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PRADA: SOU FEIA, MAS TÔ NA MODA!

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Já é lugar comum dizer que a Prada é feia, que a roupa é estranha e que ela sempre aponta para o novo.

Mas uma chave para entender a Prada e seu afeto com o novo é exatamente a leitura da marca de dois elementos contemporâneos: mixagem e antítese.

Suas coleções sempre partem do princípio que os opostos pode conviver (antítese) num mesmo terreno (mixagem).

Essa ideologia já foi trabalhada por diversos movimentos como o agora tão falado tropicalismo ao unir eletrônico e acústico, experimentalismo e comercialismo assim como a bossa-nova que fundiu o jazz com o samba. Enfim, é um fenômeno bem contemporâneo, que muitos identificam com a chegada da pós-modernidade que em arquitetura trouxe diferentes estilos para uma mesma construção.

Mas voltando a dona Miuccia, o que é mesmo certeiro é que seus opostos são fundidos em uma imagem síntese que coloca contrários em harmonia por uma técnica de edição e mixagem. A imgem da Prada é sempre da antítese e da mixagem.

Então temos uma coleção de verão 2008 que continua por esse mesmo trabalho e que paradoxalmente é sempre visto como novo.

Ela cria formas geométricas (toda a gama de xadrezes) mas também formas orgânicas (o art nouveau em estampas), a modelagem molenga de seus “pijamas” contrapõem-se às armações de seus “quase new looks” de cintura marcada, o fosco de algumas estampas despertam com o brilho de algumas saias quase lisas, o Oriente (nas peças que remetem a quimonos) dialoga com o Ocidente (nos looks que lembram os anos 60-70 no quesito masculino-feminino). E a leveza e docilidade das peças recebem o peso da maquiagem profunda e marcada nos olhos.

orgânicos X geométricos

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forma ajustada e confortável X forma armada e com cintura marcada

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estampa fosca X brilho dourado

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look que remete ao quimono e á pnitura oriental x masculino-feminino ocidental da décadas de 60 e 70

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a suavidade do vestido X a maquiagem carregada nos olhos

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Por fim, essa ideologia da mixagem e da antítese está no cerne da criação da Prada, tanto que o feio sempre vai nos parecer belo depois de descortinado pela marca.

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a mais bela Isabeli consegue ficar feia no backstage da Prada 

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MARIA PRAD(T)A DUS INFERNUS

Bom, não é bem que ela é dus infernus, mesmo isso sendo um elogio. Ela me lembrou indiretamente que meu blog faz um mês de existência pois nasceu no mesmo dia que o dela, fato que ela postou comemorativamente com mudança de layout e tudo nesse final de semana. Pra não copiar tão na cara dura vou dar um tempinho pra mudar o meu! Bem, nem sei se vou mudar, vai que a Piauí me fotografa e eu não quero ficar com cara de Layana Thomas procurando a revista referência.

E não sei como me lembrei que Maria Prata na temporada passada (não lembro se foi na passada ou retrasada, mas também nem lembrava que meu blog fazia aniversário e isso faz um mês só atrás!!!!!), me contou que iria pra Milão assistir o desfile da Prada. Tipo (café) seleto!

00060m.jpg Foto Marcio Madeira

Na hora que ela falou, ficamos os dois entusiasmados. Tipo deslumbre–caguei–porque-eu-também-sei-deslumbrar. Eu lembro que quando ela me contou, meus olhos brilhavam como de uma criança que ganha de presente uma viagem á Disney e ela não parecia diferente com a diferença de ter o ticket do brinquedo na mão.

Pois bem, ela foi, voltou e eu perguntei: E aí Maria, como foi? Ela respondeu que foi incrível, estávamos com pressa e nunca mais tocamos no assunto. Não sei o porquê, lembrei disso hoje. Que ela nunca me contou como foi e eu esqueci (lógico!) completamente de perguntar novamente. Tipo dus infernus!

Como ela ainda não me contou, mas tenho certeza que agora vai, eu resolvi imaginar. E já que a imaginação é minha, resolvi também me colocar na história.

Encontrei a Maria em um café na Via della Spiga, ela estava exausta pois tinha feito um fechamento durante as 11 horas de vôo até Milão. Ela fechou no avião mesmo com a Daniela Falcão super colocando até as aeromoças pra trabalhar, pois você sabe…Vogue, como diria a Madonna.

Mas ela estava com uma pele ótima pois a Pat, a McGrath tinha dado um tapa e assim esperamos a Hillary, não a clinton, a Alexander e o Stefano, o Tonchi. Eles, como sempre atrasados. Foi-se o tempo que americanos e britânicos eram pontuais. Eles queriam conhecer pessoalmente Fernanda Resende, a nova darling da moda que estava fazendo um editorial super bombado e de vanguarda com Anna, a Piaggi como modelo inspirado nos looks shortinhos de Oliveros na temporada de verão 2008 (aí as datas, tudo bem, né,.atemporal).

Encontramos com elas a pleno vapor. Piaggi ainda deu tempo de ensinar em um vídeo para postar no Blogview o seu estilo de maquiagem e os produtos que usa. E não é que as pernas dela de fora, são iguais a cara… Meio rosa, meio roxo!

Quem fotografava era o Luigi que tinha como assistente Steven , não o Spielberg, o Meisel. Meio fora de foco estava o Meisel coitado.

Bom, tivemos que correr pro desfile. Aproveitamos e pegamos carona com a Franca , não a mente, a Sozzani que queria muito saber tudo sobre o macacão da Gilda Midani que a Maria estava usando durante o café. Em sonho todos trocamos de roupa o tempo todo, uma mais incrível que a outra e todos falamos uma mesma língua. .

Toca o telefone, é o Sylvain e a Biti. Eles estão na sala e estão com medo que a Anna, a Wintour e a Carine, a Roitfeld peguem o nosso lugar.

Maria liga pra Daniela Falcão e em um minuto o problema está resolvido. Estamos com nossos lugares reservados!

Chegamos enfim, não sem antes André, o Leon me deixar um bilhete com a receita de seu regime.

Acendem as luzes. Começa o desfile.

Vejam o que escrevi, mas como assistente acabei não assinando. Ou vocês pensam que é só no Brasil que isso acontece e que nos delírios não vão ter perrengues também. Aloka!

Parabéns Maria pelo blog, e espero que um dia você me conte como foi, se eu lembrar de perguntar…

E parabéns pra mim também, oras!