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BALANÇO SPFW VERÃO 2010 – PARTE 1

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Fui convidado pelas fofas das meninas do Oficina de Estilo para comentar os desfiles do último dia do SPFW no blogue delas. Como era o último dia, fiz uma certa análise do que estava pensando através dos desfiles.
De uma maneira muito tranquila, sem os histrionismos do verde-amarelo ou do regionalismo de algum lifestyle [o carioca, o pior, pois se acentou na cabeça de muitos fashionistas como uma verdade], a moda feita no Brasil passou a refletir de maneira mais clara que é feita no Brasil de forma afirmativa (talvez isso é o que de mais brasileiro a moda feita no nosso país possa alcançar, aliás, todas as expressões sejam elas artísticas ou não).
Tudo bem, a moda sempre refletiu o nosso país, mas até então, sempre na chave negativa e indireta, só víamos a questão da cópia, da vergonha, do colonialismo. Senti nessa temporada que eles encararam de frente a tal da brasilidade de forma mais orgânica, sem bandeiras nacionalistas e sem obviedades, com resultados que estavam na criação de algumas roupas e looks ou mesmo imagens.
Para mim foi uma temporada importantíssima, pois nada de novo aconteceu no front, como a maioria das temporadas, mas de maneira silenciosa, o Brasil começou a se refletir no pensar das roupas e no pensamento de moda dos nossos criadores e pra mim a ráfia (fibras de uma palmeira usada na confecção de sacas de frutas e produtos) é um dos símbolos dessa acontecimento maravilhoso, que assim como tudo no nosso país [a história, a política, a vida social] aconteceu sem revoluções e grandes queimas de fogos de artifício.

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ATITUDE


Transparência deixa os pois do underwear confundir-se com a camiseta que tabém mescla-se entre as estampas e tattos – Andreta Erika, estudante.

MEDALHA

de bronze ou de ouro?


Denise Miyagi comprou esse tênis em Americana, interior de São Paulo!

DEGRADÊ


Os jogadores de vôlei em Pequim


A secretária Elisabeth de Oliveira com blusa da Vanguard do Shopping D, no metrô Luz, São Paulo

AINDA MODA DE RUA

Fabio Alves é estudante e blogueiro e eu o encontrei no metrô da Luz. Ele usava uma camiseta bem bacana com uma estampa de traços finos da El Cabriton, uma loja no Center 3, mas o tênis é uma verdadeira paixão, é da Puma e ele usa de maneira cool compondo com a barra da calça.

Mais sobre a moda de rua em transportes públicos como metrô e trem, aqui e aqui.

MODA DE RUA


Aparecida Maria Ferreira, balconista, usa blusa da marca Prefixo de São Caetano e a bolsa que imita pele de cobra que a irmã trouxe do Norte.

Fiz para o Uol Estilo uma série de fotos de moda de pessoas que estavam andando de transporte público. Foi muito interessante mesmo porque estava longe daquilo que a moda chama de moda de rua e que foi consagrado por blogs como The Sartorialist e The Face Hunter que é ir a algum lugar fashion e fotografar pessoas que lá estão. O que mais me impressionou foi olhar como as tendências se dissolvem e que as pessoas tentam ter personalidade dentro daquilo que é disponível.

Pra mim, esse é o verdadeiro conceito de glamour!

veja as fotos

A ORGANICIDADE NA CRIAÇÃO BRASILEIRA

Alguns teóricos gostam de apontar uma certa dificuldade da forma na arte feita no Brasil, seja nas artes plásticas, seja no cinema, ou na moda. Essa dificuldade muito advinda de uma situação de colonialismo cultural (ainda se usa esse termo?) e como conseqüência a expansão da cópia.

Em cinema, essa discussão, acredito, esteve muito avançada a ponto de Paulo Emílio Salles Gomes, já na década de 1960, admitir que a nossa dificuldade e nosso erro na hora de copiar é que nos dava uma certa identidade.

Mas o que me chama muito atenção ao meu olhar é uma certa dificuldade do rigor em função daquilo que chamo de organicidade da forma.

Em artes plásticas o exemplo é claro, o esforço da arte concreta ao exercício de uma forma rígida não conseguiu aqui o rigor que em outros lugares, logo vieram os neo-concretistas pedindo um certo relaxamento dos dogmas. O mesmo são as curvas de Niemeyer em relação a escola modernista européia de arquitetura.

Esse embate entre a lição do Ocidente, o racionalismo e uma certa organicidade na forma deixando até ela perto da imperfeição faz para mim um grande traço da criação brasileira em todas as áreas.

Acredito que não precisamos aval do estrangeiro, mas nesse caso, a Vogue Japão olhou para a criação no país da mesma maneira como eu acredito que ela é mais contundente e verdadeira.

Basta lembrar da quebra paradoxal da bossa nova , ou sua organicidade em relação tanto à cadência do jazz como do samba. E para falarmos do presente: Gisele com seu nariz e curvas é uma das provas vivas do que escrevo.