Arquivo da categoria: neon

ENCONTRO DE GERAÇÕES

6386_152796163915_743668915_3501356_6238816_n
Fábio Gurjão, Jorge Kaufmann, Marcos Brias e Nina Lemos

Nina Lemos ao conhecer Jorge e Ana Kaufmann me falou de imediato: “Eles precisam conhecer o Dudu”. Logo convenceu Marco Brias e os dois fizeram a ponte com os abravanados e tudo resultou na festa de sexta feira, dia 28, na casa do próprio Dudu, tudo feito de maneira informal, só para os amigos de ambas as turmas.
Alê Farah logo soltou notinha no dia seguinte no Glamurama e no fim a festinha teve também caráter de evento social mesmo. Mas longe da ideia de cada estampa era um flash, o que tinha ali era aparentemente muito mais modesto e ao mesmo tempo ambicioso.

6386_152796288915_743668915_3501374_320270_n
Dudu, Ana e Jorge Kaufmann e Reinaldo Lourenço

Já comentei aqui no blog que numa conversa com Alcino Leite, ambos cinéfilos, que achávamos estranho o isolamento dos estilistas, jornalistas de moda, fashionistas que diferentemente do pessoal do cinema que sai de um filme e comenta sem parar o que achou, suas decepções e seus deslumbres, a reunião entre fashionistas se dá em eventos sociais muito programados, preparados e anunciados na mídia com muita antecedênciae sem muito debate, tudo no amsi cordial “olá, querida”. Em geral, diz o povo da moda, por trabalhar em mídias diferentes (acredita-se muito nessa desculpa), o silêncio reina na troca de ideias. Como se “sua sacada de mestre sobre tal desfile ou estilista” fosse ser roubada por algum outro espertinho.
Ainda comparando com a 7ª arte, em um festival de cinema, os cineastas discutem seus filmes e os dos outros, existe uma troca intensa de opiniões e posições. Aqui na moda, só recentemente isso tem acontecido, muito modestamente, com uma geração mais nova de fashionistas que se reúne no bar/boteco, que entre xoxos e devaneios coloca suas posições ou mesmo depois do desfile existe uma troca de impressões sobre a coleção de uma maneira mais aberta, quase cinéfila e típica de uma atitude que está em formação. Bom, quero deixar claro que não digo que antigamente não tinha conversa ou troca entre os fashinoistas, mas se ela acontecia, acontecia de maneira insípida pois não gerou esse exercício que os cinéfilos tem desde o nascimento do cineclubismo ou quem sabe até antes. Não se historizicou essa troca de ideia e nem a tornou tradição entre os fashionistas.
Como um terreno muito novo, a moda no (ou do?) Brasil como expressão cultural, se formos generosos, tem por volta de 50, 60 anos e estamos começando a historicizá-la (ato da maior importância para não acharmos que descobrimos o ovo de Colombo)
Isolados, muito dentro de suas próprias casinhas, sem discussão (só medalhas) os estilistas e os fashionistas tendem a uma zona de conforto irreal.
5576_269879520178_600190178_8689747_1097639_n
Ao promover o encontro entre Jorge e Ana Kaufmann (donos há 19 anos da grife Aquarela e figuras importantes dos primeiros Phytoervas, evento que desencadearia o SPFW) e uma nova geração de moda: Neon, Amapô, Fkawallys e os chamados abravanados, acontece um movimento de sair de uma imaginada zona de conforto e partir para o desconhecido, nem que disso apareça ou parcerias ou conflitos ou apenas mais uma festa, não importa, pois gerou movimento, historicizou personagens pois de alguma forma existe respeito e interesse dos novos fashionistas para quem já está na estrada da moda brasileira faz muito tempo.

P1000331
Marcelle, Carol e eu, já que foi também um evento social: flash!

Anúncios

CARAS E BOCAS

Não, eu não vou falar sobre a novela das 7 maravilhosa que o grande artista plástico é um macaco… Que delícia!!! Como dizia um antigo bordão de um programa humorístico: “O macaco tá certo!
E sim pela recuperação sutil de uma modelo nessa temporada e de seu jeito de interpretar uma roupa, ou carregar como preferirem: Marina Dias. Já escrevi sobre toda minha admiração do modo de como ela ressaltava as roupas de Lino Villaventura. Dessa vez, novamente Lino errou ao não convocá-la, seria com certeza a mais interessante das ninfas. Mas marcas como Neon e Samuel Cirnansck acertaram ao perceber que a dramaticidade cinematográfica de Marina carrega o espírito de nosso tempo agora. A neutralidade das modelos e sua invisibilidade parece a cada dia fazer menos sentido em um mundo que pede por individualidades. Tudo bem que, nós, fashionistas já treinados, sabemos muito bem saber perceber pelo andar de uma top uma certa carga dramática, mas a era minimalistas das modelos parece que começa a chegar ao seu esgotamento, senão isso, parece então abrir para novas formas de interpretar a roupa.

1400248
Marina Dias para Samuel Cirnansck

A Neon ao firmar a cada temporada, antes de maneira quase isolada e ultimamente cada vez com mais parceiros, [até Lino – que nunca seguiu tendências nenhuma de parte alguma e tinha em seus primeiros desfiles caras e bocas, chegou a uma fase mais contida e nessa temporada voltou a ser um pouco mais dramático] que o catwalk tem uma história que deve ser revisitada, faz um trabalho de historicizar o comportamento das modelos. E a partir do momento que as modelos ganham uma história através da sua personlaidade mais do seu catwalk ou da combinação de ambos, elas sistematicamente deixam de ser vistas apenas como cabides para se tornarem agentes históricos, personagens e não objetos. E Marina Dias foi nessa temproada a melhor data histórica.
Veja o que Dudu falou sobre desfile da Neon, as caras e bocas da coleção e a participação fundamental de Marina Dias no desfile.

Abaixo o final drama da Neon.

AS QUESTÕES DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO NA MODA E NA SPFW

1398023
Bom, todo mundo fala que a moda é excludente e todo exercício de uma semana de moda é muitas vezes realçar isso. Exclui-se os negros, os étnicos, os gordos da passarela, exclui-se os veículos menos importantes dos desfiles, exclui-se os não convidados de entrar na Bienal, tudo isso tem uma explicação plausível (apenas no caso dos negros e étnicos que o discurso não foi tão convincente, tanto que tivemos cotas esse ano e intervenção do Ministério Público de São Paulo na questão) e pode-se, concordar ou não, mas tudo acaba se tornando uma exclusão “natural”, pois o próprio formato tanto de uma semana de moda como da estética vigente é excludente.
Mesmo assim existe um esforço tanto do evento e até das marcas para que essa exclusão não seja tão brutal assim [até porque ser excludente está na contramão do pensamento contemporâneo desde o final dos anos 90, tanto para o bem como uma nova arquitetura que pensa em rampas para deficientes e nos detalhes dos botões de um elevador para que um anão possa alcançar, como para o mal com toda a hipocrisia do politicamente correto]. Uma prova desse esforço de inclusão foram dois desfiles que aconteceram no domingo, dia 21, em áreas externas ao cubo branco de mistificação que a Bienal tão bem serve tanto para a moda como para as artes plásticas. E tão rico e incluído dentro dessa discussão, aconteceu também um outro desfile dentro da Bienal no mesmo dia, mas com o tema já no terreno do pensamento, aliás, outro elemento [o pensar moda] que muitos fashionistas (tolinhos) adoram excluir de suas análises por acharem pouco fashion.
Antes de tudo é bom ressaltar que era domingo, o dia do descanso operário, o dia de domingo no parque, o dia de procurar algum lazer para milhões de paulistanos e pessoas que moram e constroem essa cidade. E talvez esses dois desfiles, o da Cavalera e da Neon foram o seu lazer da mesma forma que para as duas marcas, o público que não estava habitualmente acostumado a assistir desfile foi a consagração e a coroação das idéias que asfaltaram as duas coleções. A presença desse público legitimou as propostas das marcas em certo sentido.
A Cavalera, vocês que devem acompanhar moda já escutaram milhões de vezes, fez seu desfile no Minhocão. Mas diferente de outras locações externas que eles já escolheram (Interlagos, rio Tietê), ali estava não só o espaço, mas a vida em torno do espaço, nada mais lógico já que a cidade de São Paulo era o tema e a coleção e uma cidade se faz com as pessoas nela.
O mais bacana, além da coleção, foi ver as pessoas na janela com a família. Nina Lemos assistiu com uma família do alto de um dos prédios que ficam rentes ao Minhocão. O mais impactante foi ver que aquelas pessoas que asssitiram pela primeira vez um desfile na vida, tinham opiniões muito semelhantes aos de fashionistas que estão há anos no metier. Veja a matéria que fiz pro Vírgula e a opinião das pessoas que ficaram atrás das grades, mas puderam ver o desfile perfeitamente.
Um parênteses entre os inúmeros que abro: Uma senhora na matéria respondeu que as roupas não eram para ela, mas digamos que ela abre chave para outra discussão sobre a exclusão: como as marcas excluíram também a velhice de sua lógica. E também o homem adulto, sobre isso Alcino escreveu no post “Observações sobre o Fashion Rio e a Moda Masculina” em seu blog e depois eu farei uma reflexão mais longa.
O mesmo aconteceu com a Neon, que fez o mesmo na marquise do Ibirapuera e todo mundo que estava no seu domingo no parque pode assistir. A praia e o parque!
Tenho que lembrar que isso não é novo no SPFW. Karlla Girotto fez uma coleção belíssima apresentada no parque também, mas temos aqui pela primeira vez duas marcas muito sólidas, que não são inseridos num contexto underground como Karlla, saindo da idéia de luxo exclusivo e seleto e abrindo o jogo, pois os tempos são outros. Sobre a Cavalera, durante um tempo, o reinado do luxo, ela deve que adaptar seu streetwear e dizer que era “luxo para todos”, agora ela trabalha em sua chave mesmo!
Por fim, Ronaldo Fraga também fez uma coleção da inclusão, nesse mesmo domingão, suas roupas eram a ponte entre o sonho (a Disney) e os excluídos (os latino-americanos e estrangeiros em geral que tentam participar do sonho americano). Ele criou a inclusão do campo do pensamento (acho que merece um post só sobre ele). Enfim, foi um domingão, tinha muito sol!
1398320
sem essa aranha de me excluir!

MAGIA CIGANA SALVA TEMPORADA DE INFERNO OPS INVERNO DA SPFW

Todo mundo faz esses balanços da temporada (melhor, pior, tendencinha), é o que todo mundo espera ler no final de cada semana de moda, mas o que eu esperei aconteceu muito pouco, pelo menos nas passarelas: Magia Cigana.
E quando ela acontecia, ela salvava meu dia. Tudo bem que nos corredores da Bienal a magia cigana correu solta, ainda mais com Jorge Wakabara e Jana Rosa a.k.a. Janessa perto de mim.
Realmente, os estilistas deveriam olhar mais pro ciganismo que existe dentro deles e garanto que não deve ser pouco não!

1363755
Christine Yufon é só magia cigana

1360868
Quando a Ellus, no caso a 2nd Floor, olha mais pro local onde fica a fábrica da marca, perto do Largo 13 = pura magia cigana, tudo fica melhor

1360932
Fabia, a cigana leu o seu destino…

1364128
… e era só sucesso como o das meninas da Amapô

1363532
Seja cigana até pra casar

1364590
Seja cigana mesmo sendo beelionária da couture

PS: eis aqui os ícones do ciganismo:
fashion-rio-040
Rórrhre e…
1-20
e Janessal que sabem o quanto tem de ciganice em Betty Boop e Carmen Miranda!

POR QUE TUDO É MAIS TRISTE NO INVERNO, PACO RABANNE?

13070921
Neon verão 2009

301
Osklen inverno 2009

ABRAVANATION SOON

O artista plástico Rick Castro acaba de postar seu mais recente vídeo: “Super Rick Soon” no YouTube. Nele, Rick escreve que é “um trecho do vídeo […] que mostra o super herói RICK, vindo do mundo violeta, usando seus poderes de brilho e luz para salvar o mundo”.
A questão da cor é central nas artes plásticas brasileiras. Veja o caso Tarsila e seu status adquirido pelo uso das cores fortes e sempre em primeiro plano assim como todo o modo espartano que os concretistas tratavam a cor proibindo o uso de certos tons. O trabalho de Hélio Oiticica, hoje talvez o artista mais influente para uma nova geração, teve todo o seu percurso ligado a esse elemento, é só pensarmos que o parangolé, antes de ser um objeto de vestir, ou roupa mesmo (por que odeio esse puritanismo de escrita de curador) é também ao mesmo tempo o ato de liberar a cor para o movimento fora do quadro.
De certa forma Ricky, a Abravanation, A.V.A.F. e também a Neon na moda com Dudu Bertholini e Rita Comparato continuam esse trabalho tão caro à tradição visual brasileira.

SPFW – BELEZA COM VICTORIA CERIDONO

Tenho uma leve intuição que as novidades estão acontecendo primeiro na beleza (como os fashionistas chamam a área de cabelo e make up) para depois maquiar as roupas. Essa tese levo comigo faz já algum tempo e mais pra frente escreverei um texto mais complexo sobre isso, por enquanto são só observações. E por isso mesmo eu sempre converso com Victoria Ceridono que é super especializada na área.
Ela conta que a grande novidade do SPFW é o gloss no olho, nas pálpebras melhor localizando, e que nessa temporada apareceu muito, uma verdadeira tendência. “O gloss dá um brilho molhado que nenhuma sombra consegue”, segundo ela. E um exemplo é na beleza de Fause Haten.

Fause Haten verão 2009
Ela, uma verdadeira apaixonada pelo batom, um dos 10 itens dos clássicos da moda, se rendeu ao tom que o maquiador Robert Estevão conseguiu para a beleza de André Lima. “Nem na foto conseguiram captar o tom de pink com alaranjado que o Robert criou”, avisa.

André Lima verão 2009
Apesar de admitir que sua geração “é muito mais gloss e muito menos batom”, ela amou como isso se resolveu na Neon.

Neon verão 2009
Está dada as dicas!