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O HOMEM QUE ODEIA A BAÍA DE GUANABARA FAZ 100 ANOS

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Lembro na faculdade de jornalismo de ler algum xerox de um trecho de algum livro de Claude Lévi-Strauss – acho que foi um pedaço de “As Estruturas Elementares de Parentesco” – que passou meio batido como tudo que um curso básico pra ser jornalista passa. Aliás, é assim que se formava e se forma hoje os nossos queridos repórteres e posso bem dizer que sou fruto dessa salada de fruta que nunca se aprofunda em nada.
Muito tempo depois, Gerson Oliveira, o hoje famoso designer da Ovo, falou que estava lendo um livro que era a minha cara, que era fantástico e que eu deveria lê-lo. Era “Tristes Trópicos”!
Comecei a ler a autobiografia de Lévi-Strauss e sua viagem ao Brasil e digo que à princípio achei que Gerson estava tirando sarro da minha cara.
Eita francesinho mal humorado (apesar de ter nascido na Bélgica. até hoje nunca entendi essa quantidade de francês nascido na Bélgica)! Ele conta que numas das paradas da viagem, talvez no Caribe (?) se não me engano, foi até a biblioteca para pesquisar algo e ficou horrorizado ao constatar que no banheiro, ao invés de papel higiênico, eles estavam usando folhas de livros da própria biblioteca. Pensei em parar, mas frases com muita contundência e longe do lugar comum me fizeram – graças à Deus – continuar.
“Odeio as viagens e os exploradores”, diz ele um antropólogo que tem como objetivo viajar e conhecer culturas diferentes. Como assim? Essa sinceridade me comoveu e segui adiante.
Fora o trecho clássico:
“Um espírito malicioso já definiu a América como sendo uma terra que passou da barbárie à decadência sem conhecer a civilização. Poderíamos com mais razão aplicar a fórmula às cidades do Novo Mundo: vão da frescura à decrepitude sem se deterem na antiguidade”. Acho tão Ponte Gucci!!!!
Ele odiou a Baía de Guanabara: “O Pão de Açúcar, o Corcovado, todos esses pontos tão louvados parecem ao viajante que penetra na baía como tocos de dentes perdidos nos quatro cantos de uma boca banguela”.
Nesse ponto, a visão é tão pessoal e única que não podemos não respeitá-la mesma que não concordemos com ela. Eu por exemplo acho a Baía de Guanabara linda, mas adoro ele odiar esse mesmo lugar, desafia o coro dos contentes.
Lévi-Strauss detestou tudo o que era da “mão civilizatória” no país, mas se encantou com o índios, descobriu com os bororos algo profundo. E essa é toda a grandeza do livro.
É estranho hoje ser uma voz dissonante (ou pessoal), mas Lévi-Strauss ensina que sair do lugar comum às vezes é se acomodar a ele, não existe nada mais europeu no sentido clichê do que engrandecer os índios.
Vejo muitos amigos mais jovens – os meus amados filhos e filhas de Britney – falando de uma tal crítica construtiva. Ao nominá-la, eles colocam em oposição aquilo que chamam de crítica negativa, “do mal”. Parece consenso porque até um jornalista do porte de Mario Mendes, um dia me escreveu dizendo sobre o Nucool que “depois ele [Mario Mendes] que era maldito”. Conhecendo um pouco do estilo de Mario, sei que ali era uma ironia sobre o estado das coisas e pessoas que acreditam que quem critica algo “é do mal”. Enfim, desmantela-se a crítica entre a do bem e a do mal.
De fundo, isso faz parte de um mecanismo de festa de medalhas que vivemos hoje onde tudo é divino, maravilhoso e ai, de quem não achar ou algo é realmente horroroso (como os pixadores na Bienal, as quedas das Torres) e ai, de quem não achar. Vivemos o auge do lugar comum em todas as áreas. Pois o exercício do pensamento está cerceado por esse falso bom mocismo.
Não existe crítica construtiva ou destrutiva, existe crítica, cabe ao interlocutor decidir se aquilo lhe interessa ou não, se lhe acrescenta ou não. E vamos tirar deus e o diabo dessa terra sem sol!
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a boca banguela

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BAFO: POR QUE EU NÃO ESCREVO MAIS NA REVISTA JÚNIOR?

Chegou a hora mesmo…

 

Algumas pessoas sempre me perguntam se eu não vou mais colaborar na revista Júnior, porque meu texto não estava lá e pra quem sabia que eu tinha sido convidado como colunista, o que teria acontecido. Em geral, eu sempre desconversava. Os únicos que sabiam o que tinha de fato acontecido era Fábio Motta e Mário Mendes, este último crítico costumaz da revista e apesar de ser meu amigo e ainda admirar muito seus textos e idéias eu escrevi que não concordava com o tom de sua crítica bem arrasa quarteirão em relação à revista.

Pois bem, o que aconteceu afinal?

Logo depois do primeiro número e o sucesso da matéria do “Carão” (esse “sucesso” não foi dito por mim e sim por eles da revista) fui convidado pessoalmente por André Fisher e Marcelo Cia para ser colunista/colaborador da revista.

Mesmo contemporizando as críticas tanto de Mário em seu blog como de Nucool, achei que a revista poderia abarcar uma diversidade. O fato de me chamarem para estar com eles acredito que sinalizava isso, pois estou bem longe do estereótipo da bicha fina e essa gama do arco-íris prometia.

Escrevo um segundo artigo sobre a bicha pão com ovo e parece que tudo está indo bem, até que recebo um telefonema de Nina Lemos. Ela, irritadíssima, conta que em um jantar com André Fisher, ele tinha negado a participação dela na revista por ser hétero. Fiquei indignado e durante um tempo fiquei pensando se deveria ou não sair da revista afinal aquilo depunha contra o que eu acredito que seja uma sociedade intolerante e que expus na minha entrevista para o Fora de Moda.

Claro que fazemos e trabalhamos para inúmeros lugares que estão distante de nossas ideologias, estou longe de bancar o herói romântico e nem estou um pouco a fim de passar fome em nome de uma causa, sou bem humano nesse quesito.  Mas não era esse o caso. De qualquer maneira precisava falar pessoalmente com o editor Marcelo Cia, se essa era a ideologia da revista, etc.

E-mails foram mandados. Fiquei um pouco irritado com o descaso já que escrevia dizendo que era um assunto sério e que precisa falar com urgência.

Um dia defendendo a revista escrevi no blog do Mário que mesmo achando que a revista precisa de ajustes, continuava a ver coisas positivas, mesmo que talvez eu não continuasse lá pois não gostei nada da atitude que eles fizeram com a “nossa  amiga”.

Mesmo assim telefonei pra Marcelo e mandei e-mail sem retornos. Para o meu espanto ou coincidência eles ligam pra Nina e falaram que estavam arrependidos e a convidaram para escrever na revista como colaboradora.

Para mim, nenhuma satisfação e acredito que merecia pois me chamaram, não fui eu que me ofereci para colaborar na revista.

Como no caso escabroso de Patrícia Carta que dispensou Erika Palomino sem a informa-la da revista Vogue essa mesma falta de ética percorre as veias de André Fisher e Marcelo Cia que depois reclamam que eu estou falando mal deles (talvez saber disso foi o que me deixou bem puto e com vontade de escrever esse post). Agora queridinhas, vocês podem reclamar com certeza, mas não serei apenas eu que estarei falando mal de vocês, seus júniors…

E é como eu disse: “não é porque é bicha que se livra das questões éticas” e não adianta tentar melhorar uma sociedade, deixa-la mais tolerante, como me parece ser o papel de missionária das duas se nem um simples gesto de coragem e hombridade eles conseguem ter e vir me falar: “Vitor, não queremos mais os seus textos”. Faltou culhão…

E é por isso que eu não escrevo mais naquela revista. E acredito que não sou eu que estou saindo perdendo nessa.Tá explicado?!

 

SIGUR RÓS E A HOMOSSEXUALIDADE JUVENIL

Quem me mandou esse vídeo foi o Nucool pra provar que a mona torce o rabo já cedinho.