Arquivo da categoria: mariana rocha

SPFW: ME DIGAS POR ONDE ANDAS…

Que eu te direi que és fashionista! 

Sapatilha YSL da editora da Vogue Brasil Maria Prata.

“A primeira Saint Laurent a gente nunca esquece”! 

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Galocha Marc Jacobs do jornalista Ricardo Oliveros.

“Se chove e o desfle é no Tietê. Faça como Oliveros, vá montada!”

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Bota cowboy Arezzo da consultora de moda Mariana Rocha

“No faroeste da moda brasileira é bom estar prevenido e com a mão no gatilho”

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HIGIENÓPOLIS ABRIGA SABBA FASHION

No meio de tantos bazares, acho legal iniciativas diferentes, e essa está repleta de gente bacana e talentosa. E a gente sabe que sabba bom, tem que ser em Higienópolis, perta da lochinha.

Recebi esse e-mail da CASA Magnolia, projeto de Ricardo Athayde e Lu.

“Oi, O SABBA é um evento criado para ser aos sábados no período Pré- Natal, onde um show room é montado na CASA Magnolia que abrirá suas portas especialmente pra reunir, expor e vender criações e produtos dos mais diversos segmentos.Funcionando como um difusor de idéias o SABBA, tem formato enxuto, que une qualidade com novidade, num clima “Sinta-se em casa” reunindo dessa vez 13 nomes diferentes que são eles:

Emilie e eu – acessórios

Theodora – moda

Felipe Borges – originals bags

Rafaela Cassolari – feminino

aMuse – masculino e toy art

BY Boogie – acessórios POP

Desmancha Prazeres – t-shirts

Mariana Rocha – designer de jóias

Rodrigo Bueno – arte por arte

Magnolia Risoflora – pra casa

Rodrigo Marques – foto arte

Tapioca – T-shirts

Chef Volf- sobremesa autoral

Finger foods & cups : DU Mazzolini

Sound track: Ricardo Athayde e Peri Dj. Cassete

Esse ano aceitaremos Visa!
AH! Confira o nosso site que está de CARA NOVA , com os nossos trabalhos mais legais postados!
http://www.magnoliarisoflora.com.br
Chegando, dê seu nome completo na portaria, suba no 73 e seja feliz!”

Serviço:
CASA Magnólia

8 e 15 de dezembro
fone: 35783313
Rua Alagoas , 162 / 73
Higienópolis – São Paulo

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MODA É ARTE? A CONSULTORA MARIANA ROCHA AQUECE A DISCUSSÃO

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Mariana Rocha é professora, consultora e crítica de moda, além de estilista. Foi com bastante satisfação que recebi esse e-mail. Ela pede para mostrar para o Oliveros, mas resolvi compartilhar com todos aqui no blog, dada a excelência do pensamento e das observações dela. Enriquece muito a discussão sobre moda e arte e moda é arte. Ou não.

Abaixo o texto de Mariana Rocha na íntegra:

“A partir das colunas de Biti Averbach, dos comentários de Vitor Ângelo e da coluna do Oliveros.

Defendo o ponto de vista do Oliveros quando diz que moda não é arte. Com isso ele não quer subestimar a importância da moda, mas fortalecer uma manifestação nova, que ainda está se estruturando. Concordo plenamente com Vitor Ângelo no que diz respeito ao desfile de Jum Nakao e ao valor artístico de certos trabalhos. Entendo também a paixão que envolve essa discussão e acredito que a reflexão é fundamental para a evolução de uma linguagem que cresce em importância e significação na nossa sociedade. Mas a verdade é que se moda é ou não é arte, tanto faz.

Cercada por preconceitos, formação precária e más intenções, a moda, querendo ou não, transforma e influencia a vida contemporânea. Além de vestir, abrigar, resolver, enfeitar, expressar, esconder, seduzir, problematizar, excluir, integrar, negar, postular, significar, classificar, etc. e tal, quando a moda é boa , pode, por vezes, até se aproximar da arte. Mas ela é boa na medida em que se apropria e domina seu universo próprio, seu repertório particular e afirma o que tem de único. Nesses momentos, de muita técnica e domínio criativo, é possível haver uma reação parecida ao que se experimenta ao ver um trabalho artístico.

No caso do desfile de Jum Nakao, o debate está aberto. A moda, por definição, está vinculada à adesão da coletividade e tem que ter uma repercussão. O desfile de Jum Nakao tocou a moda, se utilizou de elementos da moda e usou o altar da moda para discuti-la. Contestou-a criticando sua fragilidade e efemeridade – utilizando-se do papel, matéria frágil, logo destruída pelas mãos das modelos robôs-bonecas, representando a massificação – e, ao mesmo tempo, exaltou-a, servindo-se lindamente de seus elementos constitutivos tradicionais, tais como a silhueta histórica, a decoração de superfície, a mão de obra artesanal e o formato desfile. Mas não fez, exatamente, moda. Nem por isso foi inadequada sua apresentação. Pelo contrário, foi divisora de águas. Desde aquele momento, houve uma consciência coletiva de onde estávamos nos metendo.

A Moda não só revela, mas constrói a sua própria época. Não é apenas o reflexo de uma sociedade, mas um fator constitutivo da mesma. Walter Benjamin, numa de suas análises da moda, a compara aos museus de cera, onde as imagens são tão impressionantes que são como aparições, reveladoras das entranhas do que é humano.“Na moda, o traje, a aparência externa é representação das ‘entranhas’. Enquanto fenômeno (aparição), a moda mostra o que está dentro. Essa consideração significa conferir uma outra importância à aparência: ela não é aparência que se opõe à essência, mas é aparição, aquilo que se mostra, num jogo entre o que aparece e o que se ausenta: ‘a expressão do inconsciente de uma época'”¹.

Quando Vitor trata dos conceitos de arte em Joyce, cita o desejo, comparando-o à pornografia, como algo inferior. Para Benjamin a moda é o desejo daquilo que não é. É fetiche, o que nunca se satisfaz. Quem sabe então a moda mais verdadeira não seja aquela que nunca se satisfaz? A que possui aquele “algo mais” citado por Vitor, que nos encanta e também nos aprisiona?

Inspirador de Benjamin, Baudelaire tem uma visão da moda ainda mais positiva: “ …aproximação qualquer de um ideal cujo desejo faz cócegas sem cessar no espírito humano não satisfeito”. Ela usa artifícios para colocar o belo acima da fragilidade da vida, da decadência das coisas.”

Agora, se é arte ou não é arte, tanto faz. Classificar coisas não é mais tarefa para o nosso tempo.

Mariana”

1)Todas as citações estão contidas no excelente ensaio “Mercadoria e moda: o fetiche e seu ritual de adoração”, de Sonia Campaner Miguel Ferrari. O livro é Leituras de Walter Benjamin, organizado por Márcio Seligmann-Silva, uma publicação da Fapesp infelizmente esgotada.