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A DIFÍCIL RELAÇÃO ARTE E MERCADO – O CASO NIKE X HUGO FRASA


Hugo Frasa

O mercado como bom mestre da antropofagia tudo quer engolir, a cultura de massa em seu extremo, a fome do poderoso.
Claro que com um certo cansaço das formas convencionais de publicidade, as marcas hoje querem se aliar e agregar ao seu nome o valor de uma novidade, não à toa se associam à artistas, pensadores para que valores como “fashion”, “rebelde”, “inovador” se acoplem novamente à imagem da marca. Nada de errado com isso, Alexandre Herchcovitch é uma pessoa que sabe muito bem lidar com essa relação, o nosso Pierre Cardin (no sentido branding) tem uma excelente penetração de seu trabalho para diversas marcas como Tok Stok, Zêlo, etc.
E eu particularmente tive um caso feliz com a Fiat que agregou o conteúdo do meu blog por duas temporadas em seu hotsite sem nenhum tipo de censura ou restrição, pensando queo dus*****infernus é super pessoal e com opiniões que nem sempre agradam gregos e baianos.
Mas aí está a grande sacada da marca, saber o que quer da relação com o artista, escritor, pensador. O grande erro dos departamentos de marketing das empresas no Brasil é tentar enquadrar os artistas, moldá-los para apenas agregar seu nome de maneira canhestra.
Foi o que aconteceu com o artista Hugo Frasa para a Nike. Quem conhece o trabalho dele sabe o quanto de inquisidor e rebelde é sua postura artística. Convidado pela marca para custumizar umas camisetas, ele fez uma anárquica brincadeira com a logomania. Resultado: “O trabalho foi considerado uma afronta, foi isso que o povo da marca me disse”, falou Hugo quando o procurei para saber melhor sobre essa história.
Até aí, a marca recusar um trabalho faz parte, mesmo ela sabendo dos riscos que corre ao tentar antropofagizar um artista, mas o que eles pelo menos deveriam fazer, por uma questão ética era pagar pelo trabalho recusado como se faz desde a Renascença. Hugo teve despesas e nada foi pago até agora. Será uma espécie de punição tacanha?
Mas no fundo o que existe é uma falta de talento dessas próprias marcas em entender que esses atos dos artistas, por mais anarquistas que eles possam ser em sua atuação, podem no fundo reverter em fator positivo para elas, em algo que realmente simbolizasse o lado “fahion e inovador” que tanto procuram e desejam estar associados.

uma verdadeira afronta ou a alegria é a prova dos 9?

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