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NOSTALGIA, ANOS 80, REVISTA QUEM E MELHORES DESFILES DA TEMPORADA INTERNACIONAL

Antes de dizer sobre as minhas coleções preferidas da temporada internacional, e gostaria de que as selecionei pensando que as quatro principais semanas de moda (Nova York, Londres, Milão e Paris) se dividem claramente em conceitual e comercial, – não é nada muito rígido – , mas de uma maneira esquemática: Nova York e Milão tendem mais para coleções mais comerciais e Londres e Paris para o conceitual. Foi pensando nesses parâmetros e na releitura dos anos 80e sobretudo na nostalgia que acredito foi o traço mais forte da temporada que elegi para a revista Quem, meus desfiles preferidos na temporada:

Nova York deu o start das idéias de moda e, é claro, que Marc Jacobs fez o desfile de maior relevância e repercurssão por lá. E o resultado, apesar de não ser nada novo, foi importante ao tentar indicar primeiro e junto com outras marcas importantes um possível caminho para vendas: continuar as referências em algo que tem tido sucesso comercial. E, vamos dizer que, além de dar um gás na febre 80’s (algo que pela lógica da moda já deveria estar aposentado pois desde o começo dos 2000 estamos revisitando essa década), fez com que outros estilistas durante a temporada internacional afirmassem que esse talvez fosse o caminho certo dentro das incertezas econômicas que vivemos. Jacobs revisitou os anos 80 de forma muito otimista afinal está naquela década o começo de uma era que parece se findar agora com a queda das Bolsas. Foi o canto do cisne! Foi nostálgico!
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Desdobre essas peças e quem sabe você tenha sucesso nas vendas

Já em Londres, a dupla Basso & Brooke faz novas experiências tecnológicas (não confundir com futurismo) com um ar retrô. Algo que o filme Blade Runner, um clássico dos anos 80, em sua estética formal também fez, mostrar um futuro de forma retrô. Apesar de a ponte entre os estilistas e o cinema nessa temporada não foi essse filme e sim a produtora de animação Pixar, existe aqui uma experiência nova de olhar uma forma muito importante dos anos 80 (foi nessa década que começou-se incisivamente a olhar para as décadas passadas e para os tempos históricos), mas dentro de um conceito. Não à toa, as estampas – maravilhosas por sinal – nos remetem a um Versace dos 80 que olhava o passado e as aristocracia (romana e francesa) e era esse mesmo o assunto das criações tecnológicas de Basso & Brooke, os tempos da aristocracia francesa pré-Revolução e o esplendor de Versalhes antes de sua derrocada. Algo que pode estar acontecendo hoje com o mundo e as grifes de moda? Existe um elemento nostálgico na superfície da modernidade das roupas desses dois talentosos criadores!
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Você não vê a Rachel (Sean Young) de Balde Runner usando um desses em alguma festa?

Milão é Prada, me desculpem. Jil Sander arrasou, Marni arrasou, mas a Prada dita o que vai ser importante como estilo e qual peça, tecido, atitude vai ser improtante para o mercado. Claro que dona Miuccia não segue tendiencias e então olhar diretamente para os anos 80 jamais faria parte de seu repertório para essa e outras recentes temporadas passadas. Manter um mulher forte e agressiva dentro do chamado escapismo é algo pra poucos, mas a nostalgia se encontra no fugere urbem (fuga da cidade), em procurar um tempo ancestral. Nisso ela já indicava essa grande vontade de retorno a um tempo “mais feliz e seguro” que parece não mais existir hoje.
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As botas do campo

E Paris, mesmo com a onda “parisien chic” pregada pela Chanel e por Balenciaga, e pelo incrível desfile de Rick Owens (que verdadeiramente me encantou pela primeria vez, obrigado Marcelo Gomes) foi o inglês Alexander McQueen com seu desfile com uma cenografia que tinham elementos que pareciam entulhos e lixo que apontou para um “novo” luxo que para mim é a essência da capital francesa. Um exemplo são as cabeças feita com latas de refrigerantes. Existe ali uma referência, uma ironia à idéia de luxo, mas também uma possibildiade de um outro luxo (talvez reciclável?). Sim, tinha referência ao performer Leigh Bowery, muito influente… nos anos 80. Tinha também Escher, o pintor dos labirintos sem saída, das formas enganosas, do jogo de visões. Parecia que ali resumia-se, estamos no fim de um tempo, algo vai mudar, estamos sem saída? Talvez para alguns. Então o que levar para a Arca de Noé, o que desses anos todos eu realmente posso levar para esse novo tempo anunciado? E a resposta foi algum objeto,ícone ou sinal dos anos 80, o tempo do princípio. E cada um desses desfiles nos deu um exemplo, falta saber se eles nos servirão.
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COM QUE ROUPA?

Surgiu uma grande dúvida dentro de mim. Estou em Olinda e pra fazer contraposição a gama de cores das ruas e da cidade, escolhi dois modleitos pra me destacar da turba. Qual deles será mais apropriado?
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Esse cinza ten-dên-cia sem graça e chato…
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…Ou essa tranparência sem sal?

OS 80…

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…Insistem em não terminar!

MARC JACOBS CRIA IMAGEM MAIS FORTE PRA SI

Tanto para a Marc Jacobs como para a Marc, a imagem mais forte foi do próprio Marc Jacobs – ressaltando sua atual onda narcisística – de saia, ou como preferem os fashionistas, kilt!

BREGA E CHIQUE 2, A MISSÃO EM NOVA YORK

A Rosa Chá juntamente com a Blue Man e a Lenny faz a Santíssima Trindade da moda praia. Ousada, inverteu o biquini, e continua a fazer construções audaciosas, mas desde que começou a desfilar em Nova York passou a me chamar a atenção por um elemento que não aparecia tão claramente nos desfiles feitos no Brasil: O brega, ou como as fashionistas preferem, o kitsch.


Rosa Chá verão 2009 tá babadu!

11 DE SETEMBRO & MARC JACOBS

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Não há dúvidas, assim como a Queda de Roma ou a Revolução Francesa, o 11 de Setembro é um divisor da História do Homem. Em um istmo aquilo que era realidade virou reality show e o mundo nunca mais foi o mesmo.

Em 10 de setembro, um dia antes dos atentados às Torres Gêmeas, o estilista americano Marc Jacobs apresentava na semana de moda de Nova York sua coleção para a primavera-verão 2002.

Na Moda, o primeiro look muitas vezes é a síntese das imagens que o estilista criou para a sua coleção. No seu caso, ele abria com um terninho. Segue-se um desfile com muitas calças de alfaiataria, alguns casacos de corte militar. Tudo entremeado por vestidos acinturados e coloridos. Dois deles em patchworks e que remetiam ao chamado multiculturalismo.

Jacobs apontava para um verão colorido, com referência aos anos 60. E com dois fortes apelos: o masculino-feminino e o romantismo. Como no conto de Borges, “O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam”, existia duas estradas e a moda preferiu se apegar ao percurso ligado ao romantismo logo de cara. Apesar do desfile de verão 2002 do estilista americano não apontar primordialmente para isso, Jacobs acaba se tornando uma das linhas mestre desse novo romantismo na moda, logo apontado de escapista perante a realidade do mundo. Mas é no romantismo também que as emoções (todas – boas e ruins) podem ser vivenciadas em sua plenitude. E parece ser uma atitude plausível diante o estado de perplexidade que se instalou.

terninho.jpg masculino-feminino no verão 2002 de Marc Jacobs 

vestido-etnico.jpg romantismo no verão 2002 de Marc Jacobs

E a partir de então assistimos a enxurrada de vestidos românticos, florais e étnicos que inundaram a passarela e só agora perdem um pouco a força para o chamado masculino-feminino, exatamente o outro caminho que foi excluído em um primeiro momento. Essa tendência entre outras coisas, indica a volta de uma mulher forte, igualitária e parece estar de acordo com esse nosso segundo momento pós-11 de Setembro.

Em um desfile síntese de vontades fashion, Marc Jacobs, um dia antes dos atentados de 11 de Setembro, não sabia qual a direção a Moda poderia tomar, mas com certeza, era um caminho imprevisível como um dia foi aviões se chocando em prédios.