natureza como inspiração, pois a marca e seu perfil ecologicamnte correto que o estilista tem adotado e filiado a grife nos últimos anos, tem feito ela olhar para o mundo natural muito mais como ideologia com prejuízo à poesia.
Choveu idéias na sua coleção de verão 2009. Inspirada na chuva, se ela não teve a radicalidade de seu inverno anterior, pelo menos avançou em muitos quesitos.
Ao utilizar o plástico como elemento orgânico e poético elevou o conceito de natureza, afinal sempre esquecemos que o homem e suas invenções também fazem parte dela.

o prisma do asfalto sujo molhado: do plástico ao plástico

Ao propor um homem mais feminino com saias (fazia tempo que não se via um look desses nas passarelas tupiniquins), calças dhots com cavas baixíssimas tenta qeubrar pelo menos imageticamente a camisa de força que se encontra a moda masculina.
Ao conciliar conforto com elegância, (incrível como a fluidez das peças parecia que os modelos estavam sempre aconchegados em suas roupas) reforça uma idéia que ele tem avançado sempre em sua marca que é de um modo de vida brasileiro, despojado, mas nunca desleixado.

Oskar, o que a gente fez pra você fazer essa cara de bravo?

SPFW: DIÁLOGOS IMPERTINENTES (O BARRACO DA MODA)

Duas fashionistas, Martha Marthy e Chleo Ander Finger, conversam na entrada da fila de um desfile: 

– Você foi no desfile da casa do Tufi?

– Não freqüento neoclássicos.

(você já leu isso antes)

– Não faz a Vivienne Westwood, só porque não foi convidada.

– Ai queridinha, prefiro falar da Osklen. Eu comeria todos os garotinhos da Osklen.

– Mas fofa, quem era menino, quem era menina naquele desfile? Me senti no Second Life

– Second Life é o que deveriam dar pro Jefferson Kulig!

– Ai, que venenosa, até que tava super bonitinho. E na Patachou, você foi?

– Se atualiza, é Tereza Santos e a casa do Tufi o estilo é eclético.

– Gente, a senhora “googou” tudo antes de conversar comigo que eu sei de eclética a senhora só tem essa combinação pavorosa de estampas. 

As duas começam a rir com se nada tivessem falado uma para a outra!

SPFW: OSKLEN – MÁGOAS DE CABOCLO, LISTRAS E O NOVO STREETWEAR

Desfile da Osklen, sala cheia. Peço para uma assessora um lugar, ela fala para sentar na cadeira última da imprensa internacional. Minutos depois uma outra assessora me tira dali. Sala cada vez mais cheia. Espero um pouco em pé, calmo, sem faniquitos. E sem chiliques, decido me retirar depois de ver que seria impossível sentar em qualquer lugar que fosse.

.A relação entre jornalista e assessoria é uma coisa complicada. As assessorias precisam dos jornalistas para promover seus clientes e os jornalistas, ultimamente, precisam das assessorias para gerar notícias. Nessa relação promíscua, pois muitos assessores e jornalistas são amigos ou parecem ter uma relação amigável, acaba-se sempre se confundindo tudo e todos em ambos os lados.

Alice Ferraz, que por exemplo sempre se fez de “amiga” minha, acho que descobriu agora que não sou mais repórter-redator do GNT Fashion, coisa que não sou há mais de um ano e simplesmente me riscou de sua lista de convidados. Nenhum de seus inúmeros convites que chegavam em casa veio dessa vez. O que mostra o meu enorme desprestígio em sua assessoria homônima e também do jornal da Folha de São Paulo, jornal que sou colunista e colaboro com regularidade para com a editoria de moda, fato que acontece também nessa temporada. Apenas um detalhe: Alice não é assessora da Osklen!

Mágoas de caboclos acesas porque infelizmente no mundo da moda é sempre o barraco que impera, mas meu império é outro…

Voltando a Osklen, resolvi ver o desfile no conforto refrigerado da sala de imprensa. Claro que só acredita no discurso da objetividade jornalística quem faz esse discurso ou o exige, mas nunca exerceu a profissão, porque essa objetividade é repleta de subjetividade e por esse motivo conto aqui toda essa saga. Quero dizer que fui ver o desfile com um pouco de mau humor e meio sem vontade tanto que nos primeiros looks o xoxo brotou forte: “Ih, Oskar fez uma Emília em crossover (olha a biologia aí, gente) com Pimentinha na fase delinqüente juvenil que acabou de deixar o xilindró com tanta listra”.emilia.jpg foto Charles Naseh – site Chic Emília, Emília, Emília… ou seria Pimentinha

Mas quando a coisa é boa, não tem mágoa de caboclo certa e a coleção foi me conquistando, recebendo meus elogios em voz alta. E por fim, alguma objetividade tem na crítica a seguir:

Osklen alarga com listras o conceito do streetwear

Desde a coleção sobre o vento que a Osklen não soprava novidades tão promissoras na passarela. A cidade vista do alto como uma grande plantação de colheita de idéias. A cidade vista nas luzes dos carros em movimento (as listras), das idéias em movimento.

Da idéia que os tecidos tecnológicos podem ser naturais como o couro vegetal. Da idéia que um novo unissex sem ser uniforme e uniformizante imperará pelas ruas. E principalmente da idéia que o streetwear pode (e deve) ser explorado como uma das grandes metrópoles que inspiraram a marca. Explico: existe um senso comum em moda que os estilistas de streetwear só passam a ser realmente respeitados quando dominam a alfaiataria.

Fato que muitas marcas fazem a passagem, entre eles a Osklen, mas com a conquista do domínio da alfaiataria e sua sedução, existe sempre a perda de um pouco do imperfeito, do “sujo” do streetwear “de raiz”, que no fundo é a verdadeira moda de rua.

osklenunissex.jpg  foto Charles Naseh – site Chic  

o novo unissex da Osklen 

Com a alfaiataria existe uma glamourização do streetwear e isso a Osklen tem feito em inúmeras coleções passadas. Pela primeira vez, a alfaiataria estava a serviço completo do streetwear, mostrando uma inversão de movimento. Movimento esse que ainda iluminará muito a nossa moda.

QUEM IMITA QUEM?

A vida imita a moda ou a moda imita a vida?

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 Osklen 

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Estudante de Direito sendo expulso da faculdade por policiais

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Osklen 

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Viktor & Rolf

Ou é tudo questão do acaso?