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O CANTHO DE MARC JACOBS

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Festa de Marc Jacobs é underground, pelo menos é o que nós aqui tupiniquins que somos pensamos quando vemos as fotos da movimentação toda de seus rega-bofes em Nova York. Então, uma festa aqui tem que seguir as mesmas normas, correto?
E escolheram a Cantho, a boate – “trash” para muito fashonista que adora frequentar ou dar uma passadinha por lá na calada da noite – é de meu primo que é hétero, mas acredita no pink money.
Tinha go go boys, tinha djs inusitados e animados, tinha Costanza dançando com Christian Pior – pra mim o melhor momento da festa. Costanza arrasou nos passinhos! Tinha uma fila na entrada que lembrava um show de Julio Iglesias no Macksoud Plaza. Tinha gente montada linda, – desculpe, mas todos meus amigos ciganos arrasaram – e tinha gente que veio a negócios – desculpe, mas tinha gente de camisa e gravata que eu não sabia se era garçom ou empresário!
Mas tinha segurança demais, isso acaba com qualquer proposta underground.
Agora, foi bonito ver Marc e seu namorado Lorenzo mega apaixonados em uma cena digna de gay pride. E a moda brasileira que até pouco tempo era mega homofóbica e toda espremida dentro de um armário, por mais paradoxal que isso possa paracer, se rendeu ao casal, ou fingiu… sei lá.
Os relatos da festa que mais me encantaram vieram de 3 fontes distintas: a anarquia de Jana, a iconoclastia de Mario e o profissionalismo de Fernanda.
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Marc que cachorrada é essa?

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ENQUANTO ISSO LONGE DA ILHA DA FANTASIA…

Sobre a posse de Barack Obama, Mario Mendes me conta que amou Aretha Franklin embrulhada pra presente.
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Veja mais sobre a posse de Barack , o estilo de Michelle Obama e a repercussão na moda e na questão do racismo em textos meu, do Leandro Nomura e da Camila Yahn no blog Última Moda.
E tem mestre Mario falando com propriedade dos looks de sra. Obama na Folha.

FKAWALLYS NA BIENAL AGORA EM VÍDEO

Recebi do videoasta (videomaker é tão 80) Rodriguinho “Trava” Dutra esse vídeo da performance-ação-desfile-ação comercial que ele realizou na Bienal do Pixo ops Vazio.
Minha admiração por Fábio Gurjão se confirma a cada segundo. Soube – e não foi através do Facebook – que ele teve a seguinte conversa nos dias em que passou na praia do Rio de Janeiro para a passagem de ano. Peço a licença poética de reproduzir aqui não com a exatidão das palavras, mas a precisão da atitude.

– Fábio, você sabe que o Mario Mendes te gonga junto com todos os abravanados!
– Adoro! Por que ele é inteligente, escreve bem. Acho ótimo ele xoxar!
– Mas Fábio, você não acha coisa de gente rancorosa?
– Não. Todo a imprensa adora a gente, é toda manipulável, é bom ter vozes contrárias, independentes. Adoro o blog do Mario Mendes!

O HOMEM QUE ODEIA A BAÍA DE GUANABARA FAZ 100 ANOS

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Lembro na faculdade de jornalismo de ler algum xerox de um trecho de algum livro de Claude Lévi-Strauss – acho que foi um pedaço de “As Estruturas Elementares de Parentesco” – que passou meio batido como tudo que um curso básico pra ser jornalista passa. Aliás, é assim que se formava e se forma hoje os nossos queridos repórteres e posso bem dizer que sou fruto dessa salada de fruta que nunca se aprofunda em nada.
Muito tempo depois, Gerson Oliveira, o hoje famoso designer da Ovo, falou que estava lendo um livro que era a minha cara, que era fantástico e que eu deveria lê-lo. Era “Tristes Trópicos”!
Comecei a ler a autobiografia de Lévi-Strauss e sua viagem ao Brasil e digo que à princípio achei que Gerson estava tirando sarro da minha cara.
Eita francesinho mal humorado (apesar de ter nascido na Bélgica. até hoje nunca entendi essa quantidade de francês nascido na Bélgica)! Ele conta que numas das paradas da viagem, talvez no Caribe (?) se não me engano, foi até a biblioteca para pesquisar algo e ficou horrorizado ao constatar que no banheiro, ao invés de papel higiênico, eles estavam usando folhas de livros da própria biblioteca. Pensei em parar, mas frases com muita contundência e longe do lugar comum me fizeram – graças à Deus – continuar.
“Odeio as viagens e os exploradores”, diz ele um antropólogo que tem como objetivo viajar e conhecer culturas diferentes. Como assim? Essa sinceridade me comoveu e segui adiante.
Fora o trecho clássico:
“Um espírito malicioso já definiu a América como sendo uma terra que passou da barbárie à decadência sem conhecer a civilização. Poderíamos com mais razão aplicar a fórmula às cidades do Novo Mundo: vão da frescura à decrepitude sem se deterem na antiguidade”. Acho tão Ponte Gucci!!!!
Ele odiou a Baía de Guanabara: “O Pão de Açúcar, o Corcovado, todos esses pontos tão louvados parecem ao viajante que penetra na baía como tocos de dentes perdidos nos quatro cantos de uma boca banguela”.
Nesse ponto, a visão é tão pessoal e única que não podemos não respeitá-la mesma que não concordemos com ela. Eu por exemplo acho a Baía de Guanabara linda, mas adoro ele odiar esse mesmo lugar, desafia o coro dos contentes.
Lévi-Strauss detestou tudo o que era da “mão civilizatória” no país, mas se encantou com o índios, descobriu com os bororos algo profundo. E essa é toda a grandeza do livro.
É estranho hoje ser uma voz dissonante (ou pessoal), mas Lévi-Strauss ensina que sair do lugar comum às vezes é se acomodar a ele, não existe nada mais europeu no sentido clichê do que engrandecer os índios.
Vejo muitos amigos mais jovens – os meus amados filhos e filhas de Britney – falando de uma tal crítica construtiva. Ao nominá-la, eles colocam em oposição aquilo que chamam de crítica negativa, “do mal”. Parece consenso porque até um jornalista do porte de Mario Mendes, um dia me escreveu dizendo sobre o Nucool que “depois ele [Mario Mendes] que era maldito”. Conhecendo um pouco do estilo de Mario, sei que ali era uma ironia sobre o estado das coisas e pessoas que acreditam que quem critica algo “é do mal”. Enfim, desmantela-se a crítica entre a do bem e a do mal.
De fundo, isso faz parte de um mecanismo de festa de medalhas que vivemos hoje onde tudo é divino, maravilhoso e ai, de quem não achar ou algo é realmente horroroso (como os pixadores na Bienal, as quedas das Torres) e ai, de quem não achar. Vivemos o auge do lugar comum em todas as áreas. Pois o exercício do pensamento está cerceado por esse falso bom mocismo.
Não existe crítica construtiva ou destrutiva, existe crítica, cabe ao interlocutor decidir se aquilo lhe interessa ou não, se lhe acrescenta ou não. E vamos tirar deus e o diabo dessa terra sem sol!
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a boca banguela

A MAIOR

Quem me deu a dica de que Diana Vreeland era a tal foi Mario Mendes. ele nem sabe disso, mas nos idos anos 80, ele já Mario Mendes como o conhecemos, super jornalista, se sentou rapidamente na mesa que estava com uns amigos no Ritz pra dar um oi nem lembro pra quem e citou Vreeland de maneira deliciosa.
A maior de todas as editoras, eis lady Vreeland em ação – indicação de Marco Sabino.

SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA E O UNISSEX


Sobre a última temporada de moda masculina e seu feminino é sempre bom ver outras visões não menos importantes, o sempre incrível Mario Mendes e suas observações afiadas fazem uma análise sobre a tendência dos pijamas nas passarelas e sobre uma moda mais relax, mais confortável que parece reinar também entre os criadores fashion – todos sabemos que cada vez mais os homens preferem o conforto, por isso mesmo a resistência à gravata, ou melhor, ao terno como uma roupa natural do seu dia-a-dia. A grande maioria só o usa por motivos profissionais e parecem felizes ao fim do dia ao se livrar de seu espartilho. Quem sabe é o final mesmo de um ciclo do terno como a principal roupa para os homens…
Quem será nosso Poiret? Quem será nossa Chanel?

Osklen inverno 2008, tanto para meninos como para meninas

Ao ver o penúltimo desfile da Osklen, seu inverno 2008, vi com felicidade e surpresa uma possibilidade para a moda masculina e no geral para o streetwear. Ali tinha algo unissex que poderia ser um possível impulso para a moda masculina.
No dicionário Houaiss, o termo unissex é adjetivo de dois gêneros e dois números que pode ser usado tanto por homens quanto por mulheres (refere-se especialmente à moda, como tipo de roupa, calçado, corte de cabelo etc., ou a serviços profissionais)
O termo não poderia ter surgido senão na década de 1960, época que os gêneros foram postos em xeque.

Você acredita no unissex como uma possibilidade de arejar a moda masculina? Ou não? Como vc vê o unissex?

O unissex já rolou na moda e sempre achei que quem sai perdendo é o homem, que fica feio, meio caricato. O unissex é um dos caminhos apontados para o futuro da cosmética. A direção foi concluída numa feira internacional que rolou em Bolonha, no começo do ano [N.E. é possível que a beleza novamente sinalize algo na frente das roupas com o suspeito].

Cher e Sonny
Com relação à moda, pode ser que role. O século 16 foi masculino, no 17 a mulher começou a aparecer, vide Maria Antonieta, Pompadour e outras. O 19 foi masculino e no 20 a mulher conquistou tudo o que falamos acima.
Acredito que o século 21 seja de armistício entre os gêneros, seja um século misto, unissex. O homem assume seu lado feminino para se equilibrar com o masculino da mulher, que bomba desde o final dos ano 90, quando ela chegou ao topo nas corporations, virou provedora do lar. O homem leva os filhos ao pediatra e à escola. Na cama, eles se entendem cada vez mais. Ueba! Pode ser uma viagem de aquariano dragonino.
Por outro lado, o homem cada vez mais caminha para descobrir que sua moda é bacana, por mais que muita gente a ache chata e entediante. Onde há fumaça, há fogo. Tudo o que te contei aqui, está contado detalhadamente no meu livro.

Bom, aqui encerra a semana Lula Rodrigues no blog, pra mim foi uma grande honra ele ter respondido às perguntas e se debruçado nessas questões da maneira que fez, ainda mais que está finalizando um livro sobre o assunto, o Almanaque da Moda Masculina que sairá no começo do ano que vem pela Senac Rio. Pra mim, repito, já nasce clássico!
Adorei também todos os comentários e a discussão que a entrevista suscitou na blogosfera.

QUANDO PERO VAZ CAMINHA… – A VISITA DE TOM FORD EM TERRAS BRASILIS


Quando as caravelas chegaram ao país deve ter rolado um frisson entre os índios, mas não tão forte como a visita de Tom Ford a São Paulo. 

Era meio irritante até o assunto porque antes da visita, Ele, como disse Maria Prata, canalizava todas as atenções das rodinhas fashionistas e como eu disse no meu pensamento fraco, a evolução não significa progresso…

Nesses momentos eu tenho vergonha da chamada elite do país, tão sem auto-estima, fazendo um papel tão suburbano…

Ao ler as primeiras impressôes, fiquei meio estarrecido com tanta babação de ovo. Mas de repente descobri verdadeiras cartas de Caminha.

Me deliciei lendo Sylvain e Mario Mendes, confesso que achei que eles até, dada a verve e humor de ambos, foram contidos. Mais  encontrei um gosto acre-doce único nas crónicas de Milene Chaves e Maria Prata. Os 4 valem leitura, até porque se um antropólogo no futuro quiser saber o que acontecia nesse rincão poderá ter uma visão mais honesta nesses relatos.

Enfim, não vi Ele, mas adoro pensar que quando voltar ao país, se voltar, terá o  desprezo digno que recebeu Nick Cave, Naomi e todas as estrelas que ficam muito tempo por aqui. A gente é jeca mas é perverso também!