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ACHO CHIQUE!

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Pra mim a imagem da semana foi Michele Obama vestindo um top Basso & Brooke com uma calça branca na Noite de Música e Poesia da Casa Branca, na última terça, dia 12.
Sim, sou encantado por Michelle e tudo o que ela representa (uma mulher inteligente, decidida, com curvas, e formas da vida real como diriam as meninas do Oficina de Estilo).
O que eu mais amei é que ela usou estampas sem fazer o look étnico, isso é, sem ser óbvia ou que esperamos dos “afro-descendentes conscientes”, aquela coisa de uma estamparia “macumba para turista”. Acredito que a escolha foi a melhor possível.
Bruno Basso às vezes aparece por aqui. Ele bem que poderia contar para nós, aqui no blog, como foi que tudo aconteceu. Se eles ficaram sabendo com antecedência da escolha, como eles reagiram ao ver a sra. Obama com a peça,etc,etc.
Conta Bruno!

Pos post:
E não é que o Bruno contou:
“Foi uma imensa supresa abrir o NY Times ontem e ver a maravilhosa ícone Michelle usando a nossa criação.
Surpresa mesmo – Hoje em contato com os nossos escritórios de PR soubemos que não houve nenhuma solitação, o vestido foi adquirido por ela mesma em uma boutique (e que ela ou a personal stylist customizaram transformando em uma blusa)
Concordamos plenamente com suas palavras, ela representa e dignifica a mulher “real” do nosso tempo – inteligente, articulada, dinâmica, poderosa, otimista… que não tem medo de correr riscos e que está certamente redefinindo o guarda-roupa e a atitude da mulher contemporânea .
Muito sensível também a escolha da peça para um evento dedicado à Musica e Poesia, essa coleção foi toda inspirada no Japão – na harmonia (e tb poesia) entre Tradição & Futuro”.

MICHELLE, MA BELLE

Mais do que os vestidos ou o corte de cabelo, a atenção que Michelle Obama tem despertado entre os fashionistas aponta que a moda caminha para aquilo que nós brasileiros conhecemos tão bem: a informalidade.
O polêmico e benvindo gesto da primeira dama com a rainha da Inglaterra – com o detalhe da retribuição da própria rainha – é um exemplo dessa informalidade que a cada dia se projeta mais e mais mundo afora para chocar uns e agradar outros.

Essa informalidade – que é muito importante não confundir com falta de educação – está na raiz do nosso país. O historiador Sérgio Buarque de Hollanda ao comparar a colonização portuguesa com a espanhola, percebe que as cidades criadas pela Espanha na América querem transmitir o “triunfo da aspiração de ordenar e dominar o mundo conquistado”. Já as portuguesas eram sem “nenhum rigor, nenhum método, nenhuma previdência”. Tudo era retilíneo nas cidades da América espanhola enquanto tudo é mais solto, ao acaso no Brasil. Isso levado ao extremo podemos chamar de desleixo como o próprio historiador assim enxergava, mas também estão ali as bases de algo mais informal, longe das regras sociais mais duras e rígidas, aquilo que afinal seria conhecido pelo termo Homem Cordial, “o brasileiro, aquele que não suporta formalidades”.
Apesar de sempre achar Caetano delirante, ele delirou bem nesse vídeo ao perceber que os Obamas querem imitar os brasileiros.

No vídeo, ele se refere à questão racial, mas cada vez fica mais evidente que a questão é comportamental e com isso, vivemos um momento paradigmático. A elegância com sua Socila de boas maneiras vira uma página com a entrada da informalidade dos altos escalões do poder, sendo Lula o cara ou não. As elegâncias das velhas primeiras-damas já não cabem no abecedário do que Michelle está nos trazendo. Precisamos de um novo olhar e de um novo conceito de elegância pra entender o que exatamente Michelle Obama está realizando. E por fim, talvez surgirá um olhar que não acredite na elegância de homens de terno no centro do Rio de Janeiro ao calor de 40º, que despreze e descorde da atitude do Judiciário quando da demarcação de terras na reserva indígena de Raposa/Serra do Sol impedindo os índios de acompanhar a audiência no plenário porque não estavam de terno e gravata.
Pode não parecer, mas ao abraçar a informalidade Michelle Obama nos traz um mundo mais tolerante e não por isso menos elegante.
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@ Dois textos que guiaram esse meu pensamento: “Os Braços de Michelle” de Alcino Leite e “Leitura dos Looks das Primeiras Damas” de Fernanda Resende.

ENQUANTO ISSO LONGE DA ILHA DA FANTASIA…

Sobre a posse de Barack Obama, Mario Mendes me conta que amou Aretha Franklin embrulhada pra presente.
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Veja mais sobre a posse de Barack , o estilo de Michelle Obama e a repercussão na moda e na questão do racismo em textos meu, do Leandro Nomura e da Camila Yahn no blog Última Moda.
E tem mestre Mario falando com propriedade dos looks de sra. Obama na Folha.

O RECADO DE MICHELLE OBAMA

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Não existe nada mais conservador e delicioso do que analisar o guarda-roupa de uma primeira-dama. Assunto que sempre rende matérias, principalmente na época da posse e nos meses seguintes, elas logo são fadadas ao esquecimento. Poucas perduram e merecem a nossa atenção como Jackie O. ou Carla Bruni, ou aqui no Brasil, Teresa Goulart e seu estilo bossa-nova pré-ditadura militar. Sem falar da explosiva guerra fria de estilo entre Nancy Reagan e Raíssa Gorbachev.
Agora os olhos dos fashionistas miram para Michelle Obama. A revista “Vanity Fair” a elegeu a mulher mais bem vestida de 2008, antes mesmo dela tomar posse. Dona Michelle adora um bom corte clássico e prefere usar grifes desconhecidas, como uma verdadeira recessionista. As estilistas da futura primeira-dama até então eram as não muito conhecidas Maria Pinto e Donna Ricco.
Muitos “especialistas” não gostaram do vestido que apareceu na festa da vitória do marido e veio uma enxurrada de críticas. Um Narciso Rodriguez da última coleção de verão 2009 adaptado para o momento, isto é, o decote subiu e se arredondou em respeito ao novo cargo de Michelle. Mas o que a nova primeira-dama quis nos transmitir com esse vestido?
Lembrem-se da visão icônica de Cécilia Sarkozy de Prada na posse do seu então marido e atual presidente da França Nicolas Sarkozy. Suzy Menkes leu em seu traje que ali está claro um capítulo novo na velha guerra dos sexos na moda. Hoje podemos entender um pouco mais além, ela já naquele momento se declarava independente de todo aquele circo que Carla Bruni tão bem soube se inscrever. Cécilia e seu Prada pareciam dizer: “Sou livre”, tanto que o divórcio não tardou entre eles.
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Cécilia: livre e em desintonia com a família.
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Sintonia nas cores!
E Michelle, ao escolher os tons de preto e vermelho formava como um laço com os outros membros de sua família que também estavam no mesmo tom, simbolizando que de alguma maneira estavam interligados, unidos entre si, como o discurso de Barack logo mais pediria aos americanos: união nesse momento de crise. Me pergunto se a escolha de Narciso, um latino (e vencedor como os Obamas) e da mesma forma que os negros, discriminado pelos WASP não foi à toa?
NARCISO RODRIGUEZ
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modelo adaptado

E você que achou do vestido de Michelle Obama?

ACHO CHIQUE

os preferidos dos fashionistas, mas será dos eleitores norte-americanos?