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ORIENTE-SE NO OCIDENTE DE ALEXANDRE HERCHCOVITCH

Era futebol americano o que dizia o release, esportes coletivos que sempre nos trazem ideia de violência, de competividade e dos arquétipos ligados à testosterona. Então se esperava uma mulher forte, competitiva como manda as regras do capitalismo ocidental. Mas o que se via era pura delicadeza, pois como o próprio Alexandre sempre diz, “minha mulher é sempre a mesma”, pois mesmo perversa, com chifres, com roupas tecnológicas que acendem, com perucas que lembram o orixá Omulu, ela continua feminina e doce.
Ao longo do desfile não conseguia ver o tal futebol americano, apesar de algumas referências explícitas como a bolsa em forma de bola. O que via de fundo era o Oriente [Herchcovitch tem uma loja no Japão]. Passavam na minha frente as Hello Kittys, os mangás, a princesa Safira vestida de menina, os Tomodachis, as bonecas orientais que vejo nas feiras da Liberdade e era nessa chave que entendi a suavidade, a feminilidade da coleção. Onde era pra ser cheeleaders, eu vi lolitas e lolipops.
E os crepes georgetes de seda só indicavam leveza, assim como o cetim de seda me indicava o Oriente.
O futebol americano era a couraça para tal doçura, os ombros eram o suporte para delicadas armações, mas no look final está a clara visão que Ocidente e Oriente não são tão distantes assim da mesma forma que doçura e força bruta.

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não vejo torcidas, vejo o Oriente[tenho certeza que Tsumori Chisato iria amar esse look]

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o látex mais leve do mundo

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ombros que flutuam

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lolitas e colleges de Tóquio

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princesa Safira vestida de menina

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o look final que une forças aparentemente opostas

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