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QUE PARIS É ESSA?


Sim, Paris já idolatrou a juju music e fez a ponte entre a África e o Ocidente, assim como abençoou Josephine Baker e o jazz quando a América cuspia no “strange fruit”. Mas também perseguiu muitos africanos “sans papiers” escondidos em uma igreja e continua os perseguindo assim como sempre riem – o riso da dissimulação do preconceito – quando digo brincando que falo francês como um pequeno africano.
Pois é essa Paris do confronto que está nas misturas de Marc Jacobs pra Louis Vuitton. Essa Paris cada vez mais racista, mas essa Paris que durante décadas foi a cidade que recebeu o mundo e ainda vive desse mito consagrando um americano em uma de suas casas mais tradicionais: Jacobs & Vuitton.
Era uma gigantesca e adorável Edith Piaf sem fim na trilha, o clichê de quem apenas conhece a superficialidade da cidade de Paris. E por outro lado Paris apenas conhece a superficialidade de uma África responsável pelo cubismo e pelas revoltas na periferia. Dessa alquimia resulta em um grande momento de moda, esse espaço superficial, graças a Deus, por excelência.
E como a mistura que forma o coquetel molotov ou das deusas africanas acopladas na “Mademoiselle d´Avignon”, a Vuitton mostrou a complexidade dos clichês e de ser maravilhosamente supérfluo!

LANVIN: TIRA-ME DO EIXO!

Alber Elbaz é um dos grandes pensadores da Moda! Suas coleções são sempre um desfio para o olhar, pois atrás de suas criações para a Lanvin, uma das maisons mais tradicionais da França que ele revitalizou com elegância e discrição, estão sempre suas pesquisas mais profundas sobre a estrutura da roupa e sua relação com o corpo.

Ele já tinha investigado a força dos quadris, da cintura, do busto e confundido muito fashionista que pensava que ele discursava sobre as tais “mangas importantes” quando ele dialogava com a sustentação da roupa apoiada pelo ombro. Isso foi na memorável coleção de inverno 2007.   

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Lanvin deu de ombros para as mangas importantes.

No verão seguinte, ele aparece completamente fluido como que se as roupas não precisassem mais de sustentações. O fluido era seu último resultado, o que fez que muita gente se perguntasse: e agora para onde assoprará sua imaginação? Pois ele já tinha testado todas as possibilidades e chegado ao que parecia no limite: na insustentável leveza da roupa.  

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Pra onde os ventos levarão a Lanvin?

Esse luto do fim de um caminho parecia estar delineado nos primeiros looks todos fechados na estrutura e nas cores, além de completamente austeros de sua recente coleção de inverno 2008. Até que aparecem as primeiras listras, que na verdade são tiras, como que ele fatiasse a roupa para poder introduzir em sua estrutura aquilo que antes era estampa, que era externo à roupa. As listras agora em tiras dão volume, modelagem às criações de Elbaz.

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As listras como estrutura!

Ele insere as listras na estrutura de uma roupa e ao final ao ter tiras-bijoux talvez nos faça pensar que algum dia fará o mesmo com os acessórios.

Bravo!

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Possibilidades para uma nova pesquisa!

SAINT LAURET PANFLETÁRIO E VIDEOMAKER

Já muito se falou na blogolândia sobre o manifesto fashion, leia-se, ação de marketing que a grife Yves Saint Laurent está distribuindo em importantes cidades do mundo como Nova.York, Londres, Milão, Paris e Hong Kong para o verão 2008.

O manifesto é um livro de bolso com 24 páginas com a top Kate Moss fotografada por Ines van Lamsweerde e Vinoodh Matadin. Este é o segundo que a marca lança, o primeiro foi com Gisele Bündchen.

O total de panfletos, impresso em material reciclado, é de um milhão de cópias.

O manifesto sobre a mulher ideal pode ser visto também em Londres onde a marca montou uma instalação com imagens em tamanhos enormes na Old Truman Brewery, uma cervejaria de Shoreditch. 

A experiência com vídeo animou Stefano Pilati, o estilista da YSL para criar um outro na internet sobre a sua excelente coleção masculina de inverno 2008. Convidou o ator inglês Simon Woods, do seriado Roma e fez imagens fantásticas. A trilha sonora ficou a cargo do DJ mais fashion de todos: Michel Gaubert.

CHALAYAN SE UNE A NICK KNIGHT PARA AVANÇAR SUA VISÃO DO FUTURO E DA MULHER

chalayan1.jpg  Hussein Chalayan verão 2008

Não é desta nem da histórica temporada de verão 2007 que sou um aficionado pelo anglo cipriota Hussein Chalayan. Seu fascínio pelo design e sua posição no debate das novas idéias da moda e por conseqüência das artes em geral faz do estilista uma personagem impar no mundo da moda e no mundo das idéias.A construção de seus excelentes vestidos, a importância do acessório como fator vital na composição do look e a integração tecido+roupa+tecnologia estão ali para não só construir uma imagem, mas sim criar um debate sobre ela.Seu projeto renascentista reatualizado em unir arte e ciência, no caso tecnologia, não é algo frio e programático e sim orgânico e visceral!Para o verão 2008, ele apresentou sua coleção de em uma galeria de arte em Paris, só que de vez passarela, Chalayan mostrou filme que fez com o fotógrafo Nick Knight e seu genial SHOWSTUDIO.

Dessa vez ele debate a feminilidade vista pelo signo da fluidez que ganha caráter etéreo e o mais importante, o estilista indica ao colocar laser nos vestidos que a fluidez não está no tecido e sim na alma das mulheres.

assista o vídeo Readings aka a coleção de verão 2008 de Chalayan

PARIS BERTHOLINOU!

A cidade luz sempre foi chegada em um pretinho básico e isso não mudou nessa temporada. Os tons terrosos, o preto e o branco continuam, mas faz muito tempo que não se via um verão tão colorido.

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Balenciaga verão 2008

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Comme des Garçons verão 2008

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Junya Watanabe verão 2008

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Undercover verão 2008

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Vivienne Westwood verão 2008

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Yohji Yamamoto verão 2008