Arquivo da categoria: miuccia prada

TÔ DELIRANDO…

Tem 3 nomes da moda que eu acho incrível:

Miuccia Prada: porque parece que a irmã do Chico Buarque deu certo no estrangeiro…

Jade Gola: o nome já diz tudo, apesar dele infelizmente ter tido uma passagem rápida na moda porque o povo do colarinho branco não gosta de gola canoa.

Candy Pratts Price: um trava língua fashion amuleto. Quando encontrar a Diaba fale 13 vezes bem rápido esse nome para não virar uma bota pata de bode nude.

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A Diaba e a Trava (língua)

Em tempos de delírio nonsense, encerro o post com um link para as Las Bibas e sua dublagem do encontro entre Madonna ( Caldo Madge) e Lady Gaga ( Leite Caca) no Saturday Night Live. Maravilhoso

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M DE MODA

de Miuccia…

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de Michael…

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de…

NOSTALGIA, ANOS 80, REVISTA QUEM E MELHORES DESFILES DA TEMPORADA INTERNACIONAL

Antes de dizer sobre as minhas coleções preferidas da temporada internacional, e gostaria de que as selecionei pensando que as quatro principais semanas de moda (Nova York, Londres, Milão e Paris) se dividem claramente em conceitual e comercial, – não é nada muito rígido – , mas de uma maneira esquemática: Nova York e Milão tendem mais para coleções mais comerciais e Londres e Paris para o conceitual. Foi pensando nesses parâmetros e na releitura dos anos 80e sobretudo na nostalgia que acredito foi o traço mais forte da temporada que elegi para a revista Quem, meus desfiles preferidos na temporada:

Nova York deu o start das idéias de moda e, é claro, que Marc Jacobs fez o desfile de maior relevância e repercurssão por lá. E o resultado, apesar de não ser nada novo, foi importante ao tentar indicar primeiro e junto com outras marcas importantes um possível caminho para vendas: continuar as referências em algo que tem tido sucesso comercial. E, vamos dizer que, além de dar um gás na febre 80’s (algo que pela lógica da moda já deveria estar aposentado pois desde o começo dos 2000 estamos revisitando essa década), fez com que outros estilistas durante a temporada internacional afirmassem que esse talvez fosse o caminho certo dentro das incertezas econômicas que vivemos. Jacobs revisitou os anos 80 de forma muito otimista afinal está naquela década o começo de uma era que parece se findar agora com a queda das Bolsas. Foi o canto do cisne! Foi nostálgico!
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Desdobre essas peças e quem sabe você tenha sucesso nas vendas

Já em Londres, a dupla Basso & Brooke faz novas experiências tecnológicas (não confundir com futurismo) com um ar retrô. Algo que o filme Blade Runner, um clássico dos anos 80, em sua estética formal também fez, mostrar um futuro de forma retrô. Apesar de a ponte entre os estilistas e o cinema nessa temporada não foi essse filme e sim a produtora de animação Pixar, existe aqui uma experiência nova de olhar uma forma muito importante dos anos 80 (foi nessa década que começou-se incisivamente a olhar para as décadas passadas e para os tempos históricos), mas dentro de um conceito. Não à toa, as estampas – maravilhosas por sinal – nos remetem a um Versace dos 80 que olhava o passado e as aristocracia (romana e francesa) e era esse mesmo o assunto das criações tecnológicas de Basso & Brooke, os tempos da aristocracia francesa pré-Revolução e o esplendor de Versalhes antes de sua derrocada. Algo que pode estar acontecendo hoje com o mundo e as grifes de moda? Existe um elemento nostálgico na superfície da modernidade das roupas desses dois talentosos criadores!
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Você não vê a Rachel (Sean Young) de Balde Runner usando um desses em alguma festa?

Milão é Prada, me desculpem. Jil Sander arrasou, Marni arrasou, mas a Prada dita o que vai ser importante como estilo e qual peça, tecido, atitude vai ser improtante para o mercado. Claro que dona Miuccia não segue tendiencias e então olhar diretamente para os anos 80 jamais faria parte de seu repertório para essa e outras recentes temporadas passadas. Manter um mulher forte e agressiva dentro do chamado escapismo é algo pra poucos, mas a nostalgia se encontra no fugere urbem (fuga da cidade), em procurar um tempo ancestral. Nisso ela já indicava essa grande vontade de retorno a um tempo “mais feliz e seguro” que parece não mais existir hoje.
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As botas do campo

E Paris, mesmo com a onda “parisien chic” pregada pela Chanel e por Balenciaga, e pelo incrível desfile de Rick Owens (que verdadeiramente me encantou pela primeria vez, obrigado Marcelo Gomes) foi o inglês Alexander McQueen com seu desfile com uma cenografia que tinham elementos que pareciam entulhos e lixo que apontou para um “novo” luxo que para mim é a essência da capital francesa. Um exemplo são as cabeças feita com latas de refrigerantes. Existe ali uma referência, uma ironia à idéia de luxo, mas também uma possibildiade de um outro luxo (talvez reciclável?). Sim, tinha referência ao performer Leigh Bowery, muito influente… nos anos 80. Tinha também Escher, o pintor dos labirintos sem saída, das formas enganosas, do jogo de visões. Parecia que ali resumia-se, estamos no fim de um tempo, algo vai mudar, estamos sem saída? Talvez para alguns. Então o que levar para a Arca de Noé, o que desses anos todos eu realmente posso levar para esse novo tempo anunciado? E a resposta foi algum objeto,ícone ou sinal dos anos 80, o tempo do princípio. E cada um desses desfiles nos deu um exemplo, falta saber se eles nos servirão.
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A ÁRCADE DA PRADA

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Os valores greco-romanos acabaram se tornando a síntese do que levou o nome de Humanismo e volta e meia ao longo da História preenchem o vazio do imaginário dos Homens. Se pensarmos no Renascimento e no mais explícito Arcadismo temos quase que um ato geracional de uma época que para progredir teve que fixar o olhar no passado. Sem falar que um dos valores ligados ao resgate da Grécia pelo Ocidente, o fugere urbem (fuga da cidade), pode ser sentido em exemplos díspares como na poesia de Virgílio ou de Alberto Caeiro, no ciclo do cangaço do cinema brasileiro, na música de Milton Nascimento e mesmo no último desfile da Prada para o inverno 2009. Todos esses artistas – sem exceção e sem os qualificarmos esteticamente – reforçam o arquétipo que recusa o que está acontecendo nas cidades – leia-se, nos dias que vivem ou viveram e portanto no pensamento – para tentar resgatar os valores primeiros, primordiais que para eles estariam no campo.
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Na Prada, o material para esse retorno aos valores greco-romanos perdidos estão em primeiro foco na matéria usada pela marca para as suas criações. A eleição do couro e da lã como base da coleção nos remete imediatamente aos pastores, símbolo emblemático da Grécia Antiga e que no Arcadismo, por exemplo, fez com que muitos poetas assinassem suas criações com pseudônimos pastoris (fingimento poético para não revelar a verdadeira identidade do escritor). Eram os pastores responsáveis pela lã, o tecido essencial dos gregos no inverno assim como o linho era a base da vestimenta no verão. Já o couro era usado nas tiras dos calçados e também nas roupas de guerra, e de montaria, outra idéia ligada ao campo. Tinha algo ali de campo de guerra, de militarismo também. Enfim, a Prada mixando escapismo e realidade.
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Talvez aí , no campo de guerra, esteja a chave para imagem de mulheres velhas, cansadas, as tais mulheres de Atenas que esperam seus maridos que foram à guerra. A realidade é guerra e é também por isso aparece na Prada uma silhueta que em alguns momentos nos remete aos anos 40, anos que sofreram com o crack da Bolsa de 1929 e pela Segunda Guerra Mundial. Não à toa a imagem de ringue ou a arena no final com as modelos todas paradas em tableau-vivant, pois afinal a Prada faz roupas para mulheres protagonistas, isto é, nesse caso, guerreiras!
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PS: Escrevi esse texto muito pensando em Cris Gabrielli da Oficina de Estilo e Estelinha sua filha que acabou de nascer.

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Amo muito Miuccia Prada, suas frases sempre misteriosas depois dos desfiles, sua formação comunista, suas coleções e principalmente sua criação pois faz roupa para mulheres que tem coragem de serem antes de tudo protagonistas das histórias. Será ela pós-feminista?
Mas uma coisa é certa, ela ficou com cara de idiota nessa foto!
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VICKY CRISTINA BARCELONA OU TODAS AS MULHERES DO MUNDO

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Vicky
Um dos focos da moda feminina é sempre procurar entender a mulher e seus desejos e principalmente o que ela deseja e também deixá-la desejável, não no sentido sexual apenas, mas também para que seus desejos profissionais, amorosos e espirituais se realizem. Mas que mulher é essa que tanto se coloca no singular – como um arquétipo – que a moda tanto quer alcançar?
Mas o que isso tem a ver com o novo filme do Woody Allen, “Vicky Cristina Barcelona”?
O diretor consegue tripartir exatamente essa mulher – o seu arquétipo – em Vicky (Rebecca Hall), Cristina (Scarlett Johansson) e Maria Elena (Penélope Cruz). Essa cirurgia é bilhante pois estão aí todas as mulheres do mundo ou apenas , a mulher, assim como a socidade patriarcal a desenhou.
Vicky, a mulher que nega o desejo pelo bem estar social – a típica burguesa do século 19 – personagem dos romances realistas de Gustav Flaubert onde a traição a espreita o todo tempo, esse fruto proibido.
Cristina, a mulher que tenta se rebelar contra os dogmas – a típica burguesa pós anos 1960 – personagem dos filmes de Jean Luc Godard e Domingos de Oliveira onde a rebelião pode não lhe trazer a liberdade, mas com certeza a infelicidade.
Elas, Vicky e Cristina, são a mesma mulher, pois ambas procuram na relação amorosa, no homem, a sua felicidade. Colocam o amor e a paixão como ponto máximo de suas existências e para isso dependem do homem, do outro – no caso do filme de Woody Allen, o artista Juan Antonio (Javier Bardem). São Evas contemporâneas!
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Cristina
Aí temos Maria Elena, que não aparece no título do filme, mas tão essencial pra construção dessa imagem de mulher quanto as outras duas. Ela está oculta como Lilith, a mulher primordial e primeira mulher de Adão – “aquela que se recusava a ficar por baixo durante as relações sexuais”. Como Lilith, ela trata em pé de igualdade todas as questões (sexuais, artísticas, amorosas) com Juan Antonio. Ela parte, ela o deixa, mas antes de tudo não podemos nos esquecer que estamos no reino do patriarcado, não à toa, o filme é todo contado por um narrador homem, é ele que faz a versão da história. Exatamente por isso ela volta, se envolve com essas Evas modernas e seu Adão e como serpente – Lilith, em muitos textos religiosos é lida também como a serpente do paraíso – envenena para uns ou contextualiza para outros a verdadeira relação que todos ali estavam vivendo.
Talvez isso explique porque estilistas mulheres como Miuccia Prada, Consuelo Castiglioni e Rei Kawakubo criem peças tão desinteressantes para o olhar masculino mas que fascinam muitas mulheres. Essas Liliths da moda nos enviam mensagens sobre o desejo e o que fazer com ele a cada coleção assim como a mensagem obscura que Maria Elena nos deixa nesse belo filme de Woody Allen.
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Lilith

Dois excelentes textos sobre o filme são de Nucool e Tati Rodrigues, vale muto lê-los mesmo!
Ah! ainda tem o Ricko com uma outra visão do filme e a Casa de Narcisa que fez uma versão hillary do título.

PRADA MARFA


Quem lê esse blog ou é meu amigo, sabe da relação difícil que tenho com as artes plásticas contemporâneas, seus grupos, seu pensamento e seu grande status hoje. Mas se pelo menos me faz rir e a idéia tiver uma “sacada”, – coisa rara no mundo conceitual da chatice do texto mal escrito e truqueiro que se transformou boa parte do que se vê nas galerias – eu já acho que tá bom.
Foi o caso de Prada Marfa – uma instalação ou escultura permanente – construída no meio da estrada que liga a cidade de Marfa a Valentine, no Texas, Estados Unidos. O projeto é dos artistas berlinenses residentes em Nova York Michael Elmgreen e Ingar Dragset. A “loja” apresenta peças da coleção de inverno 2005 de Miuccia Prada para uma população de 160 pessoas em Valentine e 2.400 em Marfa. Acho que por isso mesmo a loja permanecerá fechada!
Ah! Essa dupla de artistas costuma forrar todas as galerias que expõem, parecendo que estão em reforma e colocam um letreiro: “Prada Coming Soon”.
Paris, Texas!